Solidão na lua ou singularidade .
Os olhos atentos observavam com uma lentidão quase sonolenta o pontinho de luz
que descia no horizonte escuro daquela face lunar .
Patas macias se moveram cadenciadas e sem pressa , deixando rastros profundos no
solo de pó finíssimo , era tudo silêncio , um vácuo extremo e angustiante .
A nave pousou sem contratempos , sua tripulação ansiosa preparava-se para pisar
no chão leve da lua . A pequena sombra moveu-se por trás das rochas até avistar
a nave metálica , sentou-se à espera de seus ocupantes .
Três homens dentro de trajes estranhos e volumosos desceram , o peso quase nada
significava , pois sentiam-se leves como que embriagados por estarem num
ambiente estranho e incomum .
Tudo era deserto e desolado , mas não destituído de beleza , pois o céu embora
negro , estava pontilhado de estrelas . Maravilhado com a visão da terra , o
homem ficou boquiaberto , tudo era fantástico para os três humanos .
Eles e a ‘’aranha’’ prateada no meio daquela imensidão de poeira , vácuo e pouca
gravidade.
A criaturinha se levantou do pó , estava eufórica por ver outros seres se
movendo , após tanto tempo , afinal ela poderia compartilhar o seu mundo com
outros seres vivos , após milhares de anos sua solidão seria finalmente
apaziguada , como era bom ver criaturas em movimento , o reflexo do sol na nave
deixava-a admirada .
Impaciente, o ser caminhou em direção ao trio de astronautas , andando com graça
e segurança ,mau se continha , porém , de emoção , pois ia enfim se libertar
daquela vida infinita de amargura , em que nada fazia , nada sentia , era tudo
para ele uma medonha tristeza e dor de estar sozinho , mas com a esperança de
que um dia outros viriam visitá-lo , e torná-lo mais feliz.
Ele se aproximou dos três homens que estavam de costas , suas pupilas dilataram
e tão pequenina era , que eles não o haviam percebido . Então encostou-se ,
esfregando seu pêlo macio na bota de um deles , num gesto que ele entendia como
um cumprimento ou saudação .
O humano sentiu sua presença e olhou-o , então sem que o pequeno compreendesse ,
afastou-se espantado chamando a atenção dos outros companheiros , que também o
viram e igualmente ficaram atônitos como se estivessem vendo algo impossível de
existir , uma espécie de aberração . No entanto era apenas um singularidade .
Os três se afastaram correndo para a nave , estavam assustados , suas mentes
alteradas pela visão de uma impossibilidade que surgirá tão inesperada diante
deles .
‘’ Um gato , eu vi um gato!’’ Balbuciou um , temendo que o universo inteiro
ouvisse suas palavras .
‘’ Era um gato , negro como a noite ! “”
A nave prateada estremeceu cuspindo fogo , um jato vermelho impulsionou-a para o
céu negro pintado de estrelas , os homens do planeta terra retornaram rápidos
para seu lar .
E num monte lunar , uma sombra solitária observava de cabeça erguida o ponto de
luz que se afastava mais e mais . Uma lágrima caiu então , outra impossibilidade
, de sua face peluda , pois não entendia como e nem porque aqueles seres
recusaram a sua amizade incondicional , deixando-a de novo naquela atroz solidão
, à espera por novos visitantes que talvez jamais pudessem entender suas
necessidade , assim como aqueles três não a entenderam .
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