A formação da sexualidade
As informações contidas nesta página, foram retiradas do livro:
O guia dos amantes ( Editora nova cultura - uma divisão do Círculo do Livro Ltda. )
É no útero materno que a sexualidade começa a se formar. Ao longo da infância e da adolescência as experiências prazerosas serão determinantes para um adulto sexualmente feliz.
A vida sexual inicia-se antes mesmo de nascermos e, dia após dia, enquanto crescemos e nos desenvolvemos, continuamos a aprender acerca de nós mesmos e do nosso corpo por um processo de exploração, imitação e instinto.
Alguns psicólogos acreditam que há uma relação entre o ato de sugar o leite materno e o prazer sexual que vai ser desfrutado na maturidade - o que parece ser correto. O uso de raio-X e as técnicas de ultra-som durante a gravidez também revelam que muitos bebês ainda em formação no útero da mãe chupam o polegar, confirmando a importância da sucção desde a fase de embrião.
Primeiros dias
A sexualidade pode ser vista como uma busca de prazer que não se restringe às diferenças entre homens e mulheres. Todos os nossos sentidos (tato, olfato, paladar, visão e audição) estão envolvidos nesta busca.
Um bebê recém-nascido é sexualmente imaturo, mas de forma alguma assexuado. Os sentidos do tato, paladar e olfato estão surpreendentemente desenvolvidos. Com um dia de vida, o bebê já é capaz de reconhecer a voz da mãe e distinguir o leite materno apenas por meio do olfato.
A partir do nascimento, a sensação de conforto do bebê advém da alimentação e do carinho que recebe, bem como das imagens e sons familiares. Entretanto, suas necessidades mais imediatas resumem-se basicamente em alimento. Daí que a primeira sensação de prazer do bebê recém-nascido está ligada ao alívio da fome.
Despertam os prazeres
Sugar fornece alimento e assegura à criança que seu choro terá como resposta a satisfação de suas necessidades. O mais importante, porém, é que este fato estabelece um elo de afeto e confiança entre o bebê e a mãe. Se tudo correr bem neste estágio, ele desenvolverá seu primeiro relacionamento de confiança com outro ser humano, lançando a pedra fundamental para o sucesso dos relacionamentos na idade adulta. De fato, os bebês que não são amados e cuidados com carinho por um dos pais tendem a se tornar adultos menos felizes.
Numa bem documentada série de experiências realizadas nos Estados Unidos, macacos Hhesus foram separados de suas mães logo após o nascimento e colocados ao lado de "mães substitutas" feitas de arame. Estas mães artificiais eram equipadas com tetas que forneciam leite e algumas eram recobertas por um material suave e macio. A pesquisa mostrou que, quando assustados, os macaquinhos corriam em busca de segurança e conforto, buscando as "mães substitutas", cujo contato era suave. Contudo, o mais significativo da experiência é que, por serem privados da estimulação mãe/filho normal, nenhum foi capaz de atuar sexualmente na idade adulta.
Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, acreditava que todos os problemas sexuais derivam de dificuldades vivenciadas durante a infância.
Os três estágios
Freud dividiu o desenvolvimento da criança em três estágios distintos (oral, anal e genital). Ele percebeu que as crianças experimentam as primeiras sensações de prazer oralmente, através da sucção; depois, tornam-se conscientes dos próprios excrementos, na fase em que aprendem a usar o banheiro; e, finalmente, atingem o estágio genital. Freud afirmou que o adulto só é sexualmente feliz se quando bebê, suas necessidades orais foram satisfeitas sem que ele tivesse de berrar durante horas e o aprendizado de uso do banheiro transcorreu sem pressões nem ansiedade.
Os estudos revelam que o bebê obtém prazer sexual com seu corpo desde cedo. Ao descobrir o pênis, por volta dos dois meses, o menino brinca com ele, esfregando-o com delicadeza. As meninas também brincam com seus genitais a partir da mesma idade.
Prazer sexual
As primeiras explorações são normais, saudáveis e até mesmo essenciais. O desempenho sexual na idade adulta gira em torno do prazer. Assim, não faz sentido repreender uma criança pequena por brincar com seus órgãos genitais só porque isto constrange os pais. Ela certamente superará esta fase, quando terá então obtido conhecimento e familiaridade com seu corpo, o que será muito importante mais tarde. Na maioria dos casos as crianças reprimidas pelos pais enfrentam grandes problemas ao atingirem a maturidade sexual.
Nudez descontraída
As atitudes e comportamento observados em casa constituem a base para a personalidade adulta. As crianças que crescem em lares seguros e felizes são geralmente mais fortes em termos emocionais do que aquelas que se desenvolvem no seio de famílias instáveis. Quando cuidadas por pais amorosos, tendem a se tornar pais ainda mais dedicados.
