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Ele surgiu assim   do nada... de repente ...
uns olhos cinzentos no meio da  multid�o
aquele olhar que n�o me via, atravessava.
E por que estava eu, em meio a tanta gente
t�o distra�da a olhar em sua dire��o ?
e esse olhar mesmo sem ver, arrebatava.

E eu vi o c�u nesse olhar azul cinzento
por que te espantas, � maldito cora��o?
N�o v�s que � apenas um olhar que nem te olhava ?
Por um segundo, eu o quis... por um momento...
mas t�o profunda quanto  eterna essa paix�o
que esta impress�o, dentro  do peito, machucava

Se aquele olhar cruzasse o meu e me pedisse,
eu dava tudo, e atr�s de mim tudo deixava...
sem nem saber qual o seu nome, o seu destino.
E amar assim, t�o de repente, � doidice
e se eu dissesse, ningu�m me acreditava !
E eu n�o censuro, pois bem sei  que desatino.

Senti ci�mes de algu�m que tinha ao lado
Senti ci�mes de n�o  estar na sua vida
Desesperei pelo olhar que n�o me via
E o desejei como n�o tinha desejado
ningu�m no mundo, nem a coisa mais querida
perdidamente, inconsequente, o  queria.

Passou por mim, quase ao meu lado e eu tremia...
baixei os olhos, rosto rubro, sem coragem
e sem sequer olhar para tr�s, ent�o fugi...
Ah ! Se eu tivesse me voltado, ent�o veria
o seu olhar, parado  em mim, quase selvagem,
a desejar-me e eu, que pena... n�o o vi.









Aquele olhar...
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