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Da
morte e da não vida
Não me arrependo de morrer nas mãos de uma mulher,
seus poderes nunca foram questionados e ela realmente mudou a história
desta terra, ninguém sentiria vergonha de ser derrotado por
uma pessoa com tal fama. Mas, depois de tantos anos de preparação
e espera para confrontar-me com meu verdadeiro inimigo...
Não posso dizer que não o enfrentei, mas naquelas
condições, naquela situação em que ele
se encontrava... Lembro-me do tempo que ainda era seu pupilo, quando
passávamos tardes inteiras debatendo táticas de combate.
Eu esperava viver as aventuras que ele havia vivido, eu sonhava
me tornar um herói , ele era um herói. Lembro-me de
minha primeira campanha, eu aspirante a paladino fui enviado com
um grupo de paladinos em treinamento para manter a segurança
de um templo recém construído na cidade de Quarion,
e, para deixar-me ainda mais inquieto, sob o comando de meu mestre,
Maginkarame, líder da ordem do mangual 2ª tropa de elite
dos paladinos do deus Kalin. Eu era invejado por ser seu discípulo
e tão precocemente aderir à ordem do mangual.
Nossa estadia em Quarion foi mais extensa do que imaginávamos,
os elfos nunca aceitaram de bom grado a presença de seguidores
de outro deus em seu território. Era difícil conseguir
seguidores naquelas terras, era difícil adquirir a confiança
dos moradores das redondezas, era difícil conseguir comida
e matéria prima para nossas forjas. A situação
não era boa, alem do mais, depois da suposta traição
que o reino cometeu com os elfos. Mas eles sabiam que nossa ordem
não dependia do império e que não nos envolvamos
com questões territoriais ou tratados de conduta.
Mesmo com todas as dificuldades, estávamos atendendo as expectativas
do conselho, e as relações com os elfos vinham melhorando,
principalmente entre meu mestre e o lendário Arethian. Eu
sabia que os elfos tinham a vida prolongada, mas as pessoas diziam
que ele estava no governo desde a guerra dos dragões. Eu
sabia, Maginkarame sabia e eu acredito que os elfos também
sabiam que Arethian tinha algo de errado, porém somente depois
de muitas décadas que veio a ser descoberta sua relação
com Talivora e os drow. Essa amizade, entre Arethian e meu mestre,
tornou-se cada vez maior, nunca me esquecerei do dia que me falou
a seguinte frase: "Brandor meu discípulo, depois de
certa idade descobre-se que um bom feitiço vale mais que
qualquer espada". No momento em que ouvi estas palavras não
entendi muito bem seu significado, pois tanto ele como eu conhecíamos
magias concebidas por nosso deus, então que feitiço
seria este que tinha mais poder que uma espada sagrada? E minha
resposta foi descobrir que algum tempo depois meu este passara a
aprender magia com Arethian, e, infelizmente, essa noticia chegou
também aos ouvidos do conselho. Onde já se viu um
líder entre os paladinos passar a aprender feitiçaria
com um governante elfo? Essa atitude resultou em uma punição
para meu mestre e este não a aceitou e retrucava o conselho
dizendo que apenas estava aprimorando suas habilidades e o conselho
o fez escolher entre a carreira gloriosa que o aguardava em nossa
ordem ou tornar-se um reles aprendiz de mago, e Maginkarame escolheu
tornar-se um reles aprendiz de mago.
Antes de sua partida, o que causou muita desordem e desgosto entre
nós, principalmente comigo que era cobrado por ser o mais
próximo do mestre, ele pediu para que eu ficasse em seu lugar
como líder da 2ª divisão. A esta altura eu já
havia adquirido meu titulo de paladino, já tinha algum renome
entre os demais paladinos e já era reconhecido pelo conselho.
Para a minha sorte o ultimo desejo de um paladino não pode
ser negado, foi difícil mais eu fiz por merecer e provei
que não havia ninguém mais apto e adequado para tal
cargo.
