Biografia de Edilberto Silva

Como até o fechamento para a impressão deste volume não conseguimos reunir dados biográficos do poeta Edilberto Silva, publicamos em seu lugar o prefácio de sua coletânea de versos românticos intitulada de: “Sonhos d’Alma”.

“Antelóquio

Na época atual, em que a poesia vem evoluindo aceleradamente, adquirindo novos ritmos, tornando-se menos monótona, mais leve, mais consentânea enfim com o espírito vertiginoso do século realista que atravessamos, o presente livro constituirá, estou certo disso, uma verdadeira manifestação de retrocesso intelectual.

Assim sendo, julgo-me na obrigação de pleitear antecipadamente perante o provável leitor, a obtenção da necessária indulgência, afim de que não me considere infenso ao processo da arte de versejar.

Circunstâncias diversas, decorrentes da luta pela existência e inteiramente alheias à minha vontade, conforme passo a expor, obrigaram-me à escrever assim a moda antiga, como se estivéssemos em plena era do pleguismo romântico. 

Assoberbado desde a mais tenra idade pelos múltiplos encargos da vida material hodierna, trabalhando quotidianamente de modo exaustivo, não me foi possível acompanhar “pari-passu”, como seria de meu desejo, o evoluir da arte poética e muito menos aprimorar o pequeno cabedal de ilustração adquirido quando de minha rápida passagem pelos bancos escolares.

Sentindo todavia por temperamento, necessidade de produzir em verso alguma coisa, coligi os menos defeituosos e organizei a presente coletânea, que hoje vem à luz da publicidade, no intuito exclusivo de receber da crítica os ensinamentos indispensáveis.

Considerando por outro lado, que só os possuidores de grande talento artístico conseguem manejar com sucesso os chamados versos soltos ou brancos, isto é, sem rima, deliberei valer-me do único recurso disponível e que seria a minha tábua de salvação: dizer o que sentia, poetando mais ou menos como se fazia antigamente, as silabas e as pausas contadas pelos dedos, conforme de há muito aprendi, ainda que com este expediente, chegasse a escandalizar os que, com mais capacidade e erudição, desbravam n’este momento a promissora senda do futurismo.

O Autor”

 

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