Virgindade

As informações contidas nesta página, foram retiradas do livro:

O guia dos amantes ( Editora nova cultura - uma divisão do Círculo do Livro Ltda. )


Uma verdadeira revolução de valores retirou o caráter sagrado da virgindade nas sociedades modernas. Mas, para adolescentes, deixar de ser virgem ainda é uma questão íntima e delicada.

Deixar ou não de ser virgem? A questão que se coloca para as adolescentes, hoje, não podia nem sequer ser pensada há algumas décadas atrás.

A integridade do hímen era considerada um troféu que as mulheres entregavam aos respectivos maridos somente na noite de núpcias. Caso essa membrana já estivesse rompida, o fato gerava escândalos e podia resultar até na anulação do casamento.

Parece absurdo, mas o costume só começou a mudar nos revolucionários anos 60. A mulher passou a ocupar novos espaços na sociedade e a questionar as normas que lhe eram impostas até então.

A prova da virgindade => A revolução de valores não abrangeu, entretanto, toda a população feminina do mundo. Há muitas comunidades que recobrem o hímen de significados sagrados.

Os ciganos, por exemplo, mantêm em sua tradição rituais que atestam a virgindade da noiva. Antes do casamento, uma cerimônia cercada de mistérios. No final, um lenço branco exibe "flores de tom róseo" que são considerados os símbolos da honra.

Os métodos do exame variam de acordo com o clã. Uma túnica nupcial poderá substituir o lenço, mas as manchas de sangue deverão sempre aparecer para provar a virtude da donzela deflorada.

Crença e sacrifícios => A ligação religiosa entre castidade e sacrifício existe desde os primórdios da humanidade. Entre alguns povos indígenas persiste a crença de que a abertura da vagina deixaria livre a passagem para espíritos malignos. Por isso, as tribos praticam ritos de defloramento que esconjuram esse perigo.

Um dos procedimentos mais representativos foram observados por antropólogos no Peru. Os índios conibos embriagam a adolescente e uma velha da tribo extrai seu hímen utilizando uma faca de bambu. Para evitar que o processo de cicatrização feche a vagina, é introduzido um pênis artificial de barro cozido que mantém a dilatação até a ferida secar.

Opção pessoal => A virgindade perdeu o valor nas sociedades modernas. Tanto os garotos quanto as garotas reconhecem que esta é uma condição que depende apenas da escolha pessoal.

A liberdade contribui para o desenvolvimento dos adolescentes de ambos os sexos que, agora, têm a oportunidade de iniciar a vida amorosa no período do namoro.

Mas na esteira das mudanças não vieram só avanços. Alguns resquícios do velho código moral se mantiveram e convivem lado a lado com os mais recentes modismos. O que explica a ansiedade de muitas garotas tentando preservar a virgindade até a noite de núpcias, quando teriam o selo da família e da comunidade, quer por motivos religiosos, quer por medo de sofrer alguma sanção moral.

Resíduos de preconceitos => Quem carrega as cinzas dos preconceitos são principalmente as garotas. Comparadas a objetos de consumo, elas correm o risco de serem consideradas "mercadorias de segunda mão", caso já sejam "usadas". Ronda sobre elas crendices do tipo: "Depois que ele já consegui o que queria, (isto é fazer sexo), então, ele vai embora".

Por outro lado, se as mulheres optam pela castidade, certamente receberão os rótulos de "atrasada" ou "careta".

A ambigüidade das normas corresponde a diferentes momentos de transformação que ainda estão em curso na humanidade. Muitas proibições foram demolidas, mas o novo conjunto de regras que balizam o comportamento sexual está sendo construído dia a dia.

Pressões machistas => Embora os garotos não tenham uma membrana que "lacre" o seu corpo, a questão da virgindade também os aflige.

Antigamente eles eram pressionados pela a família a iniciar a atividade sexual com prostitutas. Assim mostravam que eram "machos" sem violar a pureza da namorada.

Claro que partilhar uma experiência tão afetiva com uma "profissional" fria e desconhecida não era nada confortável. Mas, aqueles que não cumpriam as regras do jogo, levantavam suspeitas sobre a sua masculinidade. Os tempos modernos não tornaram os caminhos mais fáceis. A cobrança continua a existir, partindo, porém, dos próprios colegas.

Para integrar o grupo dos experientes e espertos, alguns garotos chegam a inventar relatos de emocionantes aventuras sexuais que nunca aconteceram de verdade.

A fábula pode até conferir certo prestígio ao autor, mas não o livra do sentimento desagradável de saber que tudo não passa de uma grande mentira.

