
Quinta-feira, 27 de outubro de 2005 - 12h38
Beto Brant
apresenta seu "Crime Delicado"
Novo filme de Beto Brant promete
alimentar a polêmica na primeira exibição em São Paulo de seu novo
longa, na 29.ª Mostra de Cinema
São Paulo -
A polêmica deve invadir a 29.ª Mostra de
Cinema com a primeira exibição em São Paulo do filme "Crime
Delicado", de Beto Brant, o diretor de "O Invasor" e "Os Matadores".
O filme, protagonizado pelos atores Marco Ricca e Lilian Taublib
teve o roteiro escrito por meio de uma parceria entre o diretor e o
escritor Marçal Aquino. Belo, intenso e misterioso estudo sobre o
desejo humano ou apenas um filme que se move no universo das
discussões teóricas sem chegar a lugar nenhum? Confira a opinião dos
críticos:
Gostei de "Crime Delicado", por Luiz Zanin Oricchio
Não gostei de "Crime Delicado", por Luiz Carlos Merten
Em Trânsito, documentário de Henri Arraes Gervaiseau,
tenta flagrar uma característica marcante de São Paulo e, pensando
bem, de qualquer metrópole - o movimento dos habitantes e suas
dificuldades. As pessoas se deslocam continuamente de uma parte a
outra, por diversos motivos. Mas, claro, o principal deles é que
moram num ponto e trabalham em outro. E por que isso acontece?
Também por diversos motivos, mas também por uma razão principal. A
grande maioria da população trabalha em regiões centrais e mora na
periferia. Assim, ao focar o movimento, o que Gervaiseau na verdade
mira é uma geografia social da cidade, com aberrações que fazem com
que algumas pessoas passem literalmente horas de sua vida, todos os
dias, deslocando-se da casa para o trabalho e do trabalho para casa.
Horas perdidas, em tempo, dinheiro e energia.
Tudo isso diz muito sobre a maneira de construção social da
metrópole e da sociedade como um todo, em sua forma extensa. O
diretor poderia ter se concentrado nesse ponto e deixado que o
espectador deduzisse o resto. Assaltou-o, porém, o desejo de
completar o quadro e foi pesquisar o cotidiano das pessoas. Não que
isso seja menos importante. Mas, ao fazê-lo, perdeu o foco proposto
e deixou o documentário um tanto disperso e sem respiração. Mas não
deixa de ser um bom e sensível filme.
De Portugal, uma adaptação de "Jacques, o Fatalista"
Outro tipo de viagem (ou de deambulação, como dizem por aí) é
aquele proposto por O Fatalista, adaptação que o português
João Botelho fez do romance Jacques, o Fatalista, do
enciclopedista francês Denis Diderot (1713-1784). Essa história de
estrada reúne um homem rico e o chofer que dirige seu carro, Tiago
(Rogério Samora), que é o tal "fatalista" do título. E o que é um
fatalista? Bem é aquele ser cuja vida é pautada pela crença, como
diz Tiago, de que "tudo o que acontece cá embaixo está escrito lá em
cima". Então, para que lutar contra o destino se tudo já é
predestinação?
Basicamente, o filme concentra-se nas viagens da dupla e nas
conversas entre eles, quando o chofer é o narrador principal
ocupando-se de suas aventuras amorosas vividas no passado. Em
filigrana, há o interessante comentário do abismo entre classes
sociais - mesmo (talvez sobretudo) quando os personagens parecem tão
íntimos.
Crime Delicado. Hoje, 22h, no Cine Bombril 1. Seg.(31),
15h20, no Unibanco Arteplex 1. Quarta (2), 21h, na Sala UOL
Em Trânsito. Hoje, 21h, no Cinesesc. Sáb.(29), 13h, no
Unibanco Arteplex 1. Quinta (3), 21h50, no Cineclube Vitrine 2.
O Fatalista. Hoje, 19h, Unibanco Arteplex 2. Dom.(30), 15h50,
Espaço Unibanco 1. Seg.(31), 15h50, Unibanco Arteplex 2.
Luiz Zanin Oricchio
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