1959 – Júlio Reny nasce em 27 de fevereiro, em Porto Alegre, filho do barbeiro Reni Antunes Barbo e da funcionária pública Júlia Gay Barbo. Passa a infância da Cidade Baixa, e a música já entra na sua vida através dos pais que ouviam muitos discos em casa, e a irmã o levava com freqüência para ver filmes de Elvis Preslye, Beatles e da Jovem Guarda.

1965- Um cunhado tocava o rock da época ao violão, em contraste com um tio que tocava músicas regionalistas. Aquilo desperta uma vontade danada de tocar, mas até aí, nada. Ingressa no primário da Escola Estadual Ildefonso Gomes. Torna-se PM Mirim e convive com a caserna. Gostava disso, até porque lá jogava futebol.

1969- Ingressa na escolhinha de futebol do Grêmio e logo depois na do Internacional como goleiro, onde permaneceria até 1973. Treina com muita dedicação (quase obsessivamente).

1971- Entra no ginásio do Colégio Estadual Winston Churchil. Os irmãos mais velhos apresentam-lhe o pop rock da época. Aí um desvio de conduta começa a manifestar-se. Júlio e um colega da escola começam a furtar discos em lojas. Isso até não seria tão grave, não fosse uma coisa sistemática, mas era. Pelo menos o introduz definitivamente ao rock pesado: The Who, Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabath etc. Torna-se um contumaz brigão. Envolve-se em constantes conflitos de rua.

1975-Começa a cursar o segundo grau noturno. Busca emprego de dia. Afloram conflitos de consciência que o fazem deixar os furtos de discos e as brigas. Logo uma confusão mental o levaria a uma internação em clínica psiquiátrica. Coisa de adolescente. Não usava drogas, era só problemático mesmo. Ao sair da clínica, a família preocupada reúne-se para discutir sua situação. Júlio decide: queria ser músico. Ganha uma guitarra Mil Sons e um pequeno amplificador valvulado. FELIZ.

1976- Reencontra dois colegas de ginásio, e, com o irmão Paulo Renato (falecido em 1995), forma uma banda.

1977- Decido a aprimorar-se, passa a estudar um pouco de violão clássico. Arranja um violão apropriado: Giannini branco laqueado, cordas de nylon. Passa a ouvir jazz e bossa-nova, com predileção por João Gilberto.

1978- Abandona o segundo grau escolar para dedicar-se à música.

1979- Depois de variar tanto suas preferências musicais, decide que Bob Dylan, Neil Young e The Band seriam as diretrizes básicas do som de sua banda. Resolve compor e cantar dentro daquele estilo country-rock. Realiza, com estas composições, o primeiro show denominado “Uma Canção nas Trevas”.

1980- A banda resolve adotar a título “Uma Canção nas Trevas” e sob este nome, realiza (estranhamente)
o show “Jazz & Blues” na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Sucesso entre os estudantes.
Nasce sua filha Consuelo Valandro. Júlio passa a morar em uma casa cuja garagem tornou-se legendária. Ele a alugava para ensaios e por ali passaram bandas como Engenheiros do Hawaii e DeFalla.
Atua como coadjuvante no filme “Deu Pra Tí Anos 70”, de Giba Assis Brasil.

1981-Desfaz-se a banda, e Júlio parte para um show com seu irmão e o baixista Ademir Frozi, no Clube de Cultura. Entitulava-se “As Estórias Elétricas de Uma Guitarra Acústica”. Independentemente dos resultados, que até eram bons dentro da proposta, Júlio fixa-se no meio artístico e frente ao publica como personagem underground, polêmico em atitude, sem papo furado.

1982- Faz sua primeira gravação demo em fita, para tocar na Rádio Bandeirantes AM, futura Ipanema. A música era Tomás e a Lagoa e repercute razoavelmente bem. Reunifica a banda sob seu nome, no show “Aconteceu Durante o Verão”, no Teatro 1 (rua Ramiro Barcelos). Grava nova demo em fita rolo, Cine Marabá. Sucesso na Band AM. Torna-se uma das mais tocadas e pedidas, chegando a tocar em várias rádios do Rio e São Paulo para onde mandava cópias demo. Antenado para este caminho alternativo que se abria, resolve gravar um álbum e reproduzí-lo em fita cassete.
Cria um “selo fonográfico” especializado em fitas cassetes com a intenção de lançar também outros autores. O selo chamava-se Pirata Sulista. Atua no filme “Verdes Anos”, de Carlos Gerbase.

