Sobre o amor .                           Márcio A.Frigo  05/05/06

O que seria ? O que quer dizer exatamente essa palavra?
Amor, amor. Um sistema de variadas cores, muitos tipos que se confundem.
Amor pressupõe renuncia? Posse ? Quais suas cores? As nuances?
Diz-se de sentimentos antagônicos de ódio, mas por vezes ambos se misturam numa confusão de cores, negras e claras .
O amor sereno, diz-se do verdadeiro amor, tem que ter cores suaves, tons pastéis. Mas diria que amores negros ou muito brilhantes não são amores de fato? Reais ?
Amor, sistemático, automático, incontrolável, que surpreende.
Por que amamos?
Amamos sem nem sabermos do que se trata, simplesmente sentimos algo que chamamos de amor. Um conjunto de sentimentos, um conjunto de ações que geram sentimentos, nossas ações, ações do outro.
Amor por isso e por aquilo, amor por muitas cores.
Tudo começa por um interesse visual, as cores externas, conhecidas essas, começasse a perceber as cores internas, comparasse essas cores, e se ressonarem com as que apreciamos, presentes em nós mesmos, tem-se a empatia
natural, e o amor surge, as cores se misturam.
Amor e sexo, cores que se complementam quando em um sistema ideal, de troca de cores, compartilhamento de cores, mas às vezes diria que ha o tipo de amor solitário, amor não correspondido.
Amor e sexo, ou sexo e amor, ou apenas sexo, apenas amor. Como acontece ?
Como esses modos se inter-relacionam?
Sexo, movido pelo instinto básico, é um instinto primal, sistema incorporado no ser que nasce, faz parte do conjunto de sistemas principais que visam a defesa da manutenção de qualquer espécie animal, essa é sua função primeira, propagar pela reprodução o material genético do animal.
Mas, diria que no ser humano, o sexo transcendeu, não é somente o sistema de manutenção da espécie, se tornou fonte de prazer, gerador de cores, meio de troca de cores, entre dois seres, dar e receber prazer. Embora a maioria dos humanos ainda não tenham se apercebido dessa evolução que está à disposição de qualquer um que possa entender.
Nos animais de mente-simples, o sistema-sexo cumpre seu papel automático, nos humanos também, é o instinto forte que domina, como em qualquer animal, entretanto algo mudou, somos a espécie dominante, reproduzir não é mais prioridade, a prioridade da mente que quer se entender, passou a ser busca de si mesmo, das próprias potencialidades.
E o sexo então, deve ser entendido como uma ferramenta poderosa que auxilia essa busca. Sexo é principalmente, sentir, sentir o outro, com todas as portas de entrada abertas, sentindo e sentindo, cores entrando e gerando matizes e impressões deliciosas, puro prazer de sentir as cores do outro.
Diria que, o sexo evoluindo para ser uma fonte de trocas de sentidos e sensações, cores, ele se torna um sistema mais complexo, perdendo a função meramente de reproduzir, se torna uma ponte, e mais ainda o sexo se torna "assexuado", isso é, independe da condição fisica-sexual do individuo, todos são capazes de sentir, e gerar sensações-cores, a condição macho/femea passa à não ter tanta importância na questão do fazer sexo pela interação humana que ele produz, a interação mais intensa que possa existir entre dois seres.
O sexo macho/femea, é meramente reprodutivo e instintivo, qualquer animal faz isso muito bem, então diria que a evolução desse sistema em seres humanos , caminharia para o sexo-sentir, sexo-fusão de cores individuais, independente
da condição de macho/femea dos indivíduos.
Mas ha uma moral/social/religiosa constituída, que tenta controlar esse sistema em evolução, tenta subjugar, até quando conseguirá? Não por muito tempo, nada consegue segurar o caminhar do ser que pensa, nem mesmo ele.
E o amor? Voltemos a ele portanto.
Amor e sexo se confundem às vezes, sexo é puro "sentir", amor é puro "sentimento" quando o sentir, que são cores entrando pelos órgãos sensoriais, se torna sentimento, então poderemos dizer que o amor se instalou no ser.
"Instalou" é o termo certíssimo, sentimentos ficam dentro de nós, intensos, sentimento é o "sentir"que fica, que está entranhado dentro de nós, é um "sentir" interno, que alimenta a si mesmo.
Sentir que gera o sentimento, que gera o amor, que é um conjunto de desejos que vão sendo preenchidos pelas cores do outro. Diria que, uma forma de conceituar o amor, seria imaginá-lo como uma interação poderosa e intima entre dois seres, a mais intima possível, onde ambos se doam , se fundem em sentidos e sentimentos. É quase como se tornar uma só mente em momentos específicos e únicos. Amar, é achar-se no outro, compreendendo-se portanto.
Amar é dar ao outro as cores que lhe faltam, e a recíproca é verdadeira.
Amar é transformar o sentir em sentimentos, mas de uma forma que esses sentimentos possam gerar cores ideais, brilhantes e intensas, que possam gerar possibilidades de fundir essas cores, um do outro, construindo assim uma nova visão do mundo que nos cerca, e sobretudo abrindo novos horizontes para as mentes fundidas.
Mas, por mais que se tente explicar esse sistema, amor, talvez nunca se esgote o assunto, jamais, tudo o que posso conseguir é uma leve e pobre descrição.
Talvez o amor não possa ser explicado na sua totalidade, talvez ele só possa ser sentido, vivido.
Quem nunca amou, pode-se dizer que também não viveu o encanto das cores partilhadas.
O amor e suas cores, sentidos e sentimentos; ‘’eu amo, portanto, eu sinto meus sentimentos, logo, eu existo ...’’
 

 

 

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