E assim como as características emocionais são transmitidas, o mesmo ocorre com as atitudes dos pais em relação ao corpo e à sexualidade em geral. Quando os adultos se sentem embaraçados ou envergonhados com a própria nudez, e a porta do banheiro é mantida fechada, as crianças absorvem o constrangimento.
Instinto ou imitação?
Quando a criança começa a freqüentar a pré-escola, o foco de sua atenção se desloca dos pais para os professores e colegas. Embora os pais representem o primeiro modelo, os professores e amigos exercem uma influência relevante sobre seu desenvolvimento.
Mas a questão não se resume apenas a condicionamentos. Quem já lidou com crianças pequenas (em especial pais e professores) concorda que meninas e meninos são intrinsecamente diferentes.
Os meninos ruidosos e ativos. Quando aprendem a andar, movimentam-se mais. As meninas são, em geral, mais quietas e delicadas, demostrando mais interesse por jogos imaginativos do que por competições físicas. Além disso, apresentam facilidade maior para brincarem sozinhas com suas bonecas e outros brinquedos.
A partir dos três anos, as crianças tomam consciência do corpo. As garotinhas começam a olhar para os garotinhos e a imaginar "que coisa estranha é aquela que eles têm entre as pernas!". E se perguntam: "por que eu não tenho? O que aconteceu com o meu?".
Horizontes mais amplos
Por volta dos onze, doze anos, os horizontes das crianças se ampliam. Elas ainda possuem heróis e ídolos, mas, em vez dos pais e professores, os modelos geralmente vêm de fora: através de revistas, filmes e programas de televisão.
Os meninos de onze anos podem reverenciar um jogador de futebol e gostar de pendurar fotos de seus heróis nas paredes do quarto, mas os de quatorze tendem a incluir pôster de mulheres, em geral estrelas de cinema. O mesmo se aplica às meninas, que costumam idolatrar cantores, membros de bandas de rock e atores de novela.
É um período de turbulência. Os adolescentes lutam para atingir a idade adulta e estabelecer uma identidade própria e distinta da visão que os pais e professores têm do mundo. Este é um estágio necessário, por mais árduo que pareça.
A adolescência é a época em que os fatores fisiológicos impelem a criança para a maturidade, num ritmo por vezes mais veloz do que ela pode suportar.
A escola e os amigos agora assumem a máxima importância, e o modo como estes se comportam e pensam exerce uma influência consideravelmente maior do que as dos pais ou de qualquer outro adulto. Esta costuma ser a principal causa de conflitos entre pais e filhos (principalmente quando se trata de filho único). Neste caso, os pais, e a mãe em especial, tendem a ser mais apegados do que aqueles que possuem um número maior de filhos, e revelam-se menos capazes de lidar psicologicamente com a idéia de que seu filho está definindo uma personalidade própria. Uma das vantagens de ter irmãos mais velhos é que os pais já aprenderam, com a experiência, a resolver conflitos e dificuldades emocionais oriundos do crescimento dos filhos.
Nesta altura, surge um interesse profundo por tudo o que se relaciona a sexo - o próprio corpo, as mudanças e o mistério que cerca o relacionamento homem/mulher. As garotas geralmente se desenvolvem mais cedo e aprendem sobre a menstruação com a mãe e amigas mais velhas. Normalmente elas têm chances maiores de aceitar o novo corpo adulto do que os meninos.
Experimentação
Por volta dos doze anos, tanto os meninos quanto as meninas começam a se masturbar - se já não tiveram começado antes disso. Os estudos mostram que o percentual de meninos que se masturbam é maior do que o de meninas.
As primeiras experiências e brincadeiras sexuais, freqüentemente, ocorrem com o mesmo sexo. Longe de ser perigosa, esta primeira experimentação é uma fase normal e inofensiva do processo de autoconhecimento e crescimento. Masturbação e experimentação são aspectos para uma sexualidade adulta saudável. De fato, são práticas necessárias ao desenvolvimento de um adulto sexualmente ajustado.
A maioria dos adolescentes se tornam heterossexual. Mas outros se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo. O processo de definição do papel sexual pode ser doloroso para os homossexuais, principalmente quando estes precisam assumir sua escolha perante os pais e amigos e viver de acordo com a própria sexualidade.
Felizmente, a maioria dos homossexuais acha que, passado o choque inicial, os pais e amigos acabam por aceitá-los e aos parceiros pelo que realmente são: adultos ajustados e sexualmente responsáveis.