ANSIEDADE
Fonte: Vida e saúde
Todo mundo fica ansioso. Lidar com a ansiedade é a questão: Roer unhas ou puxar os próprios cabelos (tricotilomania) podem ser apenas falta de vaidade ou simples manias. Mas pode ser que em vez de atos banais, podem ser indícios de que a pessoa sofre de ansiedade patológica, que é quando o indivíduo não encontra formas saudáveis de lidar com a ansiedade.
Segundo definição da psicóloga Luciana Nunes, "ansiedade é um estado caracterizado pelo medo, apreensão, mal-estar, desconforto, insegurança, estranheza do ambiente ou de si mesmo e, muito freqüentemente, a sensação de que algo desagradável pode acontecer".
Antes que você ache que, por sentir-se ansioso, ache que está precisando visitar um psicólogo, é importante dizer que a ansiedade é um estado normal. Todo mundo fica ansioso. Agora a forma como você lida com o estado de ansiedade é que pode ou não resultar num distúrbio.
"A situação de quem sofre de ansiedade é muito desagradável, motivo pela qual a ansiedade patológica pode mobilizar o comprometimento social da pessoa", explica Luciana Nunes. Por isso, quando a pessoa não consegue lidar de forma saudável com os estados de ansiedade, é fundamental a procura de um psicólogo.
Um quadro de ansiedade pode se construir devido um fato na vida pessoal, como separação de um casal ou morte de uma pessoa querida. Se a pessoa não consegue elaborar essas situações graves de forma satisfatória e está tendo problemas por conta disso, a indicação é procurar um profissional que lhe ajude a lidar com esses fatos.
Unhas roídas podem indicar ansiedade: Unhas roídas podem não ser apenas sinal de falta de vaidade. Levar as mãos à boca até que os cantinhos dos dedos sangrem pode ser um indício de que a pessoa não sabe controlar sua ansiedade corretamente. "Roer unhas não é um ato caracterizado como transtorno psicológico. É um sinal de que existe ansiedade e que a pessoa suprime essa ansiedade roendo as unhas", diz a psicóloga Luciana Nunes.
Existem outras formas pouco usuais de controle da ansiedade: chutar o vento ou falar ao telefone despedaçando um copinho de plástico são outros exemplos. O segundo é um ato polifásico ao qual a pessoa adere para diminuir o estado de ansiedade.
Roer unhas para diminuir a ansiedade é uma coisa mais rotineira. Não se pode dizer que todo mundo que rói unhas tem algum transtorno. Segundo a psicóloga Luciana Nunes, "roer unhas é um ato compulsivo, embora também possa ser um ato de controle do impulso, que a pessoa sabe que está agindo errado, mas não consegue parar".
Ato compulsivo é todo movimento que a pessoa sente necessidade de fazer para aliviar um estado de tensão. Pode ser lavar a mão constantemente, colocar tudo em sacos plásticos herméticos, trancar todas as portas. Esses exemplos estão ligados, normalmente, a idéias obsessivas; como o medo. Roer unhas é considerado um ato compulsivo porque é um movimento repetitivo e irracional que a pessoa faz para minimizar estados de ansiedade. A pessoa repete o movimento e não consegue parar quando quer.
Receitas pouco ortodoxas como colocar pimenta nos dedos ou usar esmaltes de sabor desagradável não são medidas eficazes para parar de roer unhas. Em vez disso, a pessoa tem buscar outras formas de diminuir a ansiedade. A prática de exercícios é a mais comum e que costuma dar mais certo.
Tricotilomania, ato de arrancar os próprios cabelos: Durante uma aula ou mesmo numa conversa ao telefone, você se surpreende puxando os próprios cabelos. Pode ser uma simples mania, mas também pode ser que você sofra de tricotilomania, um tipo de Transtorno de Controle dos Impulsos, que é o fracasso em resistir a um impulso de executar um ato perigoso para a própria pessoa ou terceiros. Ou seja, a pessoa tem consciência de que aquela atitude é errada, mas não consegue parar.
"A pessoa que sofre de tricotilomania tem um nível alto de ansiedade e acaba puxando os próprios cabelos, ou mesmo cílios e sobrancelhas", explica a psicóloga Luciana Nunes. O ato de arrancar os cabelos gera prazer, gratificação e alívio e resulta num ciclo auto-alimentado por diminuir o nível de ansiedade. O paciente que sofre desse problema "repete o ato de puxar os cabelos, em vez buscar a causa da ansiedade. É um ato doloroso, mas com o qual ele tem sensação de prazer", diz Luciana Nunes.
