ISTO É GENTE

29.04.02

Ping Pong / Marçal Aquino
O criador do Invasor

Mariane Morisawa

Paulo Liebert/ AE

 

 


Beto Brant resolveu filmar O Invasor, em cartaz nos cinemas, quando apenas 1/3 do texto havia sido escrito por Marçal Aquino. Parceiro do cineasta desde seu primeiro longa-metragem, Aquino parou o romance e se juntou a Brant e ao produtor Renato Ciasca para criar o roteiro. Depois de rodada a produção, o escritor decidiu terminar o romance. O resultado é o volume O Invasor (Geração, 240 págs., R$ 29), que traz ainda roteiro e fotos. Marçal Aquino, que concorre ao Prêmio Jabuti deste ano por Faroestes, falou a Gente sobre o livro.

Por que lançou o livro mesmo depois de escrever o roteiro?
Num certo momento, eu desisti do romance, porque resolvi tudo o que queria no roteiro. É como contar uma piada que todo mundo sabe. Mas, depois de rodado o filme, o Beto me estimulou. Achei que era um desafio desenvolver uma história que já conhecia.

Procurou escrever o livro de forma diferente do roteiro?
Fui obrigado, porque tinha definido um narrador em primeira pessoa para o livro. No cinema, é possível deslocar os pontos de vista. Foi o trabalho mais difícil da minha vida. Já até combinei com o Beto que ele só vai ler o meu novo livro depois de pronto, para não termos esse problema.

O fato de ser jornalista ajuda?
Sim, ter sido repórter treinou meu olhar. Estou sempre atento ao que se passa, às vezes uma frase ouvida na rua me instiga a investigar a situação.

Consegue sobreviver da literatura?
Não, sobrevivo como jornalista free-lancer. Vivo de texto, já escrevi de tudo, menos bula de remédio e letra de samba-enredo.

 

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