UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL – ULBRA – CANOAS – RS
MARCIO EDUARDO SANDER – SEM
00/1
HISTÓRIA DA ARQUITETURA II
O QUE É
ARQUITETURA?
Carlos A. C.
Lemos
· “Nunca será fácil separa as construções belas das outras, para que possam ser eleitas e distinguidas como trabalhos de arquitetura.” pag 7
· São divididos em três grandes grupos: critério artístico, as admiradas por poucos, as nascidas ao acaso.
· As nascidas ao acaso: os barracos “A beleza não é exclusiva da arquitetura e sim das artes em geral.” pag 9
· As admiradas por poucos: “é composto em sua totalidade de obras ditas populares, que são analisadas, interpretadas e curtidas pelos críticos eruditos” pag 9
· Arquitetura sem arquitetos: “sem Ter havido a priori uma intenção plástica regida pelos cânones ditos civilizados, sem Ter havido uma vontade de fazer arte.” pag 10
· Arte popular, primitivas, intelectos considerados rudimentares, “arquitetura nascida a partir do primeiro contato entre povos primitivos e colonizadores civilizados” pag 11, procedência ibérica, certamente espanhola.
· Ex: as casas de pau a pique.
·
“A arquitetura, boa ou
má, não se define pelo ornato oposto à construção e não nos esqueçamos de que
todas as casas rurais da época tinha praticamente a mesma planta, eram
construídas segundo a mesma técnica, a taipa de pilão, exaustivamente repetida”
pag 13
·
“similitudes com o
panorama geral formado pela obras polulares vernáculas, embora no sicretismo de
suas soluções formais compareçem componentes eruditos da arquitetura ibérica”
pag 14
·
As obras eram destinadas
unicamente a resolver os problemas práticos através da tecnologia disponível na
época e talvez por isso são vistos como meras obras de engenharia. Ex: O
Palácio de Cristal.
·
“A simples satisfação de
um programa de nescessidades – a função corretamente expressa – não seria o
mérito suficiente ao reconhecimento como obra arquitetônica?” pag 16
·
Ex: A Torre Eiffel.
“Podemos argumentar que talvez Eiffel não estivesse atendendo aos conceitos
“oficiais” de arte daquele tempo do ecletismo, mas estaria, sem dúvida,
satisfazendo a seus ideais estéticos particulares de engenheiro, ligados à
geometria, às formas puras, aos volumes derivados de equações cuja dedução lhe
haviam dado prazer e possibilitado sensibilização espiritual”pag 17
·
Revolução Industrial:
“Novos programas de nescessidade eram satisfeitos por novas técnicas. Deu-se o
surgimento de uma “arquitetura paralela”, decorrente dessa visão ligada ao
racionalismo tecnicista” pag 17
·
Uso apropriado dos
materiais de construção.
·
Duas posições: O BELO,
SATISFAÇÃO DAS NORMAS TÉCNICAS.
·
“não havendo
anteriormente uma intenção plástica – a beleza resultaria de modo natural a
quem soubesse vê-la” pag 20
·
a prioridade da
aparência: o belo
·
capaz de emocionar
esteticamente
·
“Arquitetura para muita
gente, seria a providência dessa aparência provocadora de emoções estéticas”
pag 20
·
“Arquitetura seria só a
intenção de se fazer arte em cima de uma construção” pag 20. Daí a separação
entre arquitetos e engenheiros.
·
“Poderiam projetar um
edifício, cuidando de suas aparências, de seus espaços monumentais, sem
indagações concomitantes acerca das condições técnicas” pag 20. Com o advento
do concreto armado, já no final do séc XIX esse posionamento muda e vemos isso
no próximo capítulo.
A ARQUITETURA AO LONGO DO TEMPO
·
Platão: “a arquitetura
não seria uma aparência das coisas em si própria. A arquitetura e todas as
artes manuais implicam numa ciência que tem, por assim dizer, sua origem na
ação e produzem coisas que só existem por causa delas e não existiam antes” pag
22
·
Aristóteles: “a arte da
arquitetura era o “resultado de certo gênero de produção esclarecida pela
razão” pag 22
·
Vitrúvio: a solidez, a
utilidade e a beleza.
·
Propõe o ilustre
arquiteto e teórico seis “divisões”:
1.
Ordenação
2.
Disposição
3.
Euritmia
4.
Simetria
5.
Conveniência
6.
Distribuição
·
“Vitrúvio, nos seus seis
princípios, dedicou-se praticamente à estética do projeto arquitetônico, não se
referindo a ela somente na primeira e na Sexta categoria.
