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Crônicas
de Den, o velho bardo místico!
A
primeira viagem
Parte
I - Estou atrasado!!
-Estou
atrasado! - foi a primeira coisa que gritei quando acordei aquele
dia, o sol já estava alto, e a primeira carruagem do dia
já devia estar longe.
Peguei minhas roupas, corri para cozinha comi um presunto com ovos,
e aquelas palavras não saiam da minha cabeça - "Estou
atrasado, estou atrasado!!!" - e quanto mais eu procurava correr,
mais eu me atrasava, como deve acontecer sempre com vocês
também, algumas coisas do tipo aconteceram várias
vezes - o botão da camisa não entrava no buraco; o
pote de manteiga caiu; a correia da mochila estava frouxa, enroscou
na maçaneta e tudo que tinha arrumado na noite anterior caiu
no chão, e agora estava mais atrasado que nunca.
Quando finalmente consegui sair de casa, uma carruagem acabava de
passar pela minha porta, tentei até gritar para a carruagem,
mas foi em vão. "Minha primeira aventura foi adiada
mais uma vez",pensei, passei a semana toda planejando viajar
para a primeira aventura que poderia escrever, ou fazer alguma música
para ela, em fim, vida de bardo não era fácil em Birtinem,
afinal não acontecia nada naquela pacata vila,logo resolvi
sair procurar algo para contar, pois era meu sonho ser um bardo.
Fiquei sabendo que na manhã daquele dia um grupo de aventureiros
iria passar por ali e pegar a primeira carruagem para Ulfgar, coisas
estranhas estavam acontecendo na floresta aos pés da montanha,
eles iriam resolver algo com os anões, e a simples menção
da chegada de meros aventureiros na cidade, tornou a cidade de pernas
para o ar, e logo toda aquela cidade de fofoqueiros já estava
sabendo da chegada deles, inclusive eu que aproveitei e planejei
tudo para partir com eles, nem mesmo sabendo se eles me acolheriam,
pois naquela época eu era bastante jovem (mais ainda lembro
bem de tudo aquilo) e inexperiente, mas como nenhum aventureiro
parou em Birtinem nos meus 19 anos de existência, essa seria
minha única chance. Mas por obra do destino, acabei por dormir
demais, perdi a carruagem.
Mesmo assim, decide ir embora, mesmo que fosse sozinho, não
agüentava mais aquela cidade de ignorantes, e não tinha
mais nada a perder, poderia ir para Sihn e ganhar a vida de qualquer
forma, até mendigar em Sihn parecia mais sensato que ficar
em Birtinem naquele momento.Fui ainda cabisbaixo para o estábulo,
onde saiam as carruagens, ao chegar lá havia um homem de
pele morena, tipicamente como os homens do deserto, ele tinha um
arco no colo e uma espada katana na cintura, vestia uma armadura
de aparência leve muito estranha, e estava coberto por um
longo manto, estava sentado e pensativo num pequeno banco, ao lado
dele, em pé, um gordo apoiava-se numa coluna de madeira,
era Estur o dono do estábulo, ele parecia acompanhar com
os olhos a carruagem que havia saído a pouco, até
perdê-la de vista. Quando cheguei, ele desviou seu olhar e
seus pensamentos para mim e falou:
-Sim! - como que respondesse a pergunta feita pelo homem, agora
a pouco.Logo parti para a próxima pergunta e antes de falar
qualquer coisa ele interrompeu:
-E a próxima sairá antes do meio dia, não se
preocupe Den, terá muitas outras oportunidades, veja este
homem ao lado, não aparecem homens armados em Birtinem desde
de que te conheço por gente, e ele não é do
grupo que esperava, pois viu eles saindo agora a pouco, e eles tinham
bastantes armas, aliás, nunca vi tantas armas desde o dia
em que...- neste ponto o interrompe.
-Poupe-me de suas histórias de quando eu ainda não
existia e as coisas eram muito melhores!!!
Quando Estur começava a falar demorava muito a acabar, ele
sempre falava de acontecimentos da época em que Birtinem
era uma cidade movimentada e cheia de aventureiros que eu adoraria
ver, apesar de só ele contar essas histórias, eu acabava
acreditando e ouvindo, mas não naquele dia.Eu realmente estava
interessado no homem ao lado.
-Bom, então se sente e espere a próxima carruagem,
terá a companhia do homem do deserto.Vou me retirar e cuidar
das minhas coisas. - com isso Estur entrou no estábulo e
eu sentei ao lado do "homem do deserto", para ver se conseguia
alguma coisa dele.
-Olá, meu nome é Den Belask - fiz uma reverencia para
o homem.
-Olá, sou o Fiarn - respondeu ele, desviando seus pensamentos
- então seremos parceiros nesta viagem não é?,
eu venho do deserto, como o gordo disse, estou caminhando há
dois dias, perdi meu cavalo e meus companheiros perto de Béren,
coisas estranhas estão acontecendo na estrada, criaturas
estranhas, na verdade assustadoras.Nunca vi aquilo em nenhum outro
lugar - ele falava aquelas coisas como se estivesse falando sozinho,
depois se voltou para mim e disse - não devia estar contando
estas coisas terríveis para você, mas precisamos estar
precavidos caso apareçam de novo na estrada, você não
acha?
