Mamíferos Marinhos |
A história da exploração dos mamíferos marinhos pelo homem é, como em muitos outros casos de utilização gananciosa e ignorante dos recursos naturais, uma história de massacre e destruição. Todas as populações das diversas espécies de grandes baleias já foram reduzidas à níveis assustadoramente baixos. Os pequenos cetáceos, botos e golfinhos, além de serem mortos por pescadores em várias partes do mundo, são afogados aos milhares nas redes das frota de pesca e traficados como escravos dos circos aquáticos. Focas e leões-marinhos são trucidados a pauladas para o aproveitamento de seu óleo e a venda de sua pele para fabricar casacos de fúteis madames em várias países. Os manatís, dóceis e lentos, estão ameaçados de extinção em todas as suas áreas de distribuição no planeta e uma espécie, a vaca-marinha de Steller (Hydrodamalis stelleri) foi varrida para sempre da face de Terra já no século XVIII.
No Brasil, essa história de barbárie não foi (e não é) diferente. José Bonifácio, o Patriarca, já alertava em sua época, para o desperdício existente na caça de baleias em águas brasileiras, e vibrava sua pena, indignado, contra a matança estúpida de baleotes (filhotes) e suas mães. Um passado distante? Nem tanto. Durante as pesquisas do Projeto Baleia Franca, desenvolvido pela Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN) em 1982/83 ficou constato que as baleias Francas (Eubalaena australis), apesar de protegidas por convenção internacional desde a década de 30, foram mortas no litoral de Santa Catarina até 1973 com total e aberta impunidade. Este verdadeiro escândalo foi denunciado por Palazzo e Carter (1983) no XXXV Reunião Anual da Comissão Internacional de Caça à Baleia.
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A matança legalizada de baleias foi mantida até 1985 na costa da Paraíba para beneficiar uma única empresa nipo-brasileira. Sob o manto da exploração racional se permitiu que essa indústria levasse à quase extinção todas as grandes baleias que freqüentavam nossa costa nordeste, voltando-se após a extinção comercial da mesmas para o abate, aos milhares, da pequena Minke (Balaenoptera acutorostrata LA CÉPÈDE 1804). Por determinação do então presidente José Sarney, a matança foi suspensa em dezembro de 1985 por um prazo limita do 5 anos. Baleeiros a todo custo tentaram revogar a proibição e, com a ajuda de senadores paraibanos simpáticos a seus intentos destruidores, buscaram revogar este decreto e impedir a aprovação do projeto de lei do então Deputado Gastone Righi que proibia totalmente a matança e perturbação de cetáceos em águas brasileiras. Mas a união dos conservadores foi mais forte, e em histórica sessão a 16 de dezembro de 1987 as lideranças de partidos no Senado Federal aprovaram definitiva e unanimemente a proteção perene às baleias e demais cetáceos no Brasil, sancionada pelo presidente José Sarney de imediato como Lei nº 7.643.
Mas não é a indústria baleeira
a única, talvez nem a pior das agressões de hoje em dia. Os
leões-marinhos e pequenos cetáceos sofrem outro tipo de
perseguição. Considerados inimigos dos barcos pesqueiros, pelo
crime de serem aprisionados pelas grandes redes de
pesca enquanto buscam alimentos em seu próprio ambiente, não
só são deixados a afogar-se nas malhas como muitas vezes são
içados a bordo, esquartejados vivos e lançados novamente ao
mar.
Nossos manatís e peixes-boi, Trichechus manatus (LINNAEUS
1758) e Trichehcus inunguis (NATTERER 1883), foram
impiedosamente caçados com finalidades comerciais até além da
metade do século XX, existindo ainda hoje uma matança
esporádica que as autoridades competentes tentam,
com seus míseros recursos, impedir.
Boa parcela da destruição ambiental é causada pela
ignorância, tanto de parte dos destruidores, que não
compreendem a gravidade de seus delitos contra a Natureza, como
de parte dos simpatizantes do conservacionismo, que não raro
carecem de conhecimentos básicos para empreender um esforço
mais decisivo em defesa da vida silvestre.
Ajude a parar a
caça ilegal de baleias
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