|
Uma semente do
mal no mundo
Estamos perdendo forças,
ele está nos destruindo, e todos nossos inimigos o glorificam,
e todos os nossos guerreiros fogem da luz de seus olhos, medrosos
eles são, miseráveis pagos com comida, não
há muito de se esperar de criaturas como estas quando enfrentam
cavaleiro mais poderoso do nosso inimigo, mas eu o pegarei da próxima
vez com minhas próprias mãos, cavaleiro da luz...
Três dias se passaram desde
nosso ultimo ataque, o próximo ataque não demora para
acontecer, e dessa vez recebi ordens para esvaziar nossas fortalezas,
ninguém fica na cidadela na próxima vez, todos irão
ao combate, e eu estarei a frente deles... Mandei vários
dos meus homens, passar este aviso por toda cidadela em que estamos,
o ataque será daqui a mais três dias... o seu fim está
próximo cavaleiro da luz....
- Meu senhor, muitos dos nossos
homens já estão em suas posições - disse
meu escudeiro de confiança - o ataque será pela noite
novamente?
- O que você acha?? É mais assustador para eles, pequenos
guerreiros, temedores de trevas... Quartz, por que me segui fielmente?
- O senhor sabe...
- Mas quero que me responda.
- Porque quero o poder, e só as trevas dominarem poderei
ter este poder...
- E o que fará com seu poder quando o tiver?
Neste momento Quartz parou e pensou, como se nunca tivesse feito
essa pergunta para se mesmo, mesmo achando que saberia a reposta..
- Serei como o senhor, liderarei meu exército para libertar
outros povos, do verdadeiro sofrimento, que é o que aquele
povo lá embaixo realmente sente!
- Será como eu? Mas, você sabe o que sou eu?
- O senhor é o nosso líder, o que todos temem...
- Não perguntei, quem, mas o que...
- Eu...É...Desculpe senhor...Eu não...sei responder
essa pergunta....
- Hum! Então não diga que será como eu, pois
nunca será!!!
- Senhor, o que o senhor é?
- Sou diferente de tudo o que você viu ou pensa em ver, não
sou como você, ou como aquele cavaleiro da luz. No final,
talvez, você verá, reze para seus deuses, para que
isso tarde a acontecer. Agora vá, o Sol já está
caindo, a hora dele está chegando, cavaleiro da luz...
Libertar outros povos do verdadeiro
sofrimento, está foi a semente que plantei no coração
dele.
***
A cidade estava cercada, nenhum
batedor do inimigo viu nenhum de meus homens, haviam homens em quatro
lugares estratégicos, pelo norte, pela entrada da cidade,
pelo subterrâneo, que ficava ao sudeste, onde havia vigilância
mas não suficiente, e pelo oeste e sul onde subiríamos
pelo muros simultaneamente aos montes.
Eu estava na primeira entrada, pelo
norte, estávamos todos atrás de uma colina, foi quando
eu soei a corneta, e aquele som foi ouvido por todos, todos. Só
neste momento os vigias das torres viram nosso imenso exército,
avançando rápido como uma ondas do mar poluída
por grosseiros orcs, pois eram estes que corriam agora em direção
ao portão principal, e quando o aríete bateu pela
primeira vez os portões da cidade muitas flechas já
haviam voado para cima de nós, mas muito mais cordas e escadas
subiam o muro e derrubavam os arqueiros que neste momento ainda
eram poucos, e eu olhava do alto da colina as primeiras tochas queimarem
a cidade sagrada, eles tiveram muitas baixas e muitos feridos na
batalha anterior, e, ao contrário de nós, não
tinham reservas, logo meu exército rechaçou tudo que
via pela frente quando o portão finalmente se arrebentou,
houve muita luta nos portões, mas era inútil lutar
contra nós, pois para cada orc que caía quatro estavam
lá para substituí-lo , muitos mais caíam do
muro para dentro da cidade, e o fogo atormentava a todos, pouco
tempo depois dos portões se abrirem, os exércitos
do sul e do oeste, subiram os muros, e já não haviam
guardas lá, este último exercito só teve trabalho
de queimar as últimas casas, foi neste momento que desci
colina abaixo, com meu cavalo negro e minha espada em mãos
estava quente, e poderia queimar a pele de qualquer um que ela apenas
arranhasse, e muitas cabeças assombradas eu cortei com ela,
muitos fugiam dela e de minhas sombras que eu carregava, mais um
rosto eu não achava, onde estaria ele, cavaleiro da luz...
