Ciúme
As informações contidas nesta página, foram retiradas do livro:
O guia dos amantes ( Editora nova cultura - uma divisão do Círculo do Livro Ltda. )
Quando o ciúme está fora de controle, seus efeitos sombrios podem destruir um relacionamento feliz. Como dominar emoções tão intensas? O melhor a fazer é esconder o ciúme? Ou há uma dose certa e até positiva de lidar com ele?
As emoções humanas não surgem por acaso. O amor promove a união dos casais e, em muitos casos, a geração de filhos. O medo ensina a resistir aos ataques. Mas e o ciúme? À primeira vista, este sentimento parece totalmente negativo. Além de causar a infidelidade tanto do ciumento quando de seu parceiro, costuma destruir os relacionamentos e, em casos extremos, tem desfechos violentos ou mesmo trágicos.
Enquanto a inveja envolve apenas duas pessoas, o ciúme implica um triângulo, isto é, o que atrapalha um dos amantes é a existência de alguém (ou algo) que ameaça afastar a pessoa amada. Aí está um sentimento nitidamente associado ao aspecto sexual do relacionamento. Este fato aparentemente simples explica por que, para homens e mulheres, o ciúme pode apresentar seu lado positivo: fortalecendo os vínculos sexuais entre o casal e evitando que os indivíduos, por qualquer aceno sexual, sigam caminhos separados. No que diz respeito à criação da prole, não deixa de ser um benefício para toda espécie.
O ciúme também pode ser determinante e ajudar na separação daqueles parceiros que já não mantinham um vínculo adequado. Se um casamento ou um caso amoroso estiver em vias de rompimento, o ciúme acaba funcionando como a gota d'água necessária para a ruptura. Às vezes, também prepara o terreno para o divórcio. A dor causada pelo ciúme acaba incentivando os ex-parceiros a procurar uma nova vida para si mesmos.
Diferenças sexuais => Os pesquisadores descobriram que o ciúme manifesta-se de modo diferentes nos homens e mulheres. Para os homens, o ciúme fundamenta-se quase sempre no âmbito sexual; enquanto as mulheres se preocupam mais com o tempo e a atenção que estão perdendo de seus pares.
Estas diferenças talvez se origine de desigualdades biológicas entre machos e fêmeas. Em tese, a mulher tem possibilidade de ser muito mais infiel ao homem do que ao contrário, isto é, ela pode fazer amor com inúmeros parceiros num único dia, enquanto ele tem sua habilidade de enganar limitada pela freqüência com que é capaz de ter e manter a ereção. Portanto, ele não manteria relações com a mesma freqüência se tem outra parceira.
Auto estima => Um detalhado estudo elaborado por psicólogos revela que os homens tendem a ser mostrar mais ciumentos quando apresentam problemas com a sua auto-imagem. Já o ciúme da mulher associa-se mais ao seu grau de dependência do relacionamento. Do mesmo modo, os homens receiam mais a perda de auto-estima acarretado pela descoberta da infidelidade da parceira, enquanto as mulheres concentram seus temores na perda completa do parceiro sexual.
As mulheres também afirmam que a intensidade de seu ciúme depende da atratividade da rival. O homem, porém, chega a se envaidecer e toma como um estímulo ao deu ego o fato de um adversário atraente se interessar pela parceira dele. Entretanto, isto não vai afastar uma pergunta clássica: "Será que ele é melhor amante do que eu?".
Ciúme doentio => Os psicólogos também distinguiram modalidades de ciúmes que podem ser considerados anormais e doentias.
A primeira é o ciúme mórbido, em que ao sofredor está sempre atormentado com a infidelidade do parceiro, quase sempre sem motivo real. Trata-se de um estado emocional de depressão e autopiedade que, em geral, esconde profundas desordens de personalidade. Essas formas extremas de ciúme podem até levar o sofredor a apresentar sintomas de doenças mentais.
Num grupo de 36 mulheres casadas que sofriam de agorafobia (medo mórbido de sair de casa ou de transitar em lugares públicos), descobriu-se que sete eram casadas com homens doentiamente ciumentos. O ciúme dos maridos acabou por retardar-lhes o tratamento. Qualquer sinal de alguma melhora apresentado por elas, levava-os a uma agitação crescente. Um dos maridos chegou a tentar o suicídio para forçar sua esposa a desistir da terapia. Para elas, parecia ser mais fácil permanecer agorafóbicas, e se trancar em casa, do que enfrentar o ciúme obsessivo dos maridos. E, para eles, era preferível acreditar que as esposas estavam "doentes" do que admitir que receavam uma suposta infidelidade por parte delas.
O apetite do ciúme => A principal dificuldade em lidar com um parceiro ciumento é que o ciúme, diferente de qualquer outra emoção que afete os relacionamentos, tem um apetite voraz. O ciúme alimenta-se de qualquer coisa. Se um homem olha de relance para uma moça bonita na rua, é o bastante para sua namorada ciumenta. O mais curioso é que se ele se esforça para não olhar de relance a garota bonita na rua, o resultado será o mesmo. A namorada vai acabar dizendo: "Eu percebi como ela te olhou, como se já te conhecesse. Engraçado como você a evitou, desviando os olhos para o chão. Tem certeza de que não a conhece? Está me escondendo alguma coisa?".
