Opiniões
Artes:
Existem 5 condições geralmente consideradas como fundamentais para a classificação de algo como uma obra de arte, o ser objecto artificial, isto é, fruto da actividade humana, individual e singular, autêntica, nunca plágio, original e ter a intenção de transmissão de alguma mensagem.
Qual
o papel do artista?
Primeiramente
é necessário distinguir artista de artesão, este último quando parte para um
trabalho não tem como intenção a produção de uma obra de arte, mas sim algo
bom tecnicamente e agradável esteticamente, “bonitinho”, logo vendável,
enquanto o artista tem o poder de se apropriar das coisas, separá-las da sua
função natural, conferindo-lhes um fim em si, que será sempre a Beleza,
quando a arte se apodera da angústia, do medo
do horror, do desespero, como por exemplo em Bosch, ou mais recentemente
Bacon, é ainda para mostrar que têm a sua beleza. “Tudo que a arte anexa,
transfigura-o, levando-o a um estado superior que justificará a adesão
daqueles a que se apresentar.” (René Huyghe)
Qual
o dever do artista senão o de inventar algo de novo, uma visão nova, e é
engraçado a utilização do termo visão, pois este refere-se não só ao real,
quando digo que vi algo, como ao “sobrenatural”, quando nos referimos a alguém
como um visionário. Esta nova visão deve permitir a quem a observa, ver o
mundo de forma diferente, Proust diria:
“Só
através da arte podemos sair de nós, saber o que outrem vê de um universo que
não é o mesmo que o nosso……Graças á arte em lugar de vermos
um único mundo, o nosso, vê-mo-lo multiplicar-se e, para cada artista
original que houver, teremos outros tantos mundos à disposição…..”
A
verdade é que a arte adquiriu, erradamente, devido ao grande desenvolvimento de
uma sociedade consumista, um valor comercial, a acrescentar aos valores
espirituais e estéticos já nela existentes, ora é uma utopia, mas seria a
perfeição, que se deixasse de considerar a arte como uma forma de rendimento
monetário, e tão somente uma forma de auto- satisfação, mas como seria isto
possível num mundo em que até a religião, o espiritual, as manifestações
mais íntimas de cada um dão lucro a terceiros.
Ora
este valor comercial da arte, tira liberdade ao artista, e dá-lhe novas obrigações
de cariz social, passo a explicar, o artista a partir do momento que tem como
finalidade um público, deixa de poder produzir para si, o método introspectivo
sozinho já não resulta, deve deixar de lado o egocentrismo muito próprio do
Homem, para se envolver na sociedade para que produz, funcionando como que uma
esponja que absorve acontecimentos, sentimentos, formas de estar, vidas, e
transmite aquilo que capta, deve primeiramente observar, e só depois pensar e
fazer. Numa arte feita para terceiros não há interesse num artista que apenas
olha para o seu próprio umbigo, pois umbigos cada pessoa tem o seu para se
preocupar, o olhar do artista tem que ir obrigatoriamente mais além, para algo
que interesse aos outros.
A técnica é importante, e sem ela não existe obra de arte, mas a técnica qualquer aprende, agora o que nem todos conseguem é apreender o que anda à sua volta, sendo esta a capacidade que distingue o artista dos outros que não o são.