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 CONTEÚDO
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O olhar
preciso do apaixonado

Escritor e
roteirista, Marçal Aquino lança romance sobre o
amor na visão de um fotógrafo
Nome consagrado do
cinema brasileiro, o escritor Marçal Aquino
acaba de lançar o livro "Eu receberia as piores
notícias dos seus lindos lábios" (Ed. Companhia
das Letras - R$ 37). Roteirista de filmes como
"O Invasor" e "Os Matadores" - ambos dirigidos
por Beto Brant -, o escritor paulista, de 47
anos, tenta agora conquistar seus leitores com
um romance cujo protagonista é Cauby, um
fotógrafo que deixa seu trabalho em São Paulo e
passa a morar na região de garimpo no norte do
país. Lá, apaixona-se por Lavínia, uma jovem com
dupla personalidade casada com um pastor de meia
idade. A narrativa conta com algumas reflexões
escritas pelo pseudofilósofo do amor Benjamin
Schianberg ("O segredo não é descobrir o que as
pessoas escondem, e sim entender o que elas
mostram"), ao mesmo tempo em que retrata o
cotidiano conturbado da região.
Outros contos
publicados de Marçal Aquino, como "O amor e
outros objetos pontiagudos" (1999), “Faroestes"
(2001) e "Famílias terrivelmente felizes" (2003)
fazem a mescla da visão detalhista e bem apurada
do escritor, com uma literatura que não limita
os acontecimentos. Conversando com a Cult,
Marçal Aquino aponta alguns detalhes de seu novo
livro e fala sobre a origem das suas idéias.
CULT - O que
gostaria de provocar nos seus leitores com esse
novo romance? Marçal Aquino- Acho que a maior
ambição de todo escritor deve ser o deleite do
leitor, o prazer da leitura. Isso é tudo, a meu
ver. Essa história de "mensagem", por exemplo,
desconsidero. Seria meio pretensioso, e até
autoritário da parte do autor, querer que o
leitor enxergue dessa ou daquela maneira.
Qualquer livro pressupõe um número muito grande
de leituras possíveis. E nisso reside a grande
riqueza da literatura.
CULT - A escolha
de um fotógrafo como protagonista foi
proposital? M.A. - Não. Comecei a narrar,
como sempre faço, sem conhecer quase nada dos
personagens e da trama. É na escrita que vou
descobrindo a história, na condição de primeiro
leitor. Pareceu interessante que fosse um
fotógrafo, não mais que isso.
CULT - O
que mais agradou você nessa obra?
M.A. - O livro em si. Porque com ele
consegui algo que perseguia há tempos: escrever
uma história de amor.
CULT - Com qual
personagem você mais se identifica? M.A. -
Acho que, inconscientemente, todo autor é um
pouco cada um de seus personagens, e não só um
deles. É o que acontece nesse livro.
CULT - Acredita que
o livro tem potencial para virar um filme?
M.A. - Pessoalmente, nunca tento ver isso. O
livro é apenas um livro, para mim. São os
diretores de cinema com quem trabalho que
enxergam no texto potencial para seus filmes. Só
então me preocupo em enxergar o texto como
possibilidade de imagem.
CULT - Em qual autor
ou autora você buscou inspiração para escrever
essa obra? M.A. - Especificamente nenhum.
Acho que o processo de influência é
inconsciente. Acredito que acabamos tocados por
todos os livros e autores que lemos e de que
gostamos.
CULT - O que espera
desse trabalho? M.A. - Espero que os
leitores gostem dessa visão de mundo que o livro
compartilha.
Por Filipe Marcel |