O INVASOR
Longa 35mm
Traição entre amigos
Beto Brant retoma parceria com o escritor Marçal Aquino em O Invasor, ambientado na São Paulo dos dias de hoje

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Gustavo Galvão
Da equipe do Correio
| Fotos: Divulgação |
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| Marco Ricca e Alexandre Borges: discussões de ética e cidadania a partir dos desentendimentos nos negócios de uma construtora paulista |
Há algo de novo pairando sobre os filmes de Beto Brant. Como nos filmes de ação norte-americanos, eles trazem tiros, perseguições e sangue derramado, mas não são a mesma coisa. Os Matadores está longe de ser hollywoodiano. Devem ser os personagens, em geral de caráter duvidoso e imprevisíveis, bem latinos. Em Ação Entre Amigos, são vingadores nem um pouco frios. O que esperar agora de O Invasor?
Ninguém sabe. Brant não mostrou o filme a ninguém, até porque não havia filme para mostrar até poucos dias atrás. A cópia saiu do laboratório na tarde da última sexta-feira diretamente para o Cine Brasília. Ali acontece a primeira sessão pública de O Invasor, terceiro longa-metragem deste cineasta paulista, o quinto a ser exibido na mostra competitiva em 35mm.
Era quase uma questão de honra participar da competição. Exaltados pela crítica e por parte do público, Os Matadores e Ação Entre Amigos foram recusados pelo festival em 1996 e 1998, respectivamente. Ninguém sabe explicar os motivos. ‘‘Finalmente estou no festival’’, comemorava o diretor por telefone, de São Paulo, entre um e outro ajuste na cópia.
Beto Brant tem dívida com o público brasiliense, que aplaudiu efusivamente Ação... após a sessão hors-concours. ‘‘Aquela foi uma das sessões mais emocionantes da minha vida. Estou ansioso para ver a reação do público’’, fala.
O diretor mantém o suspense. Por enquanto, evita falar sobre a trama, baseada em romance ainda não-publicado de Marçal Aquino, que colabora no roteiro. O mesmo Aquino que inspirou Os Matadores, ‘‘o inventor de biografias mundanas’’ — segundo o cineasta em ensaio publicado no encarte do recente O Amor e Outros Objetos Pontiagudos.
Ao Correio, Brant confirma: ‘‘O Invasor tem todas as discussões dos meus filmes anteriores, que são as mesmas da literatura de Marçal, que é muito forte. De uma maneira ou de outra, são questões de ética e cidadania.’’
No elenco, desfilam Marco Ricca, Alexandre Borges, Malu Mader e o titã Paulo Miklos. Tudo começa com três sócios de uma construtora, juntos desde que se formaram em engenharia. Desentendimentos nos negócios colocam a amizade de 15 anos à prova. Dois dos sócios, os mais acuados depois de uma grave crise interna, decidem matar o outro. Para isso contratam um assassino profissional. Ele cumpre o serviço, mas quer algo mais em troca além do dinheiro.
Sangue derramado, mais uma vez. O Invasor representa também um acerto de contas do diretor com São Paulo. ‘‘Fiz todo o filme na cidade onde moro desde que era moleque. Tenho intimidade com as locações e com a contemporaneidade do tema’’, explica. Na trilha, músicas de grupos que cantam a rotina da metrópole, como Pavilhão 9 e Tolerância Zero.
Tudo se torna ainda mais especial com a expectativa de competir em Brasília pela primeira vez. ‘‘É a oportunidade de fazer acontecer, ser notado pela imprensa nacional’’, confirma Brant. ‘‘Sem contar a cobrança da platéia, que é importante. Espero que O Invasor gere um bochicho, comentários, críticas. E vale pelos prêmios também. A premiação no festival dá status para o filme.’’
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