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Temas para refletir e viver   


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"Transfiguração, nosso futuro" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

No encadeamento das celebrações litúrgicas, encontramos a Transfiguração de Jesus no monte Tabor. É montanha arredondada no meio de uma fértil planície. O primeiro e o segundo domingos fazem a abertura deste tempo quaresmal e dão, em síntese, uma visão ampla da vida cristã no seguimento de Jesus. Como em Jesus o sofrimento foi como que inexplicável, na transfiguração nós encontramos seu significado.

Jesus e os 3 discípulos sobem o monte. Ali Jesus se transfigura: cheio de luz e brancura esplendorosa. Com Ele falam Moisés e Elias, simbolizando a lei e os profetas. Uma nuvem os cobre. A nuvem significa a presença de Deus. O Pai proclama: "Este é meu Filho Amado. Escutai o que Ele diz". Dali a pouco, estão somente Jesus e os discípulos. Descem a montanha. Jesus lhes diz que não contem a ninguém até que Ele ressuscite dos mortos. Eles se perguntavam o que queria dizer ressuscitar dos mortos. A cena é bonita e cheia de um grande mistério. A forma corporal de Jesus é iluminada pela glória divina.

Por que esta manifestação de divindade? Diante dos sofrimentos e da morte, a fé dos discípulos se abala. Em Jesus estão a Lei e a Profecia, simbolizados em Moisés e Elias. Em Jesus ressuscitado Deus fez chegar à plenitude todo o caminho de Redenção para a qual fizera o mundo, escolhera um povo e enviara um Redentor. É a Jesus que devemos ouvir. Ele é a comunicação de Deus para com todo o Universo. Sendo este texto colocado no início da Quaresma, dá-nos a compreensão de nosso caminho e de nosso ponto de chegada e conclusão de todo o caminho cristão.

O que acontece com Jesus, vai acontecer conosco. Ele, unindo-nos a si em seu sofrimento, une-nos na sua Ressurreição. Deste modo podemos compreender todo o tempo da Quaresma: vivemos o caminho de dor de Cristo através de nossa conversão pessoal, nossa penitência, nossos sofrimentos e fraquezas, orientados pela Palavra de Deus. Se vivermos com Ele, terá sentido para nós a Ressurreição que é a glorificação de Cristo, isto é, a volta de Cristo à Glória junto do Pai. Até então o corpo sofredor de Cristo escondia a divindade. Agora, o corpo glorioso transparece; torna o corpo frágil esplendoroso e movido pela divindade. Desta divindade participamos pelo batismo.

Realizamos esta transfiguração agora através da fé. A primeira leitura fala do sacrifício de Isaac. Deus exige de Abraão a prova máxima: sacrificar o filho como um louvor a Deus. Foi duro para ele. Mas ele foi até o momento de cumprir o sacrifício. Deus aceitou o sacrifício interior como prova da fé: devolveu-lhe o filho e fez com ele a aliança. Deus sacrificou Jesus até o extremo da morte. Jesus foi a prova máxima da humanidade na aceitação de Deus. Jesus é nossa aliança com Deus. Agora nós colocamos este sacrifício interior em nossa vida. Por ele seremos transformados como Cristo. Nossa fé é nossa transfiguração. Por ela seremos capazes de carregar a cruz e chegar à ressurreição – ressurreição que nos acontece já, em cada um de nossos pequenos atos. 

(Leituras: Gênesis 22,1-2.9a.10-13.15-18;Romanos 8 31b-34;Marcos 9,2-10)

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"Evangelho não se mistura" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

São Marcos, em seu evangelho, vai nos colocando de costas contra a parede para levar-nos a uma definição mais clara sobre nossa opção por Jesus. Às vezes ouço dizer: ‘Sou cristão, católico mas não sou de acordo com o evangelho’. Não dizemos com estas palavras, mas sim com atos e mentalidade. A maior força do cristianismo é a graça de Deus. A maior fragilidade é a falta de compromisso dos cristãos.

Deus é fiel, como podemos ler no profeta Oséias: "Eu te desposarei para manter fidelidade". Nossa infidelidade é a falta de compromisso, misturando as coisas, como podemos ler em Marcos 2,21: "Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha... ninguém põe vinho novo em odres velhos" (odre de pele de cabra é um recipiente para vinho). Jesus insiste em não convém misturar as coisas. Não dá certo. "Rasga-se o pano e quebram-se os odres!" Vimos que Ele manda que os que foram curados não contem a ninguém. Por que? Para não ser confundido com um Messias político que vem para resolver os problemas do povo com uma solução miraculosa. Ele quer ser acolhido como o Messias de Deus. Também ser confundido com uma mentalidade religiosa que vive de práticas exteriores como os fariseus. Jesus é a novidade total.

A questão que provoca esta bela frase do vinho novo em odres novos são as práticas farisaicas, não do jejum em si que é bom. O cristianismo primitivo tem sua primeira crise com a dificuldade de que muitos judeus queriam ser cristãos, mas exigiam a prática da lei judaica com todas as suas normas e tradições. Jesus continua o Antigo Testamento, mas recusa a interpretação exterior dada pelos donos da religião. Com Ele começa a grande novidade: Deus em pessoa vem para o meio de seu povo para estabelecer uma aliança no coração, da qual surgirá uma prática autêntica a que chamamos amor. Dirão dos cristãos "vede como se amam"! e não "como praticam bem a lei!" Há uma lei nova que nasce da caridade e é escrita em nossos corações pelo Espírito de Deus.

Existem dois males em nossa religião (que se encontra também em outras) que prejudicam muito seu sentido: fazemos como aqueles que Jesus condenava – praticamos atos exteriores sejam de oração ou de práticas que não têm Jesus como ponto de partida. Muitas de nossas orações de poder, novenas infalíveis, medalhas de proteção, devoções a certos santos milagreiros não tem nada a ver com Jesus. Tudo isso é bom, mas se estiver de acordo com Jesus e seu Evangelho. Para nós, às vezes Jesus não passa de um milagreiro a mais. E nós praticamos atos religiosos não centrados em Jesus, mas em nós mesmos, em nossa vaidade, nossas dificuldades pessoais. A partir do momento em que acolhemos Jesus como o centro e a razão de nossas vidas todos estes atos tomam sentido novo. Assim dizia Jesus: "depois que o esposo for tirado, jejuarão", farão as coisas mas de um modo diferente. Isso é muito sério. Às vezes a Igreja sente insegurança na liberdade que Jesus dá. Mas é preciso romper as correntes e viver a alegria da presença do "Esposo".(Leituras: Oséias 2,16.17.21-22; 2Coríntios 3,1-6; Marcos2,18-22)

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"Mistério Pascal de Cristo" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Viver o Mistério Pascal de Cristo!!! Que é isso? Já há tanta coisa a se fazer na Semana Santa! Tantas cerimônias, procissões, vias-sacras, reuniões e vigílias, sem falar das penitências. O que mais precisamos fazer? Simplesmente usar todos estes meios para viver o Mistério Pascal de Cristo. É uma linguagem antiga que volta a orientar a vida do povo de Deus. Não dizemos mais assistir a Semana Santa, mas participar do Mistério Pascal de Cristo. Agora o povo de Deus vive a mesma fé em outra linguagem. Agora compreende que sua vida está unida à vida de Cristo que nos une à sua vida.

O que é viver o Mistério Pascal de Cristo? Jesus, ao partir para o Pai, deixou-nos o Evangelho para ser sua vida em nossa vida. A Igreja, lentamente organizou a vida da comunidade. Quando falamos de Evangelho lembramo-nos