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Temas para refletir e viver  

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"Maria na fé do povo de Deus" (Pe.Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

EXISTE FÉ CRISTÃ SEM MARIA? = Podemos perguntar: Há Jesus sem Maria? Ela aceitou por livre vontade ser mãe. Deus quis Maria para a mãe de seu Filho. Em se tratando da natureza humana, o que Jesus era como pessoa humana, homem, gente de seu povo, fiel israelita, Maria é sua mãe como a nossa o é. Em se tratando da divindade, Maria não a deu. Sendo esta divindade unida intimamente à natureza humana, Maria pode ser chamada, e deve, Mãe de Deus, pois seu Filho é Deus. Crer que Jesus é Deus-Homem, é crer que ela é mãe do homem que é Deus. O anjo disse: “o que nascer de ti será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32). Não só terá o nome, mas o será de fato. Dizer que Maria não é Mãe de Deus é dizer que seu Filho é só um homem. E isso é uma heresia há séculos resolvida.

OS PRIVILÉGIOS DE MARIA SÃO INVENTADOS? = Dogma é uma verdade a ser acreditada, pois, do contrário se destrói a fé. Uma verdade negada, nega o autor de todas. Temos 4 dogmas com respeito de Maria: Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua, Mãe de Deus e Assunção. A Igreja não inventou estes dogmas que devem ser acreditados com fé absoluta. Não precisamos crer exatamente no modo como são explicados popularmente, mas na verdade sim. A Igreja reconheceu como sendo de fé do povo de Deus. No começo era uma verdade normal. Como alguns passaram a negar, a Igreja afirmou a sua fé baseada na fé do povo de Deus, na Tradição, nos ensinamentos dos estudiosos e com fundamento na Escritura, mesmo que não estejam escritas no texto, como é o caso da Assunção de Maria que é acreditada desde os inícios.

QUAL É A REFERÊNCIA A NOSSA VIDA? - A fé não é só crer em um monte de idéias, mas viver realidades que não vemos, mas possuímos pela esperança (Hb 11,1). É como um prêmio que você ganhou mas ainda não foi receber. Crer em verdades é crer em Deus de quem eles brotam. A verdade de Deus (Jesus diz, eu sou a verdade) e as outras verdades são aspectos de Deus. E como em Deus “vivemos e somos” (Art 17,28) são nossa verdade, verdades que possuímos, mas não vemos. É crer em sua própria realidade e verdade. Crer nas verdade sobre Maria é crer em Deus que em Maria revelou sua realidade através de seu Filho. É também a realidade de todo o povo de Deus. As verdades que cremos a respeito de Maria têm um paralelo com a ressurreição de Cristo. Sua ressurreição é garantia da nossa. Mas Cristo é filho de Deus, podemos dizer. Deus realiza em Maria, uma criatura humana, todo o mistério cristão. Assim podemos esperar e ter garantia do que se realizará conosco.

Como Maria tinha o Filho de Deus em si e o deu a nós, assim também podemos levar Cristo aos irmãos. Ela foi sem pecado. O povo de Deus pode destruir o pecado, pois o pecado não é ultima resposta do homem. O povo de Deus é virgem, pois o germe divino vai florescer como em Maria. Pertencer só a Deus é uma meta e não uma perda a ser chorada. Ir de corpo e alma é nossa meta, já garantida por Maria. Crer em Maria é crer na figura realizada do que seremos. É crer no que Deus realiza em nós o seu plano de amor.

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"A Mãe do Ressuscitado" (Pe.Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

RAINHA DO CÉU, ALEGRAI-VOS, ALELUIA! - Bela canção para saudar a Mãe do Ressuscitado. Na Paixão encontramos Maria de pé junto à cruz. O evangelho não teme dizer: "Estava Maria, sua Mãe de pé!". Não escondeu a Mãe na dor do Filho. Ela participa integralmente de seu sacrifício. "Uma espada de dor transpassará tua alma", já profetizara Simeão no dia da apresentação de Jesus no templo (Lc 2,35). A dor de Maria é um critério de discernimento para os que seguem de verdade a Jesus: "para revelar os corações" (Lc 2,35). Ali se revela o coração da Mãe: em adesão total ao Filho. Quem aceita Jesus tem que passar pela atitude de Maria: aceitar o Filho no máximo de sua humilhação, participando de sua morte. Sem morte não há ressurreição.

MARIA VIU JESUS RESSUSCITADO? - A Mãe do Crucificado foi a mesma que o trouxe no seio. É a mesma que Ele dá ao discípulo como geradora dos novos filhos. É a mesma que o recebe ressuscitado. Podemos perguntar: Maria viu Jesus depois da Ressurreição? Jesus apareceu diversas vezes aos discípulos e uma vez a mais de 500 discípulos. O Evangelho acentua que são aparições às testemunhas qualificados para que sejam os anunciadores. Mas entre seus discípulos sempre estará presente a mãe, ainda mais que estava aos cuidados de João. Ele é símbolo dos discípulos que nascem do sangue da Cruz redentora que fecunda Maria, Mãe dos redimidos. A bíblia não fala de uma aparição a Maria, mas podemos até dizer que não fala porque era muito natural que tivesse se encontrado com Ele.

MARIA E SEU FILHO - Qual o conhecimento – compreensão - que Maria tinha da morte de Jesus? Como na Encarnação teve que agir na fé, agora também está a dizer: seja feita a vontade de Deus. Com Jesus, também se entrega ao Pai: "Nas vossas mãos entrego o meu espírito". Está no silêncio da dor e da morte, como o Filho. No silêncio da fé se alegra com seu retorno. Como os olhos dolorosos se cruzaram no Calvário, agora se cruzam no brilho da alegria. O Filho, que não rompera seu seio ao nascer, não rompe também o amável colóquio amoroso que sempre teve com ela. A gente fica imaginando Jesus saindo da sepultura e indo direito à Mãe para com ela se alegrar, pois era um filho normal, mesmo sendo ressuscitado. As aparições certamente se deram com a sua presença. Como não temos nada sobre a vida de Jesus dos 12 aos 30, não temos nada nos 40 dias após a ressurreição. Por que? Por que o que era normal e natural, o evangelho já supõe que os discípulos saibam. Mas por que aparece a outras mulheres? Elas têm um carácter simbólico da fé que amadurece e expressa realidades que são novas.

MARIA E A IGREJA - A atitude de Maria é a atitude da Igreja: ao celebrar o mistério alegra-se porque o Senhor Ressuscitou, aceita-o e faz dEle sua vida. Maria agora se torna o centro, pois em Pentecostes está com eles. É a Igreja que espera o Espírito. Aquele abraço que o Filho e Mãe se dão na manhã da Ressurreição é o mesmo que você pode dar a Maria no seu afeto por ela. E pode dizer: Rogai por nós. Ela é a Corredentora, é a intercessora. Não a tire de sua vida. Ela é a alegre mãe do ressuscitado. É sua alegre mãe.

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“Permanecei no meu amor” (Pe.Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

PERMANECER EM CRISTO É PERMANECER NO SEU AMOR. = Amor é a vida de Cristo, pois nasceu de um Pai que é amor, por isso, o Batismo, que nos insere na Trindade, mergulha-nos no amor. Estar unido a Cristo, como lemos na liturgia do domingo passado sobre o ramo quer está unido à videira, é estar unido e vivendo da seiva de Deus que é o amor. O amor que recebemos de Cristo é o mesmo que Ele recebe de seu Pai (Jo 15,19). Amar a Cristo é guardar o seu mandamento, e este mandamento é amar como Ele amou. Não há cristianismo sem Cristo, nem cristianismo sem viver os mandamentos de Cristo. Todo mandamento se resume no amor e todo o pecado é sempre falta do amor de Cristo.

MINHA ALEGRIA ESTEJA EM VÓS. = Jesus é um sujeito alegre. Claro que o vemos sofredor na cruz carregando os pecados de todo o mundo. Alguns diziam que Jesus nunca rira, somente sorrira. Claro que a alegria é interior, mas ela é a força de Deus, pois lemos em Nehemias: “Minha alegria seja a vossa força” (Ne 8,10). Jesus nos inspira: minha alegria é fazer a vontade do Pai e permanecer por isso no seu amor. A vontade do Pai é que nenhum destes pequeninos se perca (Jo,6,39). O amor é alegria. Jesus revela que seu amor ao Pai está em guardar seu mandamento. É assim que Ele permanece unido ao Pai. É assim que ama o Pai. Se guardarmos seus mandamentos permanecermos no seu amor. Isso é sua alegria, e será nossa alegria. Seu mandamento é este: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 15,12).

AMAR É DAR A VIDA. = Somos amigos de Jesus quando realizamos em nós o seu modo de amar: amar doando a vida. Amar é dar a vida pelos amigos. Este é o segredo que aprendeu do Pai e ensina para os seus amigos: Este é o segredo do cristão. A maneira de viver a religião é doar-se aos outros. A tentação maior é fazer uma religião sem ao mesmo tempo dedicar-se aos outros, pois o Pai dá o Espírito Santo aos pagãos, com vimos na primeira leitura. O Espírito é o amor de Deus que é infundido sem distinção de pessoa. Deus doa sua vida no Espírito como no-la deu em Jesus que se doa.

AMAR É CONHECER A DEUS. = Se nos amarmos uns aos outros conhecemos a Deus. Deus nos amou sem que o tenhamos conhecido antes. Este é seu amor. Amor de doação. Conhecendo este modo de amar, conhecemos a Deus. Se amo, conheço a Deus. Se não tenho amor, mesmo que faça todas as práticas religiosas, não conheço a Deus. Não estou unido a Ele e não vivo a vida de seu Filho. O fruto é o amor. Jesus nos escolhe para produzirmos fruto e o grande fruto de amor. Viver a Páscoa é infundir em nós esta capacidade de amar. Não podemos inventar outro modo de viver a fé. Se creio em Deus, faço as obras de Deus que são o amor. Temos aí o modelo de Maria que em seu amor deu-nos tudo, isso é, Jesus. //> (Leituras: Atos 10,25-26.34-35.44-48; 1 João,4,7-10; João 15,9-17)

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“Ser Eucaristia” (Pe.Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

O ALTAR DA VIDA - Quando refletimos sobre a Eucaristia, sabemos que ela é nosso culto a Deus, é nossa união com Deus, é nossa celebração. Mas Deus age sempre de modo mais completo para conosco. Antes mesmo que houvesse a Eucaristia, a missa, cada pessoa podia prestar culto a Deus. No seu coração ou na beleza dos ritos tanto pagãos como judeus, cada pessoa sincera encontrava Deus e com Ele mantinha seu diálogo. Ouvi do chefe da guerrilha angolana (já assassinado) que seu pai tinha religião animista tradicional, mas todo dia se ajoelhava em direção ao sol para sua oração. Certamente nascia de um coração sincero. Não é só o culto exterior, mas ,sobretudo, o culto interior. Cada um em seu coração e na sua vida tem um relacionamento com Deus. Este relacionamento é de súplica, de pedido de perdão, de ação de graças e de louvor. O culto era uma pedagogia para o verdadeiro culto.

O VERDADEIRO CULTO - Quando chega a plenitude dos tempos encontramos na pessoa de Jesus o verdadeiro culto. Para Ele convergem todas as linhas do universo. Jesus, obedece à vontade do Pai, isto é, faz o que agrada o Pai. Era isso que gostava de fazer. Com isso agradava ao Pai e se entregava a Ele. Prestava o culto filial cheio de amor ocupando-se dos amados de Deus que eram os sofredores. Quando chega o momento supremo de sua vida, quando deve suportar a morte, entrega sua vida ao Pai como oferta por todos “meu corpo que será entregue por vós - sangue derramado por vós e por todos para e remissão dos pecados”. Esta entrega da cruz é o sacrifício, é o culto, é a síntese da vida de Jesus. O verdadeiro culto não está nas ofertas materiais, mas no interior do coração que oferece a si mesmo. Todo o sacrifício de Jesus é realizado em seu corpo. Por isso, a Eucaristia que é continuação do sacrifício e da entrega de Jesus, realiza-se também no corpo físico, visível do pão e do vinho que são o corpo e o sangue do Senhor. O verdadeiro culto de Cristo torna o verdadeiro culto do cristão.

O CULTO DO CRISTÃO - “Oferecei vossos corpos como hóstia vida”. A vida do cristão em seu corpo e na vida do mundo é o primeiro lugar onde acontece o culto, isto é, sua entrega a Deus. Hóstia viva: o corpo, animado por uma alma espiritual sendo uma única realidade, faz da pessoa um sacerdote e uma oferta. Por este corpo que é também espiritual, faz a entrega de si a Deus e faz também a entrega do mundo a Deus. O homem e a mulher não são religiosos porque vão muito à Igreja, mas o são porque capazes de infundir o caminho de Deus no mundo, como Jesus, fazendo a vontade do Pai. Jesus pregava, mas estava em contato com as pessoas, sobretudo, dando-lhes vida e esperança de viver. O cristão, pelo seu trabalho, pela sua vida dedicada ao amor e à construção da sociedade, é um religioso. É religioso porque, no Espírito de Deus, faz as obras de Deus. Esse culto espiritual é voltado para as pessoas e para as realidades do mundo. Nisso ele é religioso, é sacerdote, é oferta a Deus, é louvor. Quando vai à Igreja para sua oração na comunidade, faz vivo o sacramento do corpo do Senhor que o torna vivo no mundo. Sua oração é a linha que une todos os pontos e faz de tudo o que ele toca, caminho de santificação para si e caminho para os outros. Para que este culto seja perfeito é preciso aprender da Eucaristia e vive-la no mundo.

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“O Bom Pastor” - Nome bonito. (Pe.Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Se Jesus deixasse para que escolhêssemos um nome bonito para Ele, nunca pensaríamos um “apelido” tão bonito e tão ajustado: o Bom Pastor. Com estas poucas letras Jesus se definiu, se explicou, se programou e “se fez tudo para todos”. Nestas duas palavras podemos encontrar tudo o que Deus é. Certamente a realidade do pastor não é algo de nosso cotidiano. Mas podemos adotá-la a partir do conhecimento que temos da Palavra de Deus. Quando Jesus se chama de Bom Pastor, coloca-se em contraposição com os donos do povo que foram mercenários e abandonaram o povo nas horas de escuridão e dificuldades.

O Pai me ama porque dou a vida = O Pai não exige a morte do Filho, como já se falou. Aceita sua entrega. Não é um Deus vingativo que tira vingança do pecado do mundo sobre um Filho Inocente para salvar o escravo malvado. Ele aceita o Filho que doa a vida não na morte, mas em toda a sua vida até à morte. Jesus salienta que o Pai o ama porque dá a vida. O sentido de sua vida está em fazer dela um dom. O Bom Pastor é bom porque doa a vida pelas ovelhas. O amor existente entre nós (ovelhas) e o Pastor acontece no mútuo conhecimento: “Eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem” Este conhecimento é que constitui a segurança de ter nEle, sempre, o refúgio, a defesa e o acolhimento. O nível deste conhecimento é o mesmo existente entre o Pai e o Filho: “assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai”. O verbo conhecer tem uma significação muito profunda: “vai da inteligência ao coração, da compreensão ao amor, do afeto à ação”. Entre o fiel e Cristo há uma comunhão real e intensa que não é destruída pelas dificuldades e abre-se a um universo maior: outras ovelhas que não são deste aprisco. Todos são convocados e aceitos pelo Bom Pastor.

Somos filhos porque o Pai nos ama. = Ser Bom Pastor é ser amor. Amor em Deus é acolher-nos como filhos. Mais do que conduzir-nos, o Pai chama-nos seus filhos. Chamar quer dizer colocar-nos na condição de filhos, pois o somos de fato. É a maior prova de seu amor, pois assim coloca-nos em igualdade com seu Filho. “Ele não se envergonha de chamar-nos irmãos” (Heb 2.11). Não sabemos explicar em que consiste este dom, mas quando Jesus se manifestar seremos iguais a Ele. Nós percebemos mais o que somos na medida em que contemplamos Jesus.

Somos pastores com o Bom Pastor. = Sendo o domingo das vocações, sentimo-nos na necessidade de nos aproximar e conhecer sempre mais o pastor para podermos fazer de nossa vida o que Ele fez com a sua: doar pelos outros. Não há maior vida conquistada do que aquela que é doada. Jesus aí se conquistou. Que bom se todos nós sacerdotes e mesmo outros encarregados do cuidado do rebanho, tivéssemos a mesma entrega de Jesus, o mesmo amor de acolher, socorrer, curar, carregar ao colo e doar a vida para que todos tenham vida. (Leituras: Atos 4,8-12; 1 João 3,1-2; João 10,11-18)

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“Os sacramentos pascais. Vida Nova.” (Pe.Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

No início da Quaresma refletimos sobre o termo sacramento da Quaresma. Nossa ação e a ação de Deus em nós se fazem uma só e nos trazem a santificação. Celebrando a Páscoa podemos entender o mesmo. A celebração dos ritos pascais e a presença da comunidade em torno de Cristo tornam-se para nós, um momento de transformação. Fizemos a passagem (Páscoa) com Ele e somos o que Ele é. Os sacramentos que celebramos atuam em nós de modo a nos unir a Cristo e nos revestir DELE. Revestir tem o sentido de transformação. Ele nos uniu a si na Paixão e nos une igualmente na Ressurreição. Mortos com Ele por nossa disposição e nossas atitudes, somos ressuscitados com Ele por sua entrega por nós e por sua atitude de ir até à morte para nossa redenção. Redenção significa ser tirado de um visgo de pecado para a vida nova, “participando da natureza divina” como nos diz Pedro. Vivemos assim uma vida nova.

História do Batismo. = A história da Igreja, sobretudo da liturgia, traz sempre ensinamentos que nos ajudam. Quando eram feitos os batismos no início da Igreja, os cristãos eram instruídos, mas não lhes era contado nada sobre o rito do sacramento da iniciação cristã. A iniciação cristã consistia no batismo, crisma e eucaristia, um único sacramento administrado dentro de um único ritual em três passos. Os catecúmenos (os que seriam batizados) recebiam, durante a Quaresma, a introdução à fé. Na Vigília Pascal recebiam os sacramentos. Não sabiam como eram. Aprendiam pela experiência do rito. Depois recebiam a formação e a explicação. É a mistagogia, isso é, a introdução ao mistério. São Cirilo de Jerusalém tem belas catequeses a respeito. Primeiro se faz a experiência, depois a explicação. O próprio ritual, era a maior explicação. Neste tempo pascal vou explicar estes sacramentos.

Batismo, fonte da vida. = Batismo é fonte de vida porque é participação da morte e vida de Jesus. São Cirilo explica: “Vocês foram levados à santa fonte do divino batismo, como Cristo, descido da cruz, foi posto diante do sepulcro”. O rito do batismo repete em nós o que aconteceu na morte de Jesus. No batismo são feitas três perguntas sobre a fé: Crê no Pai, no Filho e no Espírito Santo? Aí somos lavados com a água. O padre derrama três vezes. Antigamente eram mergulhados n’água. Simboliza Cristo sepultado na morte por três dias. Saindo da água, temos a luz. No mesmo momento morremos e nascemos. “A mesma água foi sepulcro e mãe”. “Na realidade não houve nem morte nem ressurreição, mas em sinais, tudo se tornou presente e daí nos veio a liberdade da salvação. Cristo foi realmente crucificado, sepultado e ressuscitou verdadeiramente”. Nós recebemos tudo isso por meio da graça. Como que representando seus sofrimentos, lucramos em toda a verdade da salvação. Pela comunhão com suas dores, recebemos gratuitamente a salvação. A água não somente dá a remissão dos pecados e a graça de sermos filhos de Deus, mas dá também o Espírito Santo que é vida. Nós não vemos, mas como aconteceu com Jesus acontece conosco. Pelo batismo somos introduzidos na Igreja, fazemos parte do povo de Deus e, sobretudo, participamos da natureza divina.

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