Mitos herdados => Como se vê, os longos anos de proibição e censura deixaram de herança alguns mitos que precisam ser derrubados. A começar pelo hímen que difere de uma mulher para outra e não serve de "selo de garantia" da virgindade.

A membrana, que apresenta um ou mais orifícios, pode ter diferentes formatos e níveis de resistência. Algumas mais frágeis rompe-se facilmente de forma imperceptível e sem dor. Outras, ao contrário, resistem à penetração

Há ainda o hímen complacente, que se distende mas não perfura; e o estrelado que se mostra partido nas bordas. Esse último confunde até os médicos, pois seu tipo de abertura dá impressão que a garota já teve relações sexuais.

O medo predomina => Outro engano que persistiu por décadas foi o de indicar a ausência de sangramento na primeira relação sexual como evidência de não-virgindade. Os especialista afirmam que cerca de 35% das mulheres não apresentam nenhuma perda de sangue após o rompimento do hímen.

Com tanta desinformação, não é de se estranhar a resposta dada pelos jovens na pesquisa "Sexualidade e Plano de Vida na Adolescência", da OMS, realizada em São Paulo pelo Grupo de Assistência à Saúde do Adolescente. Ao avaliar a reação de um casal fictício, a maioria disse que o medo seria o sentimento sexual desses personagens, vindo antes do prazer e da vergonha.

Expressar as emoções => Ainda que a tendência entre a maioria dos jovens ocidentais seja dizer que não pretende se casar virgem, numa resposta natural ao movimento de "desrepressão" sexual, a decisão convive com sentimentos confusos de medo e vergonha.

A frustração que pode vir do embate "ser ou não ser virgem" denota uma preocupação excessiva com os estigmas sociais. Na verdade, o que vale é a base para a empatia entre as pessoas.

As regras do coração => Ser virgem significa apenas que o homem e a mulher nunca tiveram uma relação sexual completa. Nada mais.

Afastar todas as rotulações que estão embutidas no termo ajuda a escolher qual é a condição desejada.

A fórmula vale tanto para os conceitos antigos quanto para os atuais. O jovem que se inicia sexualmente só para estar na moda, na verdade, acaba produzindo o mesmo modelo das gerações passadas. Isto é: renuncia ao próprio poder de decisão para cumprir a ordem ditada pelo grupo social.

Acontecendo naturalmente, como decorrência do estreitamento do vínculo afetivo com o parceiro, a primeira vez dos adolescentes tem tudo para ser um encontro de prazer e alegria.

Fantasmas da virgindade

Ela => Muitas adolescentes temem utilizar absorventes internos, com medo de deixar de ser virgens. Na verdade, tudo vai depender do seu tipo de hímen, pois há jovens que têm hímen tão frágil, que a simples prática de ginástica pode rompê-lo. Outros apresentam um tipo mais resistente e a ruptura só acontece numa relação sexual completa.

Ele => Muitos meninos acreditam que podem "livrar-se" da sua virgindade com uma parceira desconhecida, como as garotas de programa. Se ele estiver muito ansioso e agindo apenas por pressão de amigos, corre o risco de não conseguir ereção ou de ter uma ejaculação precoce durante sua atropelada iniciação sexual.

Detalhe:

=> As primeiras penetrações podem causar alguma dor, mas não muita. A vagina tem musculatura flexível, que acomoda qualquer tamanho de pênis sem traumas. Não há porque se preocupar, o próprio corpo se encarrega de preparar a área para o ato sexual. Durante a fase de excitação, uma grande quantidade de sangue se concentra nos genitais, fazendo a vagina se alargar no terço externo e alongar nos dois terços internos. Também as glândulas de secreção lubrificam bem a porta de entrada, criando condições ideais para o rompimento do hímen. Claro que tudo depende do estado emocional. Se a garota estiver com medo ou vergonha, a tensão poderá bloquear os mecanismos naturais que produzem prazer.

=> A prática dos especialistas tem demonstrado que não há como prescrever a idade apropriada para os jovens iniciarem a vida sexual. Tudo depende do desenvolvimento afetivo de cada indivíduo. E o ritmo de crescimento difere de pessoa para pessoa. O pior erro é se comparar demais aos amigos e tentar imitá-los sem considerar as próprias necessidades. Não se preocupar com modismos e deixar os acontecimentos fluírem é o melhor caminho para se chegar na "primeira vez" sem grilos.

A receita se aplica tanto aos garotos quanto às garotas. Em relação à descoberta do sexo a expressão "quando" não interessa tanto. O importante é que o adolescente se sinta feliz e esteja consciente do que quer.


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