Alma no aquário. 05/04/07
Como almas nadando num aquário.
O céu azul refletindo na água
e você vê apenas dor,
ondas de dor e agonia.
Nada pode quebrar o vidro
se você não quiser ser livre.
Pra que desejar o azul?
Pra que desejar o lá fora?
Se fica nadando em círculos
apenas no fundo ou superfície
desse aquário inimaginável.
Fantasmas azuis lhe visitam,
como sombras mergulhadas
que você deixa acariciar seus medos,
breve amostra do mundo lá fora.
E a coragem não vem
e você mergulha, dorme, morre.
Bem vindo à história da sua vida.
Vai ver seus ''eus'' passados
correndo por uma estrada,
em direção à eras perdidas no tempo,
olhando pela janela desta máquina.
Deixando o presente na distância,
como luzes brilhando longe,
vestindo seu velho blues jeans,
correndo sem parar pela noite
por um caminho reverso,
como num filme ao contrário
com sons estranhos de vozes,
pessoas falando, como sons de sinos.
O que você pretende achar?
Bem lá atrás, tentar corrigir
erros aparentes que só você vê.
Vozes em sua cabeça, sentidas
como gritos atrás de portas.
Bem vindo ao seu show!
Veja bem, sinta o seu passado.
Quando ainda podia se misturar
às lindas e inocentes garotas
tão jovens como você era.
Juventude que sonhava
com mudanças possíveis
num mundo tão diferente.
Deite sua face e se lembre,
as imagens lhe conduzirão
para aquele lindo verão de 1989.
Onde nada era tão sério a ponto
de lhe causar uma dor qualquer.
Se esticava sob um sol puro,
havia um sorriso insolente.
Virava-se para poder sentir
o profundo azul dos olhos dela
pousados em sua alma.
Dava para acreditar num amor,
algo assim como uma paixão
indefinida, descompromissada
totalmente sem planos.
Eram surpresas boas
deliciosamente preguiçosas
como devia ser a vida, sempre.
Agora o único azul que há,
é o do céu lá fora.
Roubado de você.