ENCADEAMENTO LÓGICO   (DEUS)                          Márcio A. Frigo    24/09/05

 

Veremos nesse trabalho de pensamento se poderemos colocar algo como um (deus) dentro da lógica e a razão.

 

DEUS

Conceitual geral = O ser supremo, o infinito e eterno, perfeito absoluto, criador de tudo o que existe, bondade máxima, sabedoria total e infinita, etc. e etc. .

 

Primeira perguntaPode um ser perfeito criar algo imperfeito?

 Mas supondo que o deus seja perfeito em todos os sentidos, se ele cometesse um ato imperfeito, pela lógica seria também imperfeito, visto que o imperfeito é incapaz de gerar perfeição, logo a imperfeição não pode advir do perfeito.

Mas diriam alguns, o perfeito pode criar algo imperfeito intencionalmente. Mas,  pra que isso ? Se ele sempre pode gerar perfeições, qual a utilidade de se gerar algo imperfeito?

Outros diriam que toda criação é sempre imperfeita, já que está sempre abaixo do criador. Mas, como a criação vinda da perfeição, pode ser imperfeita ou inferior?

Segundo as correntes teológicas, a criação e as criaturas são imperfeitas, não obstante vieram de um criador perfeito, logo a imperfeição de tudo foi criada intencionalmente.

Solução para esses paradoxos.

A noção de perfeição é relativa ao sistema e àquilo que se espera desse sistema, REALMENTE, não faz muito sentido em se falar de perfeição, dizemos que algo é perfeito se esse algo satisfizer certos parâmetros que esperamos dele, e o que eu espero de algo não é o mesmo que outra pessoa pode esperar desse mesmo algo, logo a perfeição é inerente às expectativas de cada mente.

Algo que podemos chamar de Criador, se houvesse um, não teria esses conceitos que temos, ele seria um sistema gerador daquilo que existe, o existir por si só .  E talvez o mais próximo de perfeição que podemos imaginar acontece onde não há  conceitos de nenhuma espécie, apenas eventos dinâmicos.  A forma como percebemos esses eventos é que cria a ilusão conceitual.

Descartes  foge da lógica quando diz que: ‘’ ...a idéia de perfeição, infinito. Não posso tê-la tirado de mim mesmo, visto que sou finito e imperfeito. Eu, tão imperfeito que tenho a idéia (conceito) de perfeição,só posso tê-la recebido de um ser perfeito que me ultrapassa e é o autor de meu ser . ‘’   Antes, sendo imperfeito, como poderia vislumbrar a perfeição?

Outro,o ser perfeito jamais poderia ser o autor do imperfeito, a não ser por alguma intenção estranha, que por si só já seria uma intenção imperfeita; vinda de uma mente perfeita?

E percebemos aqui, que Descartes não foi capaz de se livrar dos próprios conceitos, perfeição, bondade, bem, mal, etc.  Na análise do mundo REAL, se quiser ‘’vê-lo’’ REALMENTE, tem-se que por de lado toda a gama conceitual do mundo MENTAL.

 

Segunda pergunta: O bem Absoluto, pode gerar o mal absoluto?

Supondo o deus criador de tudo, então ele criou o mal que há na criação. Mas  por que? Se poderia ter criado só bem?

De novo esse paradoxo, cai no mesmo campo conceitual da perfeição.

Algo mau pode fazer um bem? Pode, se o fizer intencionalmente.  Mas, diria que uma bondade infinita, jamais geraria o mal, nem intencionalmente, porque um mal vindo de um bem  é inconcebível .

Bem, mal, conceitos apenas, sombras apenas. 

 

Terceira pergunta :  O amor Maximo e verdadeiro é egoísta ?

Essa pergunta cabe aqui, porque se referem à deus como um ser de bondade a amor absolutos.

O amor em essência é um sentimento que deve querer o bem do outro,  não importando com os desejos desse outro, o ato de amar elevado ao máximo deve prover isso, respeito acima de tudo pelos desejos do ser amado.

Diz-se que a essência de deus é o amor absoluto, mas esse mesmo deus criou todas as criaturas para que elas o amassem.

O amor absoluto, ama sem esperar nada em troca, simplesmente ama .

A expressão máxima do amor egoísta: eu crio algo para que ele me ame (solidão?).

A expressão máxima do amor: amo incondicionalmente, sem esperar nada em troca.

O amor humano: amo e quero ser amado por quem amo.

 

Quarta pergunta : É necessário mesmo um criador para algo que existe?

