Escrito e transmitido pelo radio como presente de bodas de ouro aos pais, 

Renato e Rafaela Vianna, por seu filho caçula João Batista.

Está transcrito respeitando o sotaque com que foi gravado.

 
Bodas de Ouro

Juntinhos, como um casal  de pombinhos, ajoelhados em frente ao altar,

Enquanto escutam o Padre a falar, se entreolham com carinho

E a saudade vem apertá o coração dos veinho.

 

Cinqüenta anos passados,

Cinqüenta anos repartidos de alegria, amor, sôdade,

Pelos dois então vivido na maior felicidade.

 

Ela vê nele refretido, nos cabelo branco do marido,

O rapagão de cinqüenta anos atráis.

E ela vê o mesmo rapaiz que um dia,

Dispois de muito gaguejá

Se esforçô  pra falá, e falô:

“Vim pidi sua fia pra me casá”.

 

Se alembra dispois, que alegria pros dois !

Ele, de pareio preto, camisa engomada, botina lustrosa...

Sorriu e olhou pra ela orguiosa,

Toda vestida de branco, branco da cor da inocência

Onde ponteava as flor de laranjera.

Foi a noiva mais bonita que pisou na vizinhança!

 

A casinha bem arrumada, com as mobília tão lustrosa,

Foi então a morada desse par tão feliz,

Que repartiram até agora as alegria, as dor e os mandamento que Deus quis.

 

E dispois a criançada veio enriquecê a morada:

        O tombo da Lali,

        A caxumba do Nerso,

        A catapora do Mozart,

        O sarampo da Lourdes,

        A dor de dente do Zé,

        O quebrante da Glória,

        E o berreiro do Batista.

 

Quem sofreu mais do que eles?

Foram os dois.

Pra ver filiz dispois essa criançada crescê

Pra enriquece inda mais a casinha de Tietê

Que tá longe... lá atráis.

 

E nessa hora abençoada,

Em que os dois ajoeiado no altar da Virge Imaculada

Recebe a benção do Padre estimado pelo 50 ano de casado

Eu me sinto orguioso,

E agradeço o Poderoso

pela felicidade que fez caí nos veinho que tão aí.

 

E sabe, Mãe, quem está pidindo?

Iscuitô Pai, está me ovindo?

É o vosso fio mais sapeca,

o úrtimo,

o perereca,

o mais pió da famía.

Que num se formô dotô, nem quis ser professô  –  gostei de sê artista.

 

Sô eu, minha Mãe,

Sô eu, meu Pai,

Que alegre na tarde que cai

Vos pede a benção...

O Batista.

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