Crônicas de Den, o velho bardo místico!

A primeira viagem

Parte II - Fatos estranhos em Lendell


Todos foram levados para casa de Estur, e lá foram bem tratados. Até que chegou a noite e todos se reuniram na casa de Estur, para discutir o assunto das criaturas misteriosas, sentaram-se todos numa mesa redonda, Fiarn, Airok, Kiensai, o clérigo, Ifelios, o elfo azul, e eu, meio desconfortável por estar no meio de homens tão fortes e de sabedoria, enquanto eu era apenas um garoto de uma cidade de beira de estrada, mesmo assim estava muito feliz de estar ali, Estur se encarregou de trazer comida e bebida para nós, e de vez em quando ficava na porta tentando escutar algo, enquanto a mulher com seu filho estavam sob os cuidados da esposa de Estur.
Todos contaram um pouco de sua história, e porque de estarem viajando por ali, aqui vou relatar resumidamente o que aconteceu.
-Como já disse, - começou Airok - venho do Reino do Sol no Leste, depois dos desertos, vinha com um grande grupo, mas muitos desistiram no caminho, os outros foram para a capital do deserto, apenas seis chegaram em Béren, três ficaram por lá, e outros dois vieram comigo para Sihn.
-Vínhamos atrás de ajuda - continuou ele - uns para o deserto, outros Béren, outros para Sihn, e ainda iríamos para Ulfgar, pois ajuda era necessária nos reinos do Leste. Estávamos sendo atacados por trolls e criaturas dos pântanos, com muita freqüência, claro que estávamos sempre preparados para ataques como esses, mas eles agora atacavam em massa e não só nas periferias das florestas, mas invadiam a cidade e matavam a todos que vinham pela frente, e isso com certeza não é comum, e menos comum, foi o que aconteceu alguns dias antes de sairmos, orcs e goblins foram vistos em plena luz do dia, conseguimos aniquilá-los, mas isto nos assustou muito. Com medo de um ataque em massa, com objetivo de destruir a cidade, Derem, rei dos homens no Leste, nos mandou para pedir ajuda as cidades do Oeste, que são conhecidas por abrigar bastantes guerreiros, e pedir para o povo do deserto, que sempre nos ajudou em momentos difíceis, e, além disso e principalmente porr isso, tentar encontrar uma resposta para esse, que consideramos, um grande enigma.
-Mas infelizmente, vejo que aqui as coisas não andam muito melhores, essas criaturas nas estradas, se mostram um enigma ainda maior.
-Com certeza! - disse Fiarn - Infelizmente, digo que no deserto as coisas não andam também muito melhores, e acho que seus homens não irão conseguir grande ajuda lá - disse ele voltando-se para Airok - pois venho também atrás de ajuda, e neste momento, alguns dos meus homens devem estar a falar com o rei Derem, também atrás de ajuda, meu grupo veio para o Oeste, assim como Airok, atrás de ajuda!
-Lá - continuou Fiarn - além das já conhecidas criaturas do deserto, tem sido visto homens com olhos vermelhos montados em criaturas tão troncudas como wargs, mas adaptadas para homens, eles atacam sempre pela noite e vestem mantos cobrindo seus rostos, deixando apenas a vista seus olhos avermelhados espalhando terror por onde passa! Mas, o que mais nos preocupa é que eles não estão atacando apenas por matar, eles têm algum objetivo concreto, e acreditamos que seja algo relacionado com uma de nossas tumbas, pois seus ataques sempre procuram elas, se forem analisados nos mapas.
-Logo, viemos atrás de ajuda, não ajuda armada, pois não é preciso um grande número de guerreiros para acabar com eles, mas sim um grande plano de investigação. Desconfiamos que esses homens foram seduzidos pelo mau de alguma forma, pois seus corpos mortos mostram homens aparentemente normais, mas não do deserto, ou seja, eles já foram homens normais antes, logo decidimos visitar alguns reinos para saber se eles sentem falta de alguém, ou se um grande grupo de pessoas desapareceu. Caso isso não se confirme suspeitamos que sejam homens vindos das colinas ao sul, ou até mesmo, das terras lá embaixo que são desconhecidas.
-Bom, enquanto estive na minha terra não fiquei sabendo de nenhum desaparecimento, - disse Airok - a não ser das pessoas levadas pelos trolls, muitas delas já mortas, outras ainda vivas, mas pensávamos que eles usavam esses corpos apenas como alimento, já que aquilo parecia um ataque tão descontrolado. Mas agora que diz isso, vejo que pode haver outra explicação.
-Tudo começa a ter sentido agora! - disse Fiarn - Mas uma questão ainda me atormenta, o que o senhor Kiensai veio fazer nas terras de cá? O senhor não estava em nenhum grupo que saio do deserto.
-Sim, é verdade! - respondeu Kiensai - Não estava em nenhum grupo que saio com você. Mas algumas coisas aconteceram desde a sua saída. Para começar recebemos o pedido do rei Derem, apesar de apenas um homem ter aparecido, os outros, segundo ele, pereceram no perigoso caminho pelo deserto. Por isso já sabia de tudo que foi dito aqui, até mesmo o caso do desaparecimento das pessoas da terra de Airok. Trago noticias totalmente novas, e muito mais preocupantes, pelo que parece eles conseguiram o que queriam, roubaram o corpo do antigo príncipe Gestiu, e sua espada sagrada Kitario, e pelo que parece eles não querem parar por ai, pois ainda continuam rondando nosso reino. Acontece que a espada Kitario foi feita pelos elfos de Clannorian, dada de presente para nosso príncipe para selar uma aliança entre os dois povos, e foi batizada com o nome do pai do príncipe, pois ele morreu numa batalha ajudando os elfos, mas isso é uma outra história. O que importa é que fui enviado, junto com um monge que morreu na estrada, para pedir ajuda aos elfos, pois estes devem saber o que esta espada tem para ser desejo destes homens enfeitiçados.
- Então nossa rota terá que ser desviada para a floresta de Clannorian - disse Fiarn.
- Exatamente - respondeu o clérigo.
- Sinto que não me resta nada a fazer além de ir com vocês para Clannorian - falou Airok - mas não antes de saber mais uma coisa, que ainda me deixa intrigado, o que afinal de contas um elfo azul veio fazer aqui no sul?
Neste momento todos se viraram para o elfo, que tinha sido esquecido por um momento.
- Pensei que nunca perguntariam. - Respondeu Ifelios - Venho por um motivo não muito diferente do de vocês. Fatos estranhos acontecem em Lendell, e as geleiras infelizmente não estão isentas disso. Há alguns meses, recebemos a visita de Gelius, nosso deus, na forma de um urso polar, e isso não acontece há varias gerações. Ele nos alertava sobre criaturas grotescas saindo de Mirta, a montanha mais alta das geleiras, essas criaturas atravessavam o mar de alguma forma e invadiam Lendell, por isso Gelius ordenou que uma tropa fosse armada para invadir o covil, em Mirta. E isso foi feito. Acontece que ao chegarmos lá, não conseguimos achar nenhuma passagem para dentro da montanha de gelo, logo decidimos voltar e pedir auxilio para nosso deus.
- Foi quando, na ultima noite antes de voltarmos, vimos do nosso acampamento, uma coisa pequena se movendo perto do paredão da montanha, e ela parecia muito com as criaturas que encontramos na estrada, a diferença é que essa vestia roupas, e usava uma tiara com um símbolo estranho, que fica no meio da testa, o símbolo tinha a forma de um sol, um sol enegrecido. Essa criatura fez alguns gestos, e nós observamos, em seguida uma porta foi sendo desenhada na parede, foi como mágica, logo uma porta de verdade apareceu e a criatura entrou, e a porta se fechou atrás dela. Na manhã seguinte vimos do mesmo lugar uma porta se abrindo de novo, e de lá uma quantidade enorme de criaturas iguais saio, eram criaturas idênticas as que vimos na estrada, ainda tentamos lutar com elas, mais estávamos em número muito pequeno, fugimos.
- Ao contarmos isto parta Gelius, ele ficou muito preocupado, disse que o sol negro era o antigo símbolo de Talivora, e que essas criaturas poderiam ser de uma antiga ordem de Talivora que estava voltando. Gelius nos mandou descer para Lendell, para saber o que elas faziam aqui. Nossos ladinos descobriram que seu líder era a criatura que vimos abrindo aquela porta, e que ele andava conversando com alguns trolls dos pântanos, e alguns Hobgoblins de Boquinagar, estávamos com medo de uma união entre Boquinagar e os pântanos, e mais essa antiga ordem de Talivora. Viemos para o sul para alertar as pessoas daqui, do que estava se armando nas fronteiras norte de Lendell.
- Vejo que isso não muda nossa rota - disse Airok
- Sim! - disse Fiarn - O que concluímos então, é que, uma antiga ordem de Talivora ressurge vinda das geleiras, e essa ordem provavelmente está armando alianças com Boquinagar e com os Pântanos dos Trolls. Esses Trolls juntamente com orcs e goblins, provavelmente de Boquinagar, capturam homens do leste e os transformam em homens de olhos vermelhos e capuz negro, esses por sua vez montam em wargs, e invadem o deserto, roubando a espada Kitario e o corpo do nosso antigo príncipe, e isso não sabemos para que, sabemos que eles querem outra coisa, pois esses homens de capuz ainda rondam os desertos, e sabemos também que a espada roubada foi feita pelos elfos de Clannorian, e eles devem saber o poder da espada, e logo devem saber também, qual o propósito do roubo.
- Então vamos para a floresta dos elfos amanhã pela manhã - disse eu meio que de "supetão" - sempre quis ver elfos azuis, verdes e de todas as cores, um azul já vi hoje, o que verei mais nesta viagem, me pergunto agora.
Todos me olharam meio espantados e querendo saber o que eu estava fazendo ali, foi quando Fiarn falou:
- Ah! Esqueci de apresentar-lhes este é Den, e apesar de pensar que está indo para uma viagem de férias, está indo para sua primeira "aventura" como ele costuma dizer. Ele pode não nos ajudar na batalha , mas é o que poderá contar nossos feitos para todos num futuro distante.
- Obrigado por lembra de mim, Fiarn - disse-lhe eu.
- Futuro! - Exclamou Airok - Não vejo muito futuro quando falam em "uma antiga ordem de Talivora". Isso não é um passeio meio jovem. - disse ele para mim.
- Mas eu tenho certeza de que serei de grande ajuda - disse-lhe eu, mesmo sabendo que não poderia fazer na verdade absolutamente nada, afinal nem uma espada eu tinha.
- Bom, deixemos que venha - falou Kiensai - pois pelo que vejo, logo essas criaturas estarão nas cidades, e ele estará mais seguro conosco, do que nesta cidade sem nenhuma milícia para guardar sua gente. Vamos dormir, pois como disse o jovem Den, partiremos pela manhã, e hoje foi um dia cansativo para todos nós exceto é claro para ele. Mas vamos, vamos dormir.
Estur preparou camas e colchões e cobertores para todos, inclusive para mim, que estava com medo deles partirem sem mim na manhã seguinte. Demorei um pouco para dormir naquela noite, pois pensava se realmente devia ir, afinal eu poderia atrapalhar mais que ajudar, e isso tudo parecia um acontecimento muito importante, não apenas uma caçada a um dragão para pegar seu tesouro, mas isso parecia definir um futuro incerto de Lendell, foi nesta noite, que ao ver por um pequeno buraco no teto a luz do luar entrando no quarto, que me veio na mente meus primeiros versos:

"A luz do luar é sábia
mas nem ela
nem as nuvens que a cobrem
podem desvendar o que
as trevas trazem do passado..."

Imaginei vários versos naquela noite, e esses não foram os melhores que fiz, mas foi o que passei para o papel no dia seguinte, e os que lembro neste momento, pois escrevi muito mais alguns dias depois.

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