Carlos Queirós (1907 - 1949) - Poeta e crítico literário e de arte, tendo deixado obra dispersa por várias revistas literárias, entre as quais se salienta a Presença. É considerado justamente como o elo de ligação entre a geração do Orpheu e a "presencista". Começou por estudar Direito em Coimbra, tendo-se, entretanto, tornado funcionário da então Emissora Nacional, onde organizou programas culturais dedicados ao turismo, à poesia e ao teatro. Em 1935, recebeu do Secretariado de Propaganda Nacional o prémio "Antero de Quental" e veio a dirigir as revistas Panorama (1941) e Litoral (1944). Conviveu de perto com Fernando Pessoa - era sobrinho de Ofélia Queirós - de quem considerava-se devedor. É tido por muitos como um seu discípulo directo devido ao "carácter moderno que a sua poesia assume através da intelectualização das emoções, analisadas com lucidez e, por vezes, com ironia".

A sua obra principal é o livro de poemas Desaparecido, com o qual ganhou o referido prémio em 1935. Durante a sua entrega, em 21 de Fevereiro, o ditador António de Oliveira Salazar proferiu um discurso instituindo uma forma de censura ao mesmo tempo activa e passiva, que levou Fernando Pessoa a tomar a decisão de não mais publicar qualquer obra em Portugal, conforme declara numa carta inacabada a Adolfo Casais Monteiro, com a data de 30 de Outubro daquele ano  » , um mês antes da sua morte. O mesmo prémio, numa categoria inferior, fora atribuído ao poeta, em 1934, pelo seu livro de poemas Mensagem.



Obras consultadas:

Desaparecido e outros poemas, Carlos Queirós
Edições Ática, Lisboa, 3ª edição, Junho de 1957

Dicionário de Literatura Portuguesa
Organização e Direcção de Álvaro Manuel Machado
Editorial Presença, Lisboa, Setembro de 1996

Exemplares disponíveis nas bibliotecas municipais
- Reprodução não oficial -


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