CATARATA

Fonte: Enciclopédia saúde do olho


O que é uma catarata?
Uma catarata é uma opacificação ou perda de transparência do cristalino do olho. Esta opacificação do cristalino, que normalmente é transparente, reduz essa mesma transparência de tal forma a interferir na visão do doente. A catarata senil ocorre normalmente a partir dos 60 anos.
Quanto aos tipos de cataratas, distinguem-se duas formas diferentes: a catarata adquirida e a catarata congénita.

O que causa uma catarata?
O desenvolvimento da catarata senil está relacionado com o metabolismo e o envelhecimento do cristalino. As células do cristalino regulam, em processos auto-reguladores, o metabolismo e o crescimento. É essencial alimentar o cristalino com nutrientes, minerais e água e garantir um equilíbrio entre estas substâncias. Normalmente, o teor de água no cristalino é estável e adaptado ao do humor aquoso. No entanto, a concentração da água no cristalino vai diminuindo com o avanço da idade, pelo que o cristalino torna-se mais duro, menos elástico (perda de acomodação) e menos transparente. A percentagem de cataratas visíveis é de 95% em pessoas com mais de 65 anos.
Para além das cataratas senis, existem ainda outras formas de cataratas, mas 90% dos casos são cataratas senis.
Uma catarata adquirida também pode ser causada por uma lesão direta do olho ou da cabeça (traumatismo) (catarata traumática). A catarata também pode dever-se a medicamentos - a catarata de cortisona é causada por um uso prologado de corticosteróides. As designadas doenças degenerativas dos olhos (catarata complicada) ou as doenças sistémicas como, por exemplo, a diabetes mellitus, a insuficiência renal, doenças da pele e outros diagnósticos podem estar igualmente associados ao aparecimento de cataratas.
As cataratas congénitas, por sua vez, podem ser hereditárias ou estar associadas a lesões embrionárias causadas, por exemplo, pela rubéola, papeira, hepatite ou toxoplasmose durante a gravidez. No entanto, as cataratas congénitas são muito raras, perfazendo 1% entre todas as formas de cataratas.

Quais os sintomas?
O sintoma principal da catarata é a opacidade do cristalino associada a enevoamento da visão. As opacidades desenvolvem-se de forma lenta e insidiosa. Pode ocorrer uma diminuição da acuidade visual num ou em ambos os olhos. O espaço de tempo em que a catarata se desenvolve pode ser de um mês e até vários anos. A opacidade do cristalino provoca muitas vezes uma sensibilidade elevada aos encandeamentos o que pode afectar a condução nocturna. A percepção das cores também pode estar afectada e diminuída. Os sintomas dependem do local e da densidade da opacificação do cristalino.
No caso da catarata avançada (catarata madura), o doente já não consegue reconhecer objectos e, quando afecta ambos os olhos, ele fica praticamente cego.

Como é diagnosticada uma catarata?
Uma catarata é diagnosticada através da medição da acuidade visual e depois classificada exactamente por um exame com uma lâmpada de fenda.
A classificação das cataratas é feita segundo a altura do seu aparecimento, o grau de maturação e a morfologia (forma e estrutura).
Na classificação segundo o grau de maturação, o oftalmologista orienta-se na fraqueza da acuidade visual. No caso da catarata incipiente, a acuidade visual está ainda completamente intacta, isto é, a opacidade do cristalino está no estágio inicial. No caso da catarata imatura, a acuidade visual já está afectada e reduzida. Na catarata provecta, a acuidade visual já está fortemente fraca e, na catarata madura e manifesta, só é possível ver o escuro e claro ou movimentos em frente dos olhos.
A tipificação segundo critérios morfológicos fornece informações sobre a dureza e a espessura do núcleo o que pode ser decisivo para o modo de procedimento cirúrgico.
Trata-se de uma catarata nuclear quando ocorre um endurecimento do cristalino inteiro, mas em particular do núcleo. A designada catarata cortical ou periférica caracteriza-se por um teor elevado de água no cristalino. A catarata cortical progride mais rapidamente do que a catarata nuclear. A catarata subcapsular posterior, em que as opacidades começam como grânulos minúsculos, é uma forma especial da catarata cortical. Esta forma provoca uma redução rápida e grave da acuidade visual.

Como é tratada uma catarata?
Não existe maneira de tratar as cataratas por via medicamentosa. Daí que os principais métodos de tratamento da catarata consistem em várias técnicas cirúrgicas (link ao artigo Cirurgia às cataratas).
A altura e a técnica certas para a operação são determinadas colaboração entre o doente e o oftalmologista. Quando a visão não está tão gravemente afectada de forma a que o doente pode seguir as actividades quotidianos sem perigo, uma cirurgia não urge. Isto não é caso dos doentes que conduzem, pois nestes casos deve proceder-se atempadamente a uma cirurgia.
Os resultados de uma cirurgia às cataratas é muito positiva: 90% dos doentes voltam a ver melhor após a operação. O contrário sucede nos casos em que há outras doenças dos olhos, por exemplo, um glaucoma (link ao artigo Glaucoma) ou doenças retinianas devidas a diabetes. O oftalmologista informa o doente sobre os resultados que o doente pode esperar de uma cirurgia.
A operação mais comum às cataratas é a facoemulsificação. (Link ao artigo Cirurgia às cataratas)
O metabolismo responsável pela transparência do cristalino ainda não está completamente esclarecido. Os processos complexos impediram até à data encontrar um método de influenciar o desenvolvimento de uma catarata por via medicamentosa.

