| Eu sinto o amor vir chegando como, para o céu olhando, vejo as nuvens cinzentas e sei que vai chover. Como quem olha a espiga madura e adivinha o pão, como quem sente a presença do ladrão Eu não o vejo , mas sinto... Não o conheço, pressinto em cada janela acesa na noite, em cada passo solitário na calçada em cada estranho... olhares... sinais... e mais nada. Pelo transpirar sem calor, pela preguiça e torpor que no próximo passo é ansiedade e cansaço. Pelo querer e não querer, pelas noites mal dormidas, pelo esperar sem saber o que esperar... desta vida. Pela fome que vem e recuso alimento... Pela lágrima triste, o choro, o lamento... Por este estranho vazio que me vem, no peito, no estômago, na minha cabeça, mas que se enche de esperança, a um olhar que aconteça. E eu não tenho paciência para esperar. Eu sei que está vindo, já o sinto chegar! Mas como demora... Até tenho medo que seque a vontade, desvende o segredo, que se apague a minha luz, essa luz da esperança criança... que espera... quimera... |
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