***
Eu não entendia o coração
dos humanos, principalmente os que vinham para o lado das trevas,
parece uma terra que cultiva qualquer tipo de semente, e a semente
do joio cresce com mais facilidade que a do trigo nesta terra do
mal, uma terra do mal, é o coração humano,
mas agora liberto todos do sofrimento com minha espada, esta semente
já germinou e já deu frutos, a árvore nunca
morrerá.
Quando não havia mais a quem
matar todos cantaram vitória, mas eu sabia, que ele não
abandonaria seu povo, ao contrário de mim ele é fiel
ao seu povo. Foi quando Quartz veio a minha presença falar,
e disse:
- No subterrâneo não há mais ninguém,
estão todos mortos, nossos inimigos mataram todos!
Neste momento, uma trombeta soou
, e uma luz surgia ao meu olhar, vindo de lugar algum, e muitos
guerreiros surgiram para lutar contra meus orcs, e a maioria desses
fugiram, só os humanos como Quartz enfrentaram aqueles guerreiros
que agora chegavam, poderia ser mau o seu coração,
mas também não tinha medo, mas muita coragem, e medo
tinha os orcs, medo do meu grito, que mandava-os voltar e só
assim a verdadeira guerra começou e teve fim naquela noite,
pois eu vinha lentamente no encalce dos medrosos orcs. Sem o exército
no subterrâneo nossas chances de vitória diminuíram
muito, e os guerreiros da luz, tinham um brilho no rosto que afugentava
muito dos orcs e este brilho era ainda maior para meus olhos, mas
a minha sombra era maior e ofuscava essa luz, menos a de uma pessoa,
eu o encontrei, ele havia acabado de cortar a cabeça de um
dos meus homens, esta cabeça caiu aos pés do meu cavalo,
e agora Quartz não poderia mais libertar mais ninguém
do sofrimento, mal sabia ele, que acabara de ganhar a verdadeira
liberdade, do homem que eu mais temia e odiava, o cavaleiro da luz...
***
Naquele momento lembrei de como
me transformei naquele monstro, pois agora pensei em como tudo aquilo
poderia acabar ou recomeçar.
Quando recebi aquela benção, sonhava com o poder ilimitado,
assim como os humanos, pois fui criado para ser a sua distorção,
quando cheguei a este mundo o mal chegou comigo, e meu único
objetivo era tornar esta terra um lar de ninguém, de desolação,
e caos para todo sempre, mas na verdade nunca soube para que, e
quando fiz aquela pergunta para Quartz, estava fazendo esta pergunta
para mim, mas este é o meu instinto, o verdadeiro senhor
das trevas, sabe o verdadeiro intuito disto tudo, eu sou apenas...
o seu avatar e capataz.
Ele olhou para mim e apontou sua
espada, nada mais eu vi naquele momento todos poderiam morrer e
eu poderia perder a guerra, mas eu não estava ligando, meu
objetivo era matar aquele que é cantado em canções
até hoje, e este era meu dever.
Desci do meu cavalo, e saquei minha
espada, fogo e uma luz maldita saia do toque da minha espada com
a dele como se fosse o encontro de dois seres opostos, dois trovões
ao se encontrarem e causarem dano maior do que tudo que já
se viu, sangue foi jorrado naquela grama, e este sangue saia das
veias rubro e caia negro, eu o feri gravemente, mas foi ele que
me derrubou, e sua espada estava apontada para minha garganta, mas
muito sangue jorrava de seu ventre, e ele fez o que todos queriam
fazer antes de me matar, arrancou o meu elmo, e o que ele viu não
teve coragem de contar para ninguém, cortou o meu pescoço
com muito assombro e caiu sobre meu corpo desmaiado, mas quando
vieram pegar o seu corpo, o meu já não estava lá,
e muitos duvidaram do que ele falou e disse sobre seu ato tão
heróico, e sobre meu rosto ele não falou nada, e de
herói louco ficou conhecido em muitas canções.
E agora, só em canção
ele vive, eu sou apenas coadjuvante nessas, porem em todas as canções
de heróis eu vivo, pois eu saí do campo de batalha,
para seguir para muitas outras, e cuidar da árvore que plantei,
pois o meu corpo pode ser morto, mas meu espírito não
foi feito por qualquer um, e para qualquer coisa, foi feito para
que o mundo existir como existe, para que os heróis sejam
heróis, pois as pessoas precisam disso, mas heróis
são apenas heróis, e estes só vivem em canções
depois da morte, mas eu, eu vivo para sempre, para que sempre haja
heróis no mundo por que eu, Quartz, eu sou o CAVALEIRO NEGRO.
Por Marcelo Etiell
([email protected])
Voltar
|
|