·
“Quase quinhentos anos
depois de seus escritos, Santo Agostinho (354-430) ainda via na “unidade na
variedade” o segredo da arquitetura, dizendo que a “similitude” reduzem tudo a
uma espécie de unidade que contenta a razão” pag 26
·
Isidoro de Sevilha (c
560-636), que já vê imprenscindível na arquitetura a ornamentação:
1.
O traçado
2.
A elevação dos muros
3.
A ornamentação
·
Os costumes do ofício
são passados de geração em geração. “Quando o tempo do aprendiz tiver
terminado, o mestre-de-obras o levará diante do guarda do ofício e este fará o
aprendiz jurar de guardar os usos e costumes do ofício” pag 27
·
“a arquitetura gótica,
desenvolvida para a glória de Deus, foi uma verdadeira integração entre a
ciência e as artes” pag 28
·
“O Renascimento,
aparecido na Itália, fez ressurgir a estética de Vitrúvio e todas as demais
lições de seus “Dez livros de arquitetura”. Houve um despertar geral,
envolvendo todos os ramos do conhecimento, inclusive a tecnologia da
construção” pag 30
·
Uma arquitetura nova
regida pelos antigos.
·
“Depois do Renascimento
veio o Maneirismo, que foi sucedido pelo Barroco, que veio a dar lugar ao
Neoclássico” pag 31
·
“O Neoclássico e a
Revolução Industrial coincidiram no tempo” pag 31
·
“modernização começou
pelas pontes e pelas construções vinculadas a novos programas jamais
suspeitados pelos velhos arquitetos” pag 32
·
“Já de início houve a
tentativa de se decorar, de se ornamentar os perfis pré-moldados das estruturas
metálicas com o escopo de lhe dar a dignidade da arquitetura ortodoxa. A partir
dessa época a separação entre o arquiteto e o engenheiro, o desfile de
definições de arquitetura” pag 32, 33
·
Goethe (1749-1832) “a
arquitetura é música petrificada” pag 33
·
Schelling (1775-1854)
“arquitetura é a forma artística inorgânica da música plástica” pag 33
·
“De qualquer forma, a
demanda popular estava condicionada à orquestração dos ornatos dispostos ao
longo dos paramentos frios de tijolos, deixando a decoração num segundo plano”
pag 34
·
“Todos os teóricos
descendentes de Vitrúvio viam o belo arquitetônico nas relações analíticas, ou
aritméticas, expressas pelo módulo” pag 34
·
Auguste Perret
(1874-1954) “arquitetura é a arte de organizar o espaço e é pela construção que
ela se expressa” “móvel ou imóvel, tudo aquilo que ocupa o espaço pertence ao
domínio da arquitetura” pag 35
·
Século XX
·
Tony Garnier (1868-1948)
·
Ludwig Mies van der Rohe
(1886-1969)
·
Antonio Sant’Elia
(1888-1916)
·
Walter Gropius
(1883-1969)
·
Le Corbusier (1887-1965)
·
Oscar Niemayer Soares
Filho (1907)
·
Lucio Costa (1902)
O PARTIDO ARQUITETÔNICO
·
“Arquitetura seria, então, toda e qualquer
intervenção no meio ambiente criando novos espaços, quase sempre com
determinada intenção plástica, para atender a necessidades imediatas ou a
expectativas programadas, e caracterizada por aquilo que chamamos de partido.
Partido seria uma consequência formal derivada de uma série de condicionantes
ou de determinantes; seria o resultado físico da intervenção sugerida. Os
Principais determinantes, ou condicionadores, do partido seriam:” pag 40
·
A técnica construtiva
·
O clima
·
As condições físicas e
topográficas
·
O programa das
necessidades
·
As condições financeiras
·
A legislação
regulamentadora
·
“as variadas condições
culturais sempre determinam arquiteturas diferentes” “cada povo, em cada
região, terá a sua própria arquitetura” pag 41
·
“Não deve ser desprezada
a arquitetura “Kitsch”, porque ali também houve uma intenção plástica” “A
arquitetura brasileira não é somente a de Oscar Niemeyer ou a de Artigas.