Os anos passaram e eu já havia retornado para Sinh, a capital,
quando vim, a saber, que Maginkarame tinha se tornado o líder
Maximo dos seguidores de Azamur o deus antagonista ao nosso. Tal
noticia corroia meus músculos e fazia ferver meu sangue,como
meu mestre se tornara líder dos mais odiado por nossa ordem,
como ele foi capaz de cometer tal traição? Eu não
tive coragem nem de ao menos ver seu rosto novamente e, para nos
enraivecer mais ainda, ele mandou construir um templo todo negro
bem em frente ao nosso. Esta atitude apenas aumentou a raiva entre
dos de ambas as ordens, a intolerância se tornou tanta que
não podiam nem ao menos se ver na rua os seguidores de cada
deus que resultava em brigas e até mesmo em mortes, foi necessário
que o nosso líder e Maginkarame assinassem um tratado de
não agressão, pois a capital estava se tornando um
caos. Mas anos se passaram e eu alcancei o cargo Maximo da ordem
de Kalin, tornei-me líder dos paladinos, clérigos,
guerreiros e demais seguidores de nosso deus, não foi fácil
e a essa altura eu já estava com sessenta anos e o peso das
décadas não me era agradável, mas o que mais
atiçava minha curiosidade era descobrir como a esta altura
Maginkarame se mantia firme e forte na liderança, quando
eu o conheci ele já passava dos 30 anos e acredito eu que
nenhum humano normal resistiria tantos anos em tal posição.
Curiosamente pouco tempo depois de assumir o cargo que ocupava até
hoje, foi que tive meu primeiro contato com meu carrasco. Já
há alguns anos que eu via uma parte de nossa ordem dedicada
a encontrar uma criança, pois diziam os sábios que
há muitos anos atrás, houve um mago muito poderoso
que havia roubado o cetro do poder, um item de poder incomensurável,
e todo o reino se uniu em uma só força contra este
mago e seus seguidores; porém este mago intitulado Black
Thorn com sua inteligência felina, alem de esconder o cetro
em uma dentre as muitas cavernas de difícil acesso nas montanhas
gélidas que se encontram ao extremo norte de Lendell, nome
dado a esta terra que habitamos, espalhou quatro chaves em toda
Lendell para possibilitar o acesso a esta caverna e ainda para completar,
apenas com o conhecimento de uma profecia seria possível
o acesso ao cetro, só que esta profecia seria revelada em
uma criança que ainda estava por nascer, desde então
nossa ordem busca encontrar esta criança. E mais curiosamente
ainda, depois de cento e vinte anos da morte de Black Thorn, em
uma cidadezinha a três dias de viagem de Sinh, acho que se
chama Dandora, quando todas as nossas esperanças já
estavam por exaurir, pois dois jovens paladinos de nossa ordem,
chamavam-se Fair e Siúl, encontraram a ta criança,
na verdade um jovem elfo, para a nossa sorte à flor de seus
cento e vinte anos. Seu nome era Tharivol Underbough e, depois que
este cruzou o meu caminho nunca mais a terra de Lendell foi a mesma.
Quatro
povos, quatro domínios.
Quatro chaves, uma corrente.
Quatro heróis, quatro guardiões.
Um só objetivo, para o cadeado liberar.
Primeiro saiba para onde olhar.
Com
estas palavras escritas em uma língua antiga e profana em
suas costas partiu Tharivol junto com seu irmão Welby, Fair,
Siul, Etiell o peregrino, grande guia e profundo conhecedor das
florestas que nos cercam, Airam Aizamot sacerdote comandado por
Maginkarame, porém, único tradutor da língua
demoníaca usada por Black Thorn em suas escrituras e Gensai
Kawakami possuidor da rosa, antigo artefato criado por anciões
do oriente para ajudar na busca pelas chaves. Seis anos se passaram
e muitas aventuras viveram estes jovens e, neste período
conseguiram juntar todas as quatro chaves junto comigo e uma comitiva
por mim formada partimos ao encontro do cetro do poder. A jornada
foi longa e para nossa surpresa, quando estávamos próximos
de ter controle de um dos itens mais poderosos já criados,
que temos a visão do já falecido mago Black Thorn
e mais surpreendente foi a descoberta de que tal mago era na verdade
uma mulher. A batalha oi árdua, mas Kalin olhou por nós
e nos agraciou com a vitória e a mim com a posse do cetro
do poder.
Mais tempo se passou e enquanto eu agradecia a Kalin pelos anos
de paz Maginkarame colocava em prática seus planos ardilosos.
E, no completar de quatro anos da morte de Black Thorn e da recuperação
do cetro, chega aos meus ouvidos a noticia de que o Tarrasque havia
acordado. Diziam as lendas que o Tarrasque era uma criatura de poder
extraordinário que destruía cidades inteiras para
saciar sua fome de caos. E diziam também as lendas que durante
a guerra dos dragões, graças aos esforços de
Falorian e Valorian, os irmãos de ouro e prata que em um
combate árduo com tal criatura, que dizem ser o avatar de
Narãn o deus da guerra, morreram soterrados junto com a criatura
em uma enorme caverna na região conhecida como Boquinagar
e desde então, nunca mais se ouviu falar de tal fera. E agora,
sem a ajuda dos dois dragões que o derrotaram e morreram
há muito tempo atrás, só seria possível
uma vitória se toda Lendell se unisse em uma só força
contra tal besta. E foi o que aconteceu, mas, não sabia eu
que, secretamente, Maginkarame havia se aliado a Cyrus o líder
dos seguidores de Narãn e que, na verdade tanto o despertar
do Tarrasque como a união de todas as ordens de Lendell faziam
parte de uma grande operação para tomar Sinh e posteriormente
toda Lendell.