Sob suspeita => Quando nenhum incidente real acontece para alimentar o ciúme, então, para saciar seu apetite, o ciumento recorre à imaginação, em busca de emoções baseadas na dúvida e na desconfiança.
Os ciumentos têm a propensão de "encontrar" cartas, fotos, recibos "reveladores". Na verdade, estão a procura de evidências. Do mesmo jeito que são extremamente receptivos a gestos, expressões ou tons de voz "suspeitos".
Se, por exemplo, um marido observa com olhos de lince a esposa numa festa e, depois, faz comentários amargurados sobre o interesse que a mulher manifestou por um dos convidados, ela logo saberá que é inútil negar. Por mais que explique, durante horas, que jamais sentiu o menor desejo de fazer amor com aquele homem, que sequer o achou atraente, nada vai demovê-lo do seu ciúme.
Medo de perder => O ciúme irracional não é um sentimento esporádico. O medo de perder um amor é sempre terrível e nem sempre está ligado a um acontecimento real (embora possa ter como origem uma perda do passado). Inevitavelmente, o ciumento teme que seu amor tenha um substituto, e isto o envolve em uma rede intricada de dúvidas e incertezas quanto a ser amado e desejado, sentimentos que levam à ansiedade.
As formas brandas de ciúmes são comuns e, em princípio, não ameaçam os relacionamentos. Mas podem causar desconforto e infidelidade, o que já é motivo para tomar providências. Franqueza e diálogo entre os parceiros freqüentemente ajudam a colocar o ciúme em seu lugar.
Às vezes, as tentativas do casal de um diálogo positivo sobre o assunto, tentando analisar os sentimentos que estão escondidos por trás do ciúme, acabam em frustração. Principalmente quando ambos ignoram a existência destes sentimentos. Se o amor e a compreensão não forem suficientes para desvendá-los, é recomendável ajuda profissional, talvez sob a forma de terapia.
Os sintomas do ciúme => O ciúme é uma emoção forte que pode gerar tensão e medo. É o resultado do grau de frustração e insatisfação alcançada por determinada situação. Em casos extremos de ciúme, as pessoas experimentam sentimentos "inusitados", que se revelam por meio de sintomas. São eles:
=> Aceleração dos batimentos cardíacos.
=> Contração dos músculos do estômago.
=> Umedecimento da palma das mãos.
=> Náuseas.
Se estas sensações persistirem, o problema deve ser discutido com alguém de confiança, um amigo ou um psicólogo.
Crimes de paixão => Como o ciúme é natural, (todos nós já o experimentamos), raramente é tachado como anormal. No entanto, ainda é motivo de inúmeros assassinatos.
Um estudo das estatística criminais realizadas no estado de Detroid, EUA, revelou o ciúme como o motivo isolado mais freqüente, responsável por cerca de 20% do total de homicídios registrados. Destes homicídios motivados pelo ciúme, 69% apresentam acusações específicas de infidelidade do parceiro. Enquanto for motivo de crimes passionais, será difícil aceitar o ciúme como sentimento "normal".
No Brasil, o código penal não traz legislação específica para "crimes passionais", mas há casos de homicídios que tiveram a pena sensivelmente reduzida sob a alegação de estarem sob domínio de violenta emoção, em justa provocação da vítima", incluindo aí o ciúme. Este argumento fundamenta-se na crença de que a paixão sexual e o ciúme pode levar qualquer um a matar.
Hoje, felizmente, os juizes brasileiros não tem considerado mais como atenuante de crimes a alegação de ciúme, ou de outro impulso movido pela paixão.
Nos países cujas as leis derivam da cultura anglo-saxônica, a alegação de "crime de paixão" não serve como defesa. Ruth Ellis, a última mulher a ser enforcada na Inglaterra, matou o amante num acesso de ciúme. E pagou o mais alto preço!
O lado sombrio do amor => A maioria de nós já experimentou uma curiosa forma de amor às avessas chamada ciúme, mas será que existe "uma personalidade ciumenta"? Os psicólogos norte-americanos concluíram que uma série de fatores aparentemente sem ligação pode indicar a propensão ao ciúme. Eles sugerem que há maior probabilidade de ser ciumento(a) se você:
=> For inseguro(a).
=> Estiver morando com um parceiro sem ser casado(a).
=> Tiver irmãos (homens) mais velhos. Quanto maior o número de irmãos mais velhos, maior a tendência a ser ciumento(a).
=> Ter uma opinião desfavorável sobre si mesmo. (Um fator exclusivo dos homens ciumentos. Mulheres com alto-estima em baixa não apresentam a mesma tendência ao ciúme).
É pouco provável que você seja ciumento(a) se:
=> For monogâmico(a).
=> Estiver com boa alto-estima.
=> Estiver satisfeito(a) com o parceiro.