Solidão
Solidão não tem sexo, tamanho ou idade.
É só ( só ? ) um ardor, ardido, ardiloso,
dorido, doloroso, dentro do peito.
Qual angina vai corroendo, sugando,
       e
         s
            c
               o
             r
          r
        e
           n
             d
               o
                  a alma.
 
É um apertar o gogó, o cinto,
o dedo na porta, o pênis no zíper.
Há horas em que não basta pensar nas vitórias,
louros, medalhas e teses ganhas, inclusive em algumas poucas e raras pessoas maravilhosos que tivemos na vida.
Nem, tampouco, saber e agradecer a suprema magia do quotidiano.
Ela B A T E,
B A T E,
B A T E,
qual tantã alucinante
a nos convocar para o mergulho sem fim
de uma guerra só nossa,
sem fronteiras e limites,
desprovida de horas, hordas ou barreiras
a não ser a da pungente DOR
que como uma adaga, nos rrr aaa sss ggg aaa
toda.
Vera Consuelo de Miranda e Souza
Rio de Janeiro R. Santa Clara 12/11/2001

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