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Encontro
marcado no Outro Mundo - Morte aos Weahas!!!
Narrado por Anwir
Tlin.....Tlin....Tlin...Tlin..Tlin.
O som da chuva nas armaduras. Noite de chuva. Não podíamos
parar, caminhamos a passos largos por mais vinte minutos e paramos
antes da corrida final, para a guerra! A grama estava enlamaçada,
mesmo assim todos se jogaram no chão, uns para orar outros
para descansar, e a maioria para fazer os dois, inclusive eu.
Há
duas semanas atrás tomamos os acampamentos de Kernow no sul,
porém, não esperávamos que eles, os weahas,
fossem reagir tão rápido, acabamos por perder muitos
homens, e fizeram muitos de nós de prisioneiros. Um deles
era meu filho, e ele era o único motivo que me fez vir a
esta guerra, tivemos que recuar para armar um grande ataque, que
é este, e será o último, pois, Artur com certeza
estará com eles, e se perdemos, não teremos como ganhar
do lendário Artur outro dia.
Dormi
um pouco quando chegamos a colina Ermech, a ultima antes da descida
triunfante até o forte inimigo, demoramos ums trinta minuutos
descansando, ao menos foi o que cauculei ter dormido quando Ynwon,
meu companheiro de lança, me acordou.
- Anwir!
Vamos acorde, vamos descer agora, com toda rapidez, você vai
ficar atrás do aríete junto comigo, vai entrar na
fortaleza assim que derrubarmos o portão.
- Atrás
do aríete, onde mais gosto, quando chegar no portão
já derrubaram todo óleo quente. Vamos!
Levantei
e nos ajeitamos, estávamos atrás da parede de escudos,
bem no centro onde estava o aríete.
- Atenção!
- começou a falar o capitão Cirdic para todos - Está
noite será decisiva para nós que queremos estas terras,
se não conseguirmos não haverá outra chance,
e morreremos sem glória. Mas, se conseguirmos, nossos nomes
serão lembrados em todo país, pois, ele será
nosso, será uma nação Saxã para sempre!
- gritos e batidas de lança no chão. - Nossos filhos,
pais, mães e mulheres estão lá aprisionados
ou mortos, vamos vingá-los do jeito que sabemos melhor. Com
a morte!!! Morte aos weahas!!! Avante Saxões!!!
Repetidos
gritos de "morte aos weahas". Weaha era como nós
chamávamos os britânicos que queria dizer estrangeiro,
mas de uma forma pejorativa, assim como os disgraçados nos
chamavam de sais.
Depois de muita gritaria partimos, corremos, pois não faltava
muitos metros da colina Ermech para o portão de Caer Cadarn.
Porém,
muitos dos nossos já estavam lá na frente, a maioria
arqueiros, escondidos atrás das catapultas que já
lançavam as pedras. Enquanto os arqueiros já atiravam
contra os arqueiros deles, de lá eles não atiravam
nada além de flechas, mas eram muitas. A guerra havia começado.
Passamos dos arqueiros deixando-os para trás atirando. Preparamos
o aríete e fizemos o telhado de escudos, eu estava bem atrás
esperando o óleo quente, olhava para cima com medo, nenhuma
flecha me acertava, estavam atirando nos soldados de trás,
esperando que quando abrissem os portões nós seríamos
poucos.
Eu
odiava óleo quente, minha perna esquerda é totalmente
queimada, resultado de uma batalha há muitos atrás,
e desde então tenho evitado os portões, preferindo
as escadas. Mas desta vez estava ali.
Batida
no portão, foi e voltou com o aríete. "Segurem
o portão!" diziam eles lá dentro. Segunda batida,
o portão foi e voltou com o aríete, eu olhava para
cima esperando o óleo, mas nada acontecia. Alguma coisa estava
acontecendo lá em cima, havia luta lá, porém,
nenhum saxão havia subido. Terceira batida, mais gritaria
lá dentro e agora sons de espadas sendo sacadas e aparadas,
sim, luta com certeza. Finalmente consegui ver lá em cima,
homens vestidos de britânicos, lutando contra... Britânicos!
Quarta
batida com bastante força, e ouvi o óleo ser derramado,
mas eu apenas ouvi, pois, pelo que entendi o óleo caiu para
o outro lado.
