ENERGIA PARA O CÉREBRO
Fonte: Jornal O DIA
Boa alimentação evita perda de memória, dificuldade de aprendizado e até depressão: Médico acredita que mal de Alzheimer pode ser revertido com alimentação
Pessoas que seguem dieta diversificada, rica em fibras, legumes, verduras, frutas, peixes e ovos são mais inteligentes, pois esses alimentos são fundamentais para o bom funcionamento de toda a atividade cerebral. "A maioria dos pacientes com perda de memória, dificuldade de aprendizado e doenças neurológicas, como depressão, mal de Alzheimer e esclerose múltipla, apresenta algum tipo de deficiência nutricional", garante o Dr. Helion Póvoa, nutrólogo e especialista em medicina ortomolecular.
Em pesquisa com 40 crianças em idade escolar, o nutrólogo verificou melhora significante nos testes psico-pedagógicos após três meses de suplementação com vitamina B1. "Os laboratórios deveriam produzir uma jujuba com essa vitamina para as crianças que desejam tirar maiores notas na escola", sugere.
Minerais tóxicos prejudicam a atividade cerebral: Outro problema verificado freqüentemente em pacientes com problemas neurológicos é a intoxicação por minerais, como o chumbo e o mercúrio. "Infelizmente, muitos pacientes sofrem desse tipo de intoxicação. Essas substâncias dificultam a transmissão do estímulo nervoso ", explica o Dr. Póvoa. Nada, porém, que a alimentação também não possa reverter. "A castanha-do-pará, por exemplo, é muito rica em selênio, substância capaz de eliminar o mercúrio", diz.
Por isso, vale sempre a pena fazer exames para verificar como estão as taxas de minerais, vitaminas e aminoácidos do organismo. "Com as recentes pesquisas em busca de diagnóstico precoce para doenças degenerativas do cérebro, teremos mais chances de reverter o mal de Alzheimer, por exemplo, somente com a alimentação", afirma.
Adoçante e tempero aceleram desgaste de células nervosas: Para quem está estudando para o vestibular ou para concurso público, o Dr. Helion Póvoa indica muito peixe e semente de linhaça, ricos em ômega3, abacate, ovo caipira e iogurte, para a flora intestinal. "Eles são chamados de alimentos inteligentes. Oferecem as substâncias essenciais para o bom funcionamento do cérebro e do intestino, que eu chamo de segundo cérebro. Quando ele não funciona bem, a nossa mente também sofre", conta o Dr. Póvoa.
A nutricionista Luciana Ayer alerta também para o perigo do aspartame, encontrado em adoçantes, e do glutamato monossódico, um tipo de conservante e tempero de alimentos. Ela explica que essas substâncias contêm aminoácidos que excitam muito as células nervosas, acelerando seu processo de degeneração. "O problema é tão sério que, nos EUA, eu já vi restaurantes anunciarem, na porta, que a comida não possui o tempero", conta a nutricionista.
Cuidados para toda a vida: O psiquiatra Juarez Calegaro ressalta a importância do cuidado com a alimentação durante todas as fases da vida. Segundo ele, é possível evitar distúrbios nervosos, como depressão, ansiedade e síndrome de pânico, se a pessoa for bem alimentada desde a infância.
"No primeiro ano de vida, o cérebro triplica o seu peso, pois ainda está sendo formado. Quem não é amamentado nessa fase corre mais riscos de não ter a formação completa do órgão", diz o psiquiatra.
Os exames de dosagem de minerais e vitaminas devem ser feitos antes mesmo de a mulher engravidar. "Seis meses antes, a mulher já pode fazer o mineralograma. A mãe que não ingere ômega-3, antes e durante a gravidez, tem três vezes mais chances de sofrer de depressão pós-parto. Além disso, aumenta em 50% o risco de a criança apresentar defeitos neuropsíquicos, como nascer com lábio leporino", conta o Dr. Galegaro.
É bom lembrar também que a atividade cerebral pode influir nos relacionamentos interpessoais. "A carência de certos nutrientes influi na produção de substâncias pelo cérebro, entre as quais, a serotonina, o hormônio do prazer. Sem ele, a pessoa fica mais nervosa, o que pode prejudicar no casamento e no trabalho", explica.