1983- O Pirata Sulista vai à falência vendendo poucas cópias de seu único título em catálogo: uma fita com capa produzida, contendo oito músicas, chamada Último Verão.

1985- Cria a banda “KM 0” com Edu K na guitarra, Paulo Renato na bateria, Fred na percussão e Júlio no contra-baixo. Com esta formação, gravaram duas demo-tapes: Não Chores Lola e Amor e Morte. Ambas estouram em Porto Alegre. Tocava direto nas rádios Atlântida, Cidade e Ipanema; nas outras um pouco menos. Não Chores Lola toca bastante no Rio a ponto de Guilherme Arantes citá-la como referência sobre música do Sul, porque gostava de ouvi-la na Rádio Fluminense. Começam a alternar com “Engenheiros do Hawaii” a abertura de shows. Um show no Gigantinho era considerado decisivo: o Rock Unificado I. Júlio sabia que olheiros de grandes gravadoras estariam lá com vistas a produzirem um disco sobre o rock do sul. Inexplicavelmente, a banda se apresenta mal. Dá tudo errado.
A partir dali, vários problemas pessoais afetam Júlio. O falecimento de sua mulher é o limite do seu inferno astral. Atua no filme “Quero Ser Feliz”, de Sérgio Lerrer, no papel de um jovem recruta.

1986- Assume com vocalista da banda “Urubu Rei”, liderada por Carlos Eduardo Miranda. Logo funde parte do “KM 0” com a “Urubu Rei”, formando a célebre “Expresso Oriente” com Castor Daut e Flávio Santos (futura célula do “DeFalla”). Júlio Reny e Expresso Oriente torna-se referência do rock gaúcho e da atitude underground. As coisas começam a dar certo, e a estratégia das demos-tapes para rádios voltam a funcionar. Maomé e Garota do carro vermelho tocam com freqüência nas rádios jovens locais e a banda emplaca nos shows.
Júlio ataca de radialista na Ipanema FM como produtor, atingindo o primeiro lugar no Ibope com Negras Melodias

1987- A banda é reformulada. Entra o produtor Moacir que a coloca nos caminhos do interior do RS, Rio e São Paulo. Lá começam a tocar seu repertório em programas de TV e a realizar shows.

1988- Júlio atua em papel principal no file “Vicious”, curta de Rogério Ferrari. Com a banda, grava duas faixas na coletânea Rio Grande do Rock da SBK.

1990- Júlio Reny e Expresso Oriente gravam LP independente.

1991- Monta nova banda: Júlio Reny Guitar Band, começando a trabalhar com Frank Jorge em composições e arranjos. Grava vários video-clips e demo-tapes, fixando-se bem com o clip Mil Noites na MTV. Segue como radialista na Ipanema FM e faz muitos shows até 1996.

1997- Desponta na TV Bandeirantes de Porto Alegre com o personagem “Cowboy do Deserto” no programa “Folharada”, fazendo crônicas e comentários de filmes. Frank Jorge, Márcio Petracco e Júlio Reny, sob nome de “Cowboys Espirituais”, gravam de improviso duas músicas para a namorada de Júlio (Melissa, sua futura esposa): Uma Mulher e uma versão de Como é grande o meu Amor por Você, de Roberto Carlos.

1998- A demo toca bem no rádio, e a brincadeira fica séria. As 15 Mais da Ipanema, estourando em todo o sul. Concluem um álbum e são contratados pela gravadora Trama que lança nacionalmente o CD Cowboys Espirituais, puxado por Jovem Cowboy que conquista o Prêmio Internacional de Revelação da América Latina do CMT (Country Music Television) de Miami/EUA.

1999- Realiza vários shows sobre o disco no RS, Rio de Janeiro e São Paulo. Nasce a segunda filha, Larissa da Silva Barbo.

2000 e 2001- Reedita em CD seus principais trabalhos incluídos na fita Último Verão (do falido Piratas Sulistas) e no vinil Júlio Reny e Expresso Oriente. Frank Jorge parte para carreira solo e Júlio lança o projeto “Júlio canta Roberto Carlos”, com sucesso de público na noite de Porto Alegre.
Os Cowboys Espirituais gravam seu segundo disco De Luxe, pela Stop Records.

Texto extraído do livro "Sons do Sul" de Henrique Mann.
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