-Os
miseráveis estão lutando entre si, vamos nos juntar
a eles! - gritei e incentivei a quinta batida.
Quinta
batida, derrubamos o portão, entramos como um enxame com
o rosto cheio de fúria, mas quando finalmente consegui passar
pelo portão só encontrei muitos corpos caídos,
e óleo espalhado pelo chão, os traidores haviam feito
um bom trabalho.
A minha
frente vi o forte pincipal acima da torre de menagem, nos flancos
do pátio algumas catapultas estavam abandonadas. Nos dividimos,
alguns subiram para as muralhas onde estavam os arqueiros, outros
adentraram no forte por uma escada que passava por cima da torre
de menagem, outros foram para a torre de menagem, como eu, e outros
ainda subiram pelas escadas do lado de fora, onde nossas catapultas
já trabalhavam.
Na
torre de menagem havia pouca coisa, pilhamos o que podiamos, mas
sai logo, pois queria achar a sala dos prisioneiros para ver meu
filho. Quando saí para o pátio, este estava cheio
de gente, uma avalanche de soldados britânicos havia saído
do forte e havia muita luta agora no pátio. Tentei abrir
espasso e começar minha matança pessoal quando Ynwon
me gritou.
- Hei
Anwir! Encontrei a sala dos prisioneiros venha!
Ynwon
estava na escada que dava para o topo da muralha, mas era difícil
chegar lá, muitos soldados inimigos estavam no pátio,
tentei passar por eles, mas era impossivel sem gastar muito tempo,
o pátio estava lotdado de britânicos e saxões,
e alguns lá fora já escalavam as muralhas do lado
de fora com escadas, mas eu não tinha tempo, precisava ver
meu filho, saber se ele estava vivo.
Olhei
para as cataputas abandonadas ao meu lado, pequenas, para lançar
a curtas distancias, porém sem munição. Havia
um saco ao lado da concha, haviam cabeças de prisioneiros
lá. Fiquei pálido, qual teria sido o destino do meu
filho? Não tinha mais nada a fazer além disso: Subi
na catapulta, me coloquei em pé na concha onde se coloca
o projétil, cortei a corda que já estava preparada,
saltei. Vi tudo lá de cima, weahas matando saxões
e vice-versa fiquei deslumbrado com tal visão, e só
quando estava quase caindo lá fora que percebi uma escada
que acabara de ser erguida, me espatifei nela e cai no chão
da muralha. Quase fui pisoteado por um britânico, mas este
me levantou, logo pensei ser um dos traidores, mas ele tirou o elmo,
era Dwyng, um velho amigo, que não lutava mais, fora capturado
em Kernow, era um dos prisioneiros vestido de britânico.
- Então
este é o mistério dos traidores! - comentei - Dwyng
seu disgraçados, ainda bem que está vivo. E Anwor,
meu filho, com está ele? Está na sala dos prisioneiros?
- Não!
- respondeu ele com um ar de lamento - Ele não está
com os prisioneiro - parei e pensei nas cabeças. Olhei para
ele que estava com um sorriso no rosto. - Ele não está
com os prisioneiros poque agora é um traidor weaha como eu!
E está com o elmo da Dumnonia como este. - apontou para o
elmo que usava.
- Graças
aos deuses, Dwyng seu filho de britânica! - Abraçei
ele e gritei - Morte aos weahas! - e quem estava do meu lado ouviu,
e gritou também. Já não havia muita gente nas
muralhas e todos começaram a descer para a batalha no pátio.
- Onde
está Anwor, Dwyng? - perguntei - Preciso vê-lo!
- Deve
estar lá em baixo, vamos descer!
Descemos
pelas escadas, estávamos ganhando lá embaixo, a vitória
era iminente. E eu me perguntava, onde estaria o tal Artur, com
certeza aquele não era tudo que a Britânia tinha, a
Dumnonia era o reino mais forte, e mesmo assim conseguimos conquistá-lo
- estava muito fácil.
No pátio não havia quase nenhum britânico vivo,
mais um chamava-me atenção, pois só agora consegui
vê-lo, era alto forte e musculoso, e estava a matar todos
os saxões com apenas um golpe em cada um, tinha muitos anéis
na barba e não usava armadura, seria ele Artur?