 

Cirurgias às cataratas

Introdução:
A catarata, ou cristalino opacificado, é sobretudo uma doença relacionada com a idade. Atualmente, não existe maneira de curar as cataratas por meio de medicamentos, dietas ou aparelhos ópticos. Uma operação é a única possibilidade de remover uma catarata.
De fato, a cirurgia às cataratas é hoje a operação mais comum. O princípio desta operação consiste em extrair o cristalino opacificado e a recuperar a acuidade visual anterior. Em regra, pode ser realizada sob anestesia local e não dura mais que 20 minutos. Daí que o doente, na maior parte das vezes, não precisa de ficar internado. O tratamento pós-operatório é igualmente pouco complicado, consistindo apenas na administração de gotas oftálmicas e numa consulta de controle no oftalmologista. Quando ambos os olhos estão afectados, devem prever-se duas intervenções e aguardar até que o primeiro olho operado estiver livre de irritações.
Há duas maneiras diferentes para extrair o cristalino opacificado: uma técnica extra-capsular e uma intra-capsular.

Extracção intra-capsular
O termo? intra-capsular? significa que o cristalino é removido inteiro, com a sua cápsula. Neste caso, o cirurgião remove o cristalino por meio de uma sonda que, por congelamento, adere ao cristalino e permite, assim, a sua extracção. O cristalino está suspenso do corpo ciliar por delicadas fibras que se estendem entre a cápsula e a conjuntiva. É aqui que reside uma das desvantagens desta técnica de cirurgia. Pois ao remover-se a cápsula, é destruída ao mesmo tempo a suspensão natural do cristalino, pelo que um implante deixa de poder ser fixado na câmara posterior (posição original do cristalino), mas apenas na câmara anterior do olho. Embora isto seja geralmente possível, pode causar por vezes irritações. Até finais dos anos 70, quando ainda não existiam cristalinos artificiais e os pacientes eram obrigados a usar óculos fortes para corrigir a perda da acuidade do cristalino, esta técnica ainda era o standard.
Ainda hoje, esta técnica continua a ser aplicada, por exemplo, quando não é possível deixar intacta a cápsula por razões técnicas. Nos países em desenvolvimento, esta técnica continua a ser muito aplicada por razões financeiras.

Extracção extra-capsular
O termo ?extra-capsular? significa que é extraído o interior opacificado da cápsula mantendo-se intacta a própria cápsula traseira. Nesta técnica, o cristalino inteiro pode ser removido por meio de lavagem. Em vez do cristalino removido, coloca-se então um implante na bolsa da cápsula. A este tipo de lente dá-se o nome de lente de câmara posterior. O cristalino artificial é feito a partir de um material que não liberta produtos tóxicos e evita que o cristalino não se possa desprenda do humor aquoso e que mantém a estrutura cristalina durante a vida inteira.

Extracção extra-capsular
A facoemulsificação é uma forma modificada da operação extra-capsular. Nos últimos anos, esta técnica tem-se tornado cada vez mais popular, de forma a que é hoje o método mais preferido.
A facoemulsificação precisa apenas de uma pequena incisão. A ponta do instrumento é introduzida através de um buraco pequeno. A catarata é fracionada em pequenas partículas por meio de ultra-sons, as quais são depois aspiradas por um instrumento pequeno. Depois de extraída a catarata, permanece uma cápsula finíssima no olho.
As vantagens da facoemulsificação consistem na incisão pequena que sara por si própria, o que faz reduzir altamente o risco de complicações. Para além disso, os doentes podem voltar muito mais rapidamente às ativadas normais do que no caso de uma operação convencional.

Substituição do cristalino
Uma vez que o cristalino também serve de corpo de refração, uma lente artificial tem de substituir o poder refractivo do cristalino. Há três possibilidades:

  1. A lente intra-ocular (IOL).
    Esta é o tipo de lente mais freqüentemente usado para substituir o cristalino. A IOL é uma lente transparente e flexível, que se coloca no olho durante uma cirurgia às cataratas. As IOL acrílicas dobráveis podem reduzir drasticamente o risco de uma catarata secundária, que ocorre por vezes um ano após, e evitar, desta maneira, a necessidade de uma segunda intervenção, a chamada capsulotomia por laser YAG.
  2. Lentes de contacto
  3. Óculos de catarata


Complicações:
Devido aos avanços técnicos, a cirurgia às cataratas ocorre sem complicações em 98% dos casos. Uma vez que o cristalino natural é removido, não podem aparecer novas cataratas após a cirurgia. Todavia, a cápsula do cristalino, que não foi extraída, pode tornar-se opacapassados meses ou anos após a cirurgia, e interferir na visão. A esta complicação pouco comum dá-se o nome de catarata secundária. Uma possibilidade de tratamento deste tipo de complicação consiste na capsulotomia por laser YAG, uma cirurgia durante a qual é feita uma pequena incisão na cápsula para permitir a entrada de luz. O uso de lentes acrílicas pode ajudar a reduzir drasticamente o risco de uma catarata secundária.

Uma complicação muito receada, mas extremamente rara (abaixo de 0,2%) é a endoftalmite. Esta é uma inflamação dos tecidos do globo ocular que ocorre quando os microorganismos passam da bolsa conjuntiva para o interior do olho afetando gravemente a visão ou levando, por vezes, até à perda do olho.
Mais comuns são as lesões da cápsula posterior durante a intervenção; estas, no entanto, não impedem o implante de um cristalino de câmara posterior.

Quem pode recorrer a uma cirurgia às cataratas?
Mais de 100 % das pessoas com mais de 75 anos sofrem de cataratas. No entanto, metade deste grupo populacional não sente a visão afetada.
Uma operação só deve ser realizada quando a pessoa sente que a catarata interfere gravemente na sua vida quotidiana. Sendo os sintoma apenas ligeiros, pode ser suficiente receitar óculos novos para melhorar a visão. Quando os óculos não dão resultados adequados, deve tomar-se em consideração uma operação.


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