Planejamento familiar

O processo de fertilização de um óvulo pode ser interrompido em vários pontos e através de vários métodos de planejamento familiar. A camisinha - e mais recentemente a camisinha feminina -, por exemplo, aprisiona o esperma impedindo-o de entrar no corpo feminino. O DIU (dispositivo intra-uterino), interfere na implantação da célula-ovo no útero, enquanto que a pílula anticoncepcional impede quimicamente a liberação de óvulos. Todos esses métodos são temporários e usados por casais que não querem ter filhos por um certo período.

A esterilização é um método permanente de controle de nascimento e, se bem que às vezes a operação possa ser revertida, deve sempre ser considerada pelo casal como definitivamente irreversível.

Esterilização

A esterilização feminina impede que o óvulo percorra a trompa de Falópio (local onde ocorre a fertilização).

A esterilização masculina impede o espermatozóide de chegar ao pênis, de modo que ele não possa entrar em contato com o óvulo. Há inúmeras operações que proporcionam esterilidade, mas foram descartadas por diversos motivos. Castrar um homem, por exemplo, significa a remoção dos testículos, órgãos que produzem o esperma. Sem produção de espermatozóide não pode existir fecundação. Da mesma maneira, a histerectomia, remoção do útero, torna a mulher estéril.

No entanto, atualmente são considerados métodos de esterilização as cirurgias mais simples, com conseqüências menos radicais. Apropriadas para esterilizar um homem ou uma mulher com o mínimo de efeitos colaterais e de distúrbios para o organismo. Na mulher, essa operação denomina-se esterilização ou ligadura das trompas. No homem chama-se vasectomia.

Só os que estão absolutamente certos que nunca irão querer ter filhos podem considerar a esterilização como o mais eficiente método de planejamento familiar, pois a reversão da cirurgia é incerta.

A esterilização deve ser decidida pelos parceiros, levando-se em conta as perspectivas ao longo prazo. Pessoas solteiras ou sem companheiros não devem optar por este método, pois não sabem o que o futuro lhes reserva e podem vir a mudar de idéia a respeito de gerar filhos.

Casais sem filhos também são encorajados a pensar muito bem antes de decidir por uma esterilização.

Esterilização feminina

Na mulher, a esterilização, popularmente conhecida como ligadura de trompas, é considerada como bloqueio da passagem do óvulo maduro do ovário para o útero, através das trompas de Falópio. Há duas trompas e, como o óvulo pode passar por uma ou por outra, dependendo do ovário que o produz a cada mês, a operação deve ser feita simultaneamente nos dois lados.

Depois de realizada uma incisão através da pele e dos músculos da parede abdominal inferior da mulher, o cirurgião tem acesso às trompas de Falópio e as fecha. Elas podem ser amarradas, pinçadas, costuradas ou cortadas sem perda de sangue, através do processo de cauterização ou diatermia de todos estes métodos.

O instrumento de cauterização é inserido através de um pequeno corte feito logo abaixo da linha inicial dos pêlos púbicos. O cautério é menos usado atualmente porque torna a decisão realmente irreversível. Muitos cirurgiões preferem dar uma anestesia local e, por meio da laparoscopia, fechar as trompas com uma espécie de clips de metal ou plástico. Embora o sucesso de uma reversão não possa ser garantido, este método é menos traumático para mulher e diminui as dificuldades caso ela decida voltar a ter filhos. Às vezes, o cirurgião de esterilização seja feito um exame cuidadoso de todos os órgão abdominais.

Esterilização masculina

Os homens são esterilizados por uma operação virtualmente idêntica. Os dois tubos, com cerca de 40cm de comprimento (denominados de canais deferentes), que transportam os espermatozóides produzidos nos testículos para o pênis, têm o diâmetro da ponta de uma caneta esferográfica.

Antes da operação, parte dos pêlos púbicos são raspados e a área é desinfetada com antisséptico. O médico procura o canal, geralmente primeiro o direito, que é o mais difícil de encontrar. O canal, solto como um colar, pende na parte superior do escroto (a bolsa que contém os testículos).

É dada uma anestesia local e, então, o cirurgião faz uma incisão de um centímetro na parte superior do escroto. O canal deferente torna-se visível, é pinçado e cortado, amarrando ou cauterizado. As duas extremidades são colocadas dentro do escroto e médicos as suturam em uma camada do tecido interno para que o acesso a elas seja fácil, caso se pretenda fazer uma cirurgia de reversão, para recuperar a fertilidade.

Finalmente, a incisão é saturada com um ou dois pontos e o procedimento é repetido no outro canal deferente, do outro lado do escroto.

Complicações

A vasectomia pode causar certo desconforto no escroto, mas isso dura apenas alguns dias. Alguns homens declaram sentir dor durante a ejaculação, que pode persistir até que se complete a recuperação. No entanto, a ereção jamais é afetada, ao contrário, a despreocupação pode melhorar o vigor da ereção. Raramente, forma-se um coágulo ou ocorre uma infecção. Neste caso, podem surgir inchaço e dor.

A esterilização feminina acarreta maiores riscos de infecção, inchaço e dor. Se a anestesia for geral, aumentam as complicações. Mas esse perigo é reduzido ao mínimo se a cirurgia for feita num hospital bem equipado.

Relação sexual

Homens e mulheres que passam por uma cirurgia de esterilização podem fazer amor assim que tiverem superado os desconfortos da recuperação e sentirem disposição para retornar a vida sexual.