A aliança entre as ordens foi feita e quando, depois de arrasar
vilarejos e plantações, o Tarrasque vinha se aproximando
da capital o combate foi iniciado. A batalha seguia e, quando precisávamos
mais do efetivo de Narãn e Azamur, ambos voltaram-se contra
nós. E de alguma forma o Tarrasque identificava os integrantes
destas ordens e não os atacava, o que resultou na derrota
e extermínio de toda a aliança inclusive a minha ordem.
Para minha sorte ou azar, Maginkarame poupou minha vida para que
eu visse todos os meus seguidores morrerem e fui banido para os
sete infernos de Talivora deusa do mal e da morte. Após a
vitória, Maginkarame destruiu nosso templo em Sinh e tomou
posse do cetro e das quatro chaves, que também tinham grandes
poderes, sendo que as chaves ele entregou a Airam Aizamot que traiu
tanto a minha confiança como a de seu grupo ao abandoná-los
nas cavernas Drow impedindo que viessem para a batalha. Enquanto
isso Cyrus e sua ordem tomaram a cidade de Breten, ao noroeste da
capital, para si e o Tarrasque voltou para Boquinagar onde adormeceu
e nunca mais se teve noticia de sua existência. Como além
das ordens da aliança o exército do reino também
estava no combate e também foi dizimado, Maginkarame e seus
seguidores não encontraram obstáculos no domínio
da capital. Porém o grupo que me ajudou no combate contra
Black Torn não estava na batalha contra o Tarrasque, que
por sinal infelizmente só sobreviveram à campanha
nas cavernas Drow Tharivol, Fair, Etiell e Gensai, conseguiram reunir
um exército rebelde e em poucos meses atacou Sinh. A rebelião
foi bem sucedida, até porque a surpresa é uma ótima
aliada. Airam Aizamot foi preso, Maginkarame morto e o cetro e as
chaves recuperados, e com o poder do cetro eu pude retornar a Lendell,
mas o que mais me impressionou foi que Airam antes de ser preso
conseguiu ressuscitar Black Torn que traiu Airam e tornou-se braço
direito de Maginkarame, este que de algum modo voltou do mundo dos
mortos, na verdade ele nem passou pelo mundo dos mortos, pois este
se tornara um Lich, uma criatura que tem sua alma aprisionada em
um objeto, e, enquanto o objeto não for destruído
esta criatura sempre ressurgirá da morte. E a partir desde
dia eu e o cetro, pois ninguém mais do que eu merecia possuí-lo,
passamos a ser caçados por Maginkarame e Black Torn e não
importava quantas vezes eu o matasse ele sempre surgia alguns dias
depois enquanto Black Torn mantia-se obsoleta. A esta altura eu
já havia saído de Sinh, abandonado meus amigos, que
não eram muitos, pois, de minha ordem, apenas Fair sobreviveu
a todos estes acontecimentos, e a idade não me deixaria resistir
por muito tempo, então, depois de mais uma longa luta contra
meu antigo mestre e de mais uma vez matá-lo, Black Torn surgiu
dentre as árvores e ela e eu tivemos longa e exaustiva batalha,
porém vencido pelo cansaço e pela idade fui vencido
e morto por minha inimiga.
Não queria que Fair se envolvesse, mesmo ele querendo, pois
o imbui da missão e reconstruir nosso templo e reerguer nossa
ordem e hoje, já na companhia de meus ancestrais, vim, a
saber, que o grupo de heróis o qual meu único discípulo
faz parte conseguiu matar Maginkarame definitivamente, posteriormente
também vieram a matar Black Torn e recuperar o cetro que
foi entregue aos sábios da montanha Baden. Minha Vingadora
Sagrada eu deixo para Fair que hoje reergue nossa ordem com as próprias
mãos, e, espero que estas informações sirvam
para ajudar-te no que for preciso amiga Diadorin, ah, quem sabe
um dia Kalin permita que eu retorne a esta terra que habitas e se
este dia chegar pretendo trilhar o mesmo caminho que trilhei nesta
vida, até lá.
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