Mas
havia um outro ao lado dele que só fazia aparar os golpes
dos saxões, meio desajeitado, mas não se feria, estava
atrás do homem grande. Não restava nenhum britânico
no pátio apenas ele e o outro, fez-se um círculo,
apesar de sermos muitos aquele homem dava medo, ele falou:
- Quem
desafia Owain, o campeão da Dumnonia? - Muitos o atacaram
mais todos eram mortos, começamos a recuar, e então
o outro homem se virou e acertou sua espada no ventre de Owain,
este gemeu mas logo se virou e cortou a cabeça do traidor.
- Mais um traidor!! - o elmo do traidor caiu, já sabia que
era um saxão, e eu o conhecia, o elmo caiu de sua cabeça
que rolava. Anwor, meu filho!
Corri
enquanto Owain gritava desafios com a mão no ventre ferido,
ninguém se aproximava, apenas eu, ele se preparou para estocar,
mas eu aparei com facilidade, e joguei sua espada longe, o fogo
dos deuses estava em mim agora, estoquei minha espada no seu pescoço,
ele morreu com um grito embolado na garganta. Girei para meus companheiros
e gritei chorando.
- Vitória!!!
Mas
aquilo não era verdade, pois agora lá fora onde antes
havia muitos dos nossos solados existia poucos agora. E haviam muitos
cavalos, que não eram nossos, cavalos com cavaleiros montados,
cavalos terríveis, com narinas cortadas, patas peludas e
ferradura lisa. Tinham escudos de couro presos ao peitoral, muitos
cavaleiros emplumados, e um se destacava , pois usava um elmo hediondo,
todo negro, com apenas tres buracos, para olhos e boca, era feito
de prata pintado de piche, tinha uma plumagem de pena de ganso,
usava ainda um manto branco que ele tirou e deu para seu arauto
que estava segurando seu estandarde, que tinha o desenho de um urso
negro.
- Saíam
daqui saxões, pois esta terra não lhes pertence, quem
fala é Artur protetor do rei Mordred, e esta - nesse momento
desembanhou sua espada - esta é Excalibur, que irá
cortar a cabeça de qualquer um que desobedecer minha ordem.
Não
tinha pelo que lutar, pois meu filho havia morrido, mas o sangue
da vitória ainda queimava com o fogo dos deuses pelo ódio
em mim causado. Resolvi morrer e encontrar meu filho no Outro Mundo.
- Morte
aos Weahas! - Gritei e corri na sua direção, todos
me seguiram, e alguns dos cavaleiros avançaram e mataram
muitos de nós, mas Artur ficava imóvel e me encarava
por trás de seu elmo, e eu continuava a correr na sua direção.
Quando estava há poucos metros de Artur, ele correu na minha
direção com seu cavalo, eu o ataquei com o gume da
espada, mas ele aparou com facilidade, jogou minha espada longe,
como fiz com Owain, e depois perfurou minha barriga, e tirou a espada
com rápidez. Me virei e ainda vi ele matar muitos de nós,
caí.
Tudo
começou a ficar mais escuro do que já era, a chuva
mudava de cor. O grito de dor agora parecia longe e vozes me chamavam.
Chamados para o banquete dos deuses, dados aos que morriam bravamente
em batalha. E agora via o rosto do meu fiho, ele estava sorrindo,
sorri para ele também. Perdemos. Não vamos ser lembrados
com glória. Mas nossa recompensa esta nos esperarando.
- Mas
você matou o campeão, e eu também o acertei!
- ouvi a voz do meu filho.
- Sim!
É verdade.
- Livre-se
dos pensamentos podres, sem mais dor, sem mais deuses. - catarolava
meu filho.
Começei a flutuar, e antes de fechar os olhos ainda pensei.
- Melhor do que morrer pela espada de qualquer britânico,
é morrer pela espada do lendário Rei Artur, o rei
sem coroa. Excalibur fez minha passagem para o Outro Mundo. Vamos
meu filho, você também veio não é?
- Sim
pai, estou aqui! Não achava que isto poderia acontecer, mas
estou com fome, os deuses nos esperam, se eles realmente existem.
-Sim
você veio! Mas não poderá tomar hidromel, é
muito novo para isso.
-Tudo
bem, mas vamos logo, estou louco para vê-los. Vamos! - me
puxou pela mão e flutuamos.
Fomos
embora.
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