Algo existe, ou ele sempre existiu ou começou à existir num dado momento.  Supondo que tenha começado a existir, diria que: ou foi criado, ou surgiu do nada espontaneamente .

Conceber-se que o algo surgiu do nada, ou foi criado do nada, quase que dá na mesma, algo sempre tem que surgir à partir de um suporte .  Criar é: transformar algo em outro algo. Logo não se pode conceber que algo surja do nada, (o nada aqui, se refere ao vazio absoluto) então supomos que o suporte gerador de coisas, sempre existiu e sempre existirá, portanto é eterno.

Cabe aqui uma explicação básica, os termos criar, transformar, destruir, construir, tem sentido apenas quando aplicados à uma coisa chamada CRIAÇÃO, isso significa : ordenar o caos aparente, gerando conceitos . Digamos que haja um tudo por toda parte, (o nada absoluto inexiste) esse tudo pode ser moldado em certas partes, a parte moldada-criada seria uma informação local que poderia ser captada e decodificada por uma mente capaz de fazer a leitura e estabelecer um conceito à respeito.

Fica bem claro aqui que há dois sistemas distintos, o suporte onde a criação-informação é gerada, e a mente que ordenou a criação, ou a mente que é capaz de ler a informação.   Suporte e mente, estariam ambos contidos no TUDO?

Pesquisas na área da física quântica parecem apontar para um vácuo que não é um vazio absoluto, ou seja : é energia de espaço tempo que pode flutuar de um valor zero gerando energia, existência.

Se bem que prefiro dizer que : o vácuo infinito esta preenchido de energia-de-suporte que tem um valor neutro, que pode ‘’flutuar ‘’ gerando informação, espaço-tempo locais , valores observáveis .

Explicando: essa energia básica esta espalhada uniformemente por toda parte que se possa conceber, seria como uma rede de energia, uma espécie de ruído-branco absoluto, se pudesse ser observada, um observador diria que nada há, só vazio, semelhantemente quando se pergunta à alguém o que haveria numa folha de papel em branco, ele diria : ‘’nada’’, porque não levaria em conta o próprio papel (suporte), assim como não levamos em conta o vácuo-nada.

Se a desordem-ordem de valor neutro, em certas partes flutuar, intencionalmente ou não, os pontos de flutuação teriam valores diferentes do neutro, gerando assim uma informação que pode ser observada e conceituada, por agentes que também são gerados da mesma forma.

Uma mente, em tese, seria um sistema organizado, em síntese a mente é algo que pensa sobre si e sobre aquilo que o cerca.

Ainda não consegui estruturar bem como seria esse sistema mental, por hora é suficiente ter-se a noção de mente e suporte.

Respondendo à quarta pergunta, eu diria que : poderia-se pensar em uma mente criadora, que por intenção e/ou decisão geraria uma criação usando o suporte, ordenaria a flutuação da energia de suporte e criaria.

Por outro lado, a criação-flutuação, seria de origem aleatória, ao acaso, o próprio suporte geraria os eventos por si só .

Mas aí há uma coisa para se pensar, o acaso tenderia à chegar à um nível de instabilidade total, sem decisões motivadoras ordenadas, o sistema todo chegaria à desordem total e imutável, e nunca haveria coerência.

No entanto com um sistema gerador de possibilidades ordenadas, o suporte estaria sempre em emissão, em continuo e infinito estado de criação e geração de eventos coerentes .

E esse sistema só poderia ser uma mente inserida no suporte.

Seria como se tudo fosse uma mente infinita, em suma, a realidade que vemos seriam os pensamentos e sonhos dessa mente .

Ou indo mais alem, essa mente seria de certa forma fragmentada, espalhada pelo suporte todo, onde cada parte atuaria gerando os eventos e observando-os, conceituando-os.  Diria que esses fragmentos de mente, somos nós mesmo.

Bem, essa teoria é muito nova ainda, é preciso formatá-la, talvez aí esteja o caminho do entendimento sobre o que somos REALMENTE .

 

Conclusão :  o conceito religioso de deus, certamente que não pode ser inserido numa realidade lógica. Só tem sentido no universo MENTAL .  Ou seja : não passa também de um conceito universal, relativo à cada época/civilização.

Num universo REAL podemos talvez falar de mente geradora de eventos e possibilidades, os conceitos à respeito desses eventos, dependem da forma que são decodificados por cada fragmento de mente que os observa .

Será que criamos o universo mental que observamos?  É algo à se pensar seriamente.

 

 

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