A RECEITA CERTA PARA A SAÚDE DA CRIANÇADA
Fonte: Jornal O DIA
Fazer com que os filhos comam determinados alimentos pode ser uma verdadeira batalha, mas os pais não devem desistir
Batata frita, hambúrguer, refrigerante, brigadeiro, balas. Está aí tudo que as crianças adoram. Mas será que isso faz bem? Na infância, os pais devem prestar atenção ao que os filhos comem, para que no futuro eles não sofram de doenças ligadas à má alimentação. Crianças mal nutridas adoecem facilmente, são fracas, não têm energia e às vezes são obesas, disfarçando a desnutrição. Além disso, aquelas que não se alimentam adequadamente nos primeiros cinco anos de vida podem ter seqüelas irreversíveis tanto no desenvolvimento físico quanto mental.
Para ser saudável, o ideal é que os pequenos comam de tudo, ou seja, a maior variedade possível de alimentos, mas com moderação. De acordo com a nutricionista Margareth de Mello Viali, que trabalha há dez anos com crianças, a refeição delas deve ser composta pelos chamados energéticos, frutas e hortaliças, laticínios e carnes, e açúcares e gorduras, estes, ingeridos em menor quantidade. Os energéticos devem ser os mais consumidos, pois quando o organismo não possui alimentos incluídos nesta categoria, ele lança mão de outros nutrientes que não são apropriados para fazer o nosso corpo funcionar. "Quanto mais colorido o prato, melhor", afirma a nutricionista se referindo às diversas opções que devem compor a alimentação.
Mas como fazer os pequeninos e até os mais crescidos comerem aquelas "coisas verdes", como eles costumam chamar, ou beberem aquele "suco azedo"? Segundo Margareth, deve haver uma educação alimentar para ensinar às crianças a importância de cada alimento que ela ingere. A nutricionista afirma que os pais devem dar o exemplo em casa: "eles devem se sentar à mesa e comer junto com os filhos". Ela acrescenta que se a criança aprende desde pequena a associar os alimentos e a comer de forma saudável, ela escolherá sempre um bom prato.
A nutricionista lamenta que a maioria das crianças não se alimente bem. "Hoje em dia, cada vez mais elas ficam em frente à televisão ou ao computador. Comem fazendo outras atividades e não prestam atenção ao que ingerem e nem na quantidade. Não gastam energia e, por isso, estão surgindo cada vez mais crianças obesas e com problemas que antes eram de adultos como colesterol, pressão alta e outras, decorrentes da má alimentação", alerta. Segundo ela, isso é estimulado até mesmo pelo meio em que vivem. "Dificilmente, uma criança encontra na cantina da escola uma refeição nutritiva. As lanchonetes estão cheias de sanduíches e refrigerantes".
Condições financeiras também prejudicam a alimentação correta das crianças: Além de toda dificuldade para fazer as crianças comerem corretamente, a situação econômica de muitas famílias impede que elas possam dar uma alimentação correta aos seus filhos. Mas já existem profissionais dispostos a ajudar às famílias a darem uma alimentação correta e eficaz para seus filhos. A nutricionista Suzete Marcolan, que trabalha no Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, conta que no local é feito um trabalho que visa levar mães a conhecerem as necessidades de seus filhos, seja em relação à comida ou ao afeto.
Um grupo formado por nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, médicos e dentistas realiza atividades que procuram buscar alternativas para as dificuldades decorrentes das condições sócio-econômicas dessas famílias. Segundo Suzete, através do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional é feito um monitoramento do estado alimentar de crianças menores de 5 anos. No programa, as crianças que chegam à pediatria sob risco nutricional, abaixo ou acima do peso ideal, são encaminhadas à Nutrição. Suzete afirma que o emocional das mães mais humildes deve ser levado em conta na hora de se fazer um trabalho de acompanhamento. Segundo ela, informações sobre onde e como vivem as famílias, se trabalham, como são as condições sócio-econômicas e história alimentar, são imprescindíveis para solucionar a carência alimentar das crianças.
Dicas
EVITAR: frituras, açúcar em excesso, sal em excesso, refrigerante, chocolate
PRIORIZAR: frutas, legumes, verduras, leite / laticínios, carnes
DOENÇAS MAIS COMUNS: cegueira, deficiência mental, bócio endêmico, infecções, diarréias, problemas de pele e doenças respiratórias