Também é a dos bairros periféricos com suas casinhas auto-construídas, portanto
nos nichos dos alpendres a imagem da Padroeira sim, trata-se de má arquitetura”
pag 42
·
“O sistema construtivo
é, talvez, o mais importante dos determinantes do partido arquitetônico” pag 43
·
São Paulo:
·
a primeira igreja foi de
palha
·
“a taipa é altamente
erodível e daí a necessidade das casas estarem em terraplenos livres das
enxurradas e daí, também, as ruas planas, traçadas, por conveniência, ao longo
das curvas de nível” pag 44
·
“A cidade para se
enfeitar teve de ser destruída e refeita de tijolos e isso se deu com os
imigrantes trazidos pelo café, que trouxeram também a estrada de ferro” pag 45
·
“mudada a técnica
construtiva, mudou a arquitetura paulistana. Uma cidade foi simplesmente
substituída por outra. Agora, os vãos se igualaram aos cheios – belas vidraças
lapidadas guarneciam janelas ornamentadas de estuque. Nova técnica, novos
partidos, nova arquitetura serra acima. Houve, também, aterceira cidade, a de
concreto armado, mas isso já é outra história” pag 46
·
“os primeiros arquitetos
estrangeiros trazidos pelo café não encontram colegas trabalhando e fizeram o
que quiseram” pag 46
·
Surgem variados estilos
·
O Italiano: “Trouxe sua
experiência, seus conhecimentos e novos materiais, que haviam servido de lastro
para os navios daqui despachados empanturrados de café” pag 47
·
“Hoje, com todo o
progresso que conhecemos, a casa é mínima, satisfazendo novos programas em que
os serviços domésticos estão minimizados em benefício do lazer domiciliar,
antigamente quase que inexistente” pag 49
·
“Antigamente, moradia
era onde se fazia a própria comida – daí a designação de lar, palavra que dá
nome à pedra do fogão rústico” pag 49
·
“o edifício será
conservado enquanto o programa estiver sendo satisfeito, donde se conclui que a
conservação de bens culturais está sempre condicionada” pag 51
·
A casa do Trem, de
Santos – São Paulo
·
Os Iglus dos esquimós
·
“As primeiras leis a
respeito surgiram com o fim evidente de uniformizar, dentro de regras estéticas
da época” pag 56
·
“as condições de higiene
da habitação principalmente dos edifícios em geral que provocaram leis e
códigos incidindo diretamente na composição arquitetônica” pag 58
·
existiam quartos sem
janelas, chamadas alcovas
·
maior entrada de luz
solar
·
“diagrama de insolação”-
passou a ser instrumento indispensável de trabalho nas pranchetas dos
arquitetos” pag 60
ARQUITETURA MODERNA
·
“uma arquitetura somente
poderá ser considerada moderna quando a intenção plástica contida no ato de
projetar e, também, os condicionantes do partido forem encarados e atendidos
dentro dos mais recentes critérios de abordagem, garantindo a contemporaneidade
global das soluções finais” pag 63
·
“Nossas primeiras
construções ditas modernas foram executadas nos estilos de vanguarda em moda,
no fim da década de vinte e início da seguinte, o Cubismo e o Art Deco” pag 66
·
“Nossa definição de
arquitetura moderna a muitos passa por ser extremamente radical, à vista,
inclusive, de nossas condições materiais brasileiras. A mais avançada
tecnologia da construção não está ao alcance de todos”pag 67
·
“temos que aceitar a
idéia de que não existe a obrigatoriedade ética de se exigir a plena
arquitetura moderna em nosso meio pobre e carente de recursos” pag 68
·
“Hoje, nas grandes
cidades, todos moram mal, à míngua de soluções lógicas, baratas e acessíveis”
pag 70
·
Na casa cara do homem de
posses pode estar concentrada toda a tecnologia eletrônica posta a serviço do
bem-estar, mas isto não é arquitetura – conflita com estudos ambientais.
·
Arquitetura é: “a linha
que busca a beleza plástica, pondo a serviço dela todas as disponibilidades à
mão, mesmo com o sacrifício ou libertação dos condicionantes do partido, e a
corrente que, ao contrário, vai buscar a sua definição plástica é a satisfação
integral, através do mais moderno que exista, das exigências programáticas e
das condições que incidam sobre o empreendimento” pag 72
·
“A Segunda corrente
arquitetônica oposta a essa que parte necessariamente da intenção plástica é
aquela que, ao contrário, valoriza prioritariamente as condições programáticas”
pag 75 ex: refinarias de petróleo
·
“a arte também é
acessível através das providências ligadas ao funcionamento correto do
edifício. A beleza simplesmente resultou” pag 81 ex: Deconstrutivismo
TODOS TENTAM PROVIDENCIAR CONSTRUÇÕES
BELAS, MAS OS CAMINHOS DESSA PROVIDÊNCIA
É QUE NÃO SÃO IGUAIS PARA TODOS E VÃO
DEPENDER TAMBÉM DAS CONDIÇÕES FINANCEIRAS.