Depois da laqueadura das trompas, a esterilidade feminina é imediata. No entanto, ocasionalmente, um óvulo pode ter sido liberado pouco antes da cirurgia e ainda estar no útero. Por isso, convém à mulher usar pílulas ou qualquer outro método anticoncepcional depois da operação, até o período menstrual seguinte.

Quanto ao homem, são necessários três a quatro meses, ou vinte ejaculações, para eliminar todos os espermatozóides do sistema. Assim, é preciso adotar meios anticoncepcionais depois da operação até que o exame de duas amostras consecutivas de esperma se apresentem sem espermatozóides. Depois disso, o melhor é fazer uma espermatografia por ano.

Marido ou mulher ?

Quando um casal decide pela esterilização, surge um segundo problema, qual dos dois vai fazer a cirurgia? Tecnicamente a vasectomia é mais rápida, mais barata e menos complicada do que a amarração das trompas. Mas alguns homens são extremamente contrários a cirurgias na região genital, o mesmo ocorrendo com algumas mulheres. Uma conversa com o médico poderá ajudar na decisão.

O cirurgião precisa de um consentimento por escrito, assinado pelo paciente que vai submeter-se à esterilização, aliás, este é o procedimento normal em qualquer intervenção cirúrgica.

O momento e o local ? A esterilização feminina leva de quinze a vinte minutos quando é realizada em clínica especializada. Algumas variantes dessa operação exigem anestesia local. O tempo de internamento hospitalar varia, mas em geral é de um ou dois dias, caso o médico opte por anestesia local.

Esterilização em massa

A esterilização em geral, e a vasectomia em particular, são os métodos populares de controle de nascimento nos países mais pobres devido à sua rapidez e simplicidade. Em escala mundial, essas cirurgias simples contribuem para controlar a superpopulação. O problema é que, nos países subdesenvolvidos, muitas vezes as cirurgias de esterilização, principalmente a feminina, são feitas sem os critérios adequados.

Na Índia, há casos famosos de homens que se deixam operar em troca de um radinho de pilhas. Um médico da Tailândia comunicou ter feito trezentas vasectomia por dia.

Logicamente, desta forma foi possível interromper o aumento vertiginoso dos nascimentos em muitos países do terceiro mundo. Na Tailândia o número médio de filhos por família caiu de 3,3 para 2,8 em dez anos, por causa da popularização das cirurgias de esterilização.

Resumo

=> A esterilização é 99% eficiente. A média de falha, devido a erros médicos é de 1 em 1000.

Na esterilização feminina, essa margem varia de 1 em 250, até 1 em 500.

=> A esterilização masculina e a feminina não têm outro objetivo além de bloquear a passagem dos óvulos e dos espermatozóides. Depois da esterilização, eles naturalmente morrem, se desfazem e são absorvidos pelo organismo. Os vários hormônios sexuais e nervos que participam da atividade sexual, do desejo, da libido, do orgasmo, da menstruação e de todos os processos orgânicos, tanto no homem quanto na mulher, não são afetados pela esterilização.

Emocionalmente a esterilização pode ter efeito libertador, já que muitas mulheres e seus parceiros podem desfrutar do prazer sem qualquer inibição produzida pelo temor de uma gravidez indesejada. Em geral, isto proporciona uma vida sexual mais intensa e prazerosa. No entanto, a esterilização jamais deve ser realizada sem que o casal pense muito bem se não quer mesmo ter filhos.


Camisinha de mulher

Inventada por um médico dinamarquês no início dos anos 80, o preservativo para mulheres, ou femidom, é uma proteção de plástico, de fácil manejo, lubrificada e sem odor. Semelhante a um saquinho de plástico, mede cerca de dezessete centímetros e tem um anel com cerca de oito centímetros de diâmetro na extremidade aberta. O anel menor na extremidade fechada é inserido na vagina e o maior fica para fora.

Durante a penetração, o anel maior é empurrado contra os grandes lábios. Como a camisinha masculina, a feminina é um preservativo que apresenta em média de 85% a 98% de segurança.

Ela também oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. A maior parte da área genital fica coberta, há menos contato entre as mucosas do que o uso da camisinha masculina, sendo menor o risco de troca de líquidos corporais infectados. Além disso, não é preciso preocupar-se com vazamento se o homem perder a ereção durante a penetração.

Algumas mulheres dizem que a camisinha feminina aumenta a intensidade do orgasmo porque estimula o clitóris durante a relação. Além disso, o femidom é menos inibidor do que o condom porque pode ser colocado antes do casal começar a fazer amor.

Muitos homens dizem que "transar com camisinha é o mesmo que chupar bala sem tirar o papel". Essa idéia é falsa, na verdade a barreira não é física , mas sim psicológica e cultural. Com certeza se o preservativo for bem escolhido, com espermicida adequado e os parceiros estiverem descontraídos, o prazer sexual estará assegurado, sem perda de nenhuma sensação nem por parte do homem nem da mulher.

A praticidade e outros benefícios significativos superam as possíveis desvantagens da camisinha.

Com a evolução crescente do número de casos de Aids em todo mundo, a tendência é de que os condons se tornem cada vez mais conhecidos e bem aceitos pela população, independente de sexo ou classe social. Pesquisas recentes apontam que cerca de 40% das mulheres compram condons e que os adolescentes encaram com naturalidade seu uso e até acham que esta é uma simpática e prática forma de proteção.(voltar)


 

 

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