Beto
Brant resolveu filmar O Invasor, em cartaz nos cinemas, quando
apenas 1/3 do texto havia sido escrito por Marçal Aquino. Parceiro do
cineasta desde seu primeiro longa-metragem, Aquino parou o romance e se
juntou a Brant e ao produtor Renato Ciasca para criar o roteiro. Depois de
rodada a produção, o escritor decidiu terminar o romance. O resultado é
o volume O Invasor (Geração, 240 págs., R$ 29), que traz ainda
roteiro e fotos. Marçal Aquino, que concorre ao Prêmio Jabuti deste ano
por Faroestes, falou a Gente sobre o livro.
Por
que lançou o livro mesmo depois de escrever o roteiro?
Num certo momento, eu desisti do romance, porque resolvi tudo o que queria
no roteiro. É como contar uma piada que todo mundo sabe. Mas, depois de
rodado o filme, o Beto me estimulou. Achei que era um desafio desenvolver
uma história que já conhecia.
Procurou
escrever o livro de forma diferente do roteiro?
Fui obrigado, porque tinha definido um narrador em primeira pessoa para o
livro. No cinema, é possível deslocar os pontos de vista. Foi o trabalho
mais difícil da minha vida. Já até combinei com o Beto que ele só vai
ler o meu novo livro depois de pronto, para não termos esse problema.
O
fato de ser jornalista ajuda?
Sim, ter sido repórter treinou meu olhar. Estou sempre atento ao que se
passa, às vezes uma frase ouvida na rua me instiga a investigar a situação.
Consegue
sobreviver da literatura?
Não, sobrevivo como jornalista free-lancer. Vivo de texto, já escrevi de
tudo, menos bula de remédio e letra de samba-enredo.