A psicóloga diz que "a tricotilomania só é caracterizada como patologia se esse movimento começar a atrapalhar o cotidiano da pessoa. Mas é importante ressaltar que o ato de puxar os cabelos já caracteriza um aumento de tensão. Como a pessoa usa esse método para diminuição do estresse ou da ansiedade; já está caracterizado, portanto, que está passando por um momento difícil".
Para quem sofre de tricotilomania, o recomendado é procurar a ajuda de um profissional de psicologia. Mas Luciana Nunes também defende o uso de terapias alternativas como (linkar) a yoga ou a prática de qualquer exercício físico. Não pode é cair no sedentarismo. A pessoa que caminha pelo menos meia hora, três vezes por semana, já não é considerada sedentária.
Outros transtornos de controle dos impulsos: Além da tricotilomania, existem mais alguns tipos de Transtornos de Controle dos Impulsos, que á um distúrbio no qual a pessoa sabe que está agindo de forma errada, mas não consegue controlar o impulso. Após cometer o erro, a pessoa pode ou não sentir arrependimento, auto-recriminação ou culpa.
Cleptomania: É a compulsão pelo roubo. O indivíduo que sofre desse distúrbio normalmente sente excitação ao roubar um objeto, mesmo que ele seja de valor irrisório. O cleptomaníaco sabe que é errado roubar, mas não consegue se controlar e comete o furto. Ele sabe que, pegando aquele objeto, vai passar a sensação de ansiedade.
Piromania: Desejo de ver fogo. Esse transtorno é mais freqüente em crianças, que sentem prazer ou alívio da tensão ao verem o fogo.
Jogo patológico: A pessoa é viciada em apostas e jogos de azar, como bingo, loteria e cassinos. A pessoa pode chegar a gastar mais do que as próprias posses por não conseguir parar de jogar.
Transtorno de dependência à internet (TDI): O paciente fica viciado em internet e passa várias horas ininterruptas navegando. Tratamentos para ansiedade: Existem várias abordagens em se tratando de tratamento da ansiedade patológica. Cabe ao profissional de Psicologia escolher a forma adequada a cada caso. Mas antes de partir para tratamentos psicológicos ortodoxos, como a psicoterapia, usualmente os profissionais aderem a terapias alternativas.
A forma mais comum de tratar a ansiedade é a prática de exercícios físicos. Sair do sedentarismo é o primeiro passo para quem não está convivendo bem esse estado desconfortável. Praticar exercícios físicos ajuda a lidar com estados de ansiedade porque eleva a produção de serotonina, substância que aumenta a sensação de prazer. "Essa alternativa costuma funcionar dependendo do investimento da pessoa, uma vez que nem todo mundo gosta de praticar exercícios", diz a psicóloga Luciana Nunes.
Caminhar três vezes por semana, por pelo menos meia hora já pode ajudar bastante a lidar com a ansiedade. O momento da caminhada, além de ser um exercício para o corpo, também pode ser aproveitado para trabalhar a mente, sob a forma da meditação ativa: "Quando você anda, pensa. A caminhada de meia hora é um movimento repetitivo e você acaba pensando nos pontos geradores de ansiedade que precisa trabalhar", explica Luciana Nunes.
Outra forma alternativa é a yoga, que oferece ao praticante a possibilidade de aprender a controlar sua mente e seu corpo. Este controle, conseguido através de uma combinação de técnicas respiratórias, corporais e de meditação, tem como resultados o aumento da flexibilidade, fortalecimento dos músculos, aumento de vitalidade e maior controle sobre o estresse.
Além da ioga, outra alternativa de controle da ansiedade é a massoterapia, por meio da qual o existe um relaxamento muscular, estimulação. "Se tiver uma abordagem mais oriental, busca o equilíbrio emocional. Uma mulher que está se separando, por exemplo, vai ter uma sensação de energização, de volta ao centro, de equilíbrio. Mas corre o risco, de terminada a sessão de massagem, ter a emergência de pensamento de solidão", exemplifica a psicóloga Luciana Nunes, alertando sobre as terapias alternativas.