-É, claro, mas este tipo de coisa não acontece pela
estrada de Béren, e é por isso que não consigo
ser um bardo, não tenho histórias para contar, só
se forem tiradas da minha cabeça, vivo de vender produtos
de barro para viajantes que passam por aqui, quase nunca (ou nunca)
são aventureiros, mas cansei desta vida, quero ser um bardo
de verdade, para contar feitos de heróis em grandes tavernas,
e é por isso que estou indo para Sihn, procurar o que e para
quem contar esses feitos em forma de música.
-Ora e o que é um bardo sem sua viola, não vejo nenhuma
com você - disse ele rindo - assim que você não
vai para frente mesmo...
- Mas onde consigo uma neste fim de mundo, e não tenho o
ofício de fazer tal coisa.
-Pois pode escrever, essas criaturas que eu vi, vão dar uma
boa história, meu amigo, a viola, podemos arranjar em Sihn,
e sua primeira música será sobre nosso feito heróico,
Den, o Bardo.
-Bom, então espero encontrar tais criaturas, se você
me ajudar com sua espada.Fiarn, o guerreiro do deserto. - Nós
rimos muito sobre outras coisas que conversamos, mas logo ele voltou
a ficar sério e disse:
-Infelizmente, meu amigo, essas criaturas não serão
motivos de risos, não o que está por trás disso
tudo, não haverá risos!!
O rosto de Fiarn ficou sombrio, e tive medo de perguntar o que estaria
por trás disso tudo. Conversamos algum tempo depois por mais
alguns minutos, ele falava muito e era muito bom conversar com ele,
até o momento que ele parava e lembrava dessas tais criaturas,
mas afinal era um rapaz um tanto jovem e bastante simpático
com certeza.
Algum tempo depois chegou uma carruagem, logo Estur voltou e mandou
a carruagem parar com um aceno de mãos, um homem armado ao
estilo dos homens do leste, estava com as rédeas dos cavalos
e parou a carruagem.
-Onde está Normir? - perguntou Estur para o homem - E quem
é o senhor?
- Sou Airok, do reino dos Homens do Leste, e se Normir é
o homem que conduzia a carruagem, lamento dizer que ele está
morto, assim como dois de meus amigos, e outras pessoas que estavam
na carruagem, largamos seus corpos na estrada, pois batemos em retirada,
para que pudéssemos estar falando com o senhor neste momento,
ou seja, nós morreríamos se ficássemos!
Assustado, Estur perguntou:
-Mas o que aconteceu na estrada meu senhor?
-Criaturas nunca antes vistas, andam com as mãos no chão,
parecem não ter pele, carne viva e veias pulsando cobrem
seu monstruoso corpo, suas mandíbulas parecem frágeis,
mas uma mordida dessas criaturas poderia ser fatal, eles atacam
com uma verocidade, que não gosto nem de lembrar, mas que
são difíceis de esquecer - disse Fiarn com a cabeça
baixa falava e nos seus olhos via-se um medo horrível - eles
parecem serem filhos saídos do ventre da própria Talivora!!!
-Exatamente! - exclamou Airok - Então também os viu?
-Sim! - respondeu Fiarn - fui atacado há dois dias atrás,
perdi meu cavalo e todos meus companheiros.
-Sei o que sente, pois, como já disse, perdi dois amigos
e boa parte das pessoas que vinham de Breten pereceram na estrada
- disse Airok virando-se para a carruagem e tirando o pano que cobria
o interior do veiculo - apenas estes sobreviveram, mas estão
precisando de cuidados médicos urgentes, por isso parei nesta
que foi a primeira cidade de beira de estrada que encontrei.
De dentro da carruagem saiu uma mulher segurando seu filho de cinco
anos, os dois estavam feridos.
-Oh!!, Venham, entrem na minha casa, lá terão os cuidados
de minha mulher, e será o melhor que podem ter, pois aqui
não tem nenhum tipo de lugar onde as pessoas se curem - falou
Estur conduzindo a mulher para sua casa.
Atrás da mulher veio ainda mais duas pessoas, uma parecia
vir do deserto também, era um pouco mais velho e suas vestimentas
eram entranhas.
-Mas isto é ótimo, um clérigo de Shinkarí,
deus dos desertos e dos orientais!! - exclamou Fiarn perto de mim.
Ele estava muito debilitado, teve que ser carregado pelo outro rapaz
que faltava sair da carruagem, era um elfo, mais precisamente um
elfo azul, seus cabelos eram esbranquiçados, seus olhos eram
azuis e penetrantes, sua pele era mais branca que o normal, era
idêntico aos elfos azuis contados nas lendas, ele vestia roupas
cinzentas e tinha uma espada e um escudo nas costas.
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