'' EU OUÇO VOCÊ CHAMAR MEU NOME . ''
Aonde quer que eu vá ,
Pôr todos os lugares que ando ,
Os ruídos que escuto ,
Parecem vozes me chamando .
Chove lá fora , água escorre do céu ,
Batendo contra o chão calado.
Seu som , que me atormenta ,
Desliza pelo ar qual inseto alado.
Na cachoeira do rio inquieto ,
De novo , água , agora revolta ,
Choca-se contra pedras inertes ,
Grita e estremece à minha volta .
E assim é : no som do vento rebelde ,
No vozerio da mata verdejante ,
No estrondo da tempestade ,
Ouço sempre uma voz inebriante.
Nos sonhos que tenho , quando ''viajo''.
Mesmo acordado e pensando ,
Percebo uma vozinha doce e meiga ,
Invadir o coração , me chamando.
Minha linda , pôr que tão longe ?
Minha linda , pôr que não perto ?
Apesar da distância e do medo ,
Eu sinto você , isto é certo .
Eu escuto você chamar meu nome .
E te chamo , grito teu nome ,
Mas estou sozinho , então :
Ouço você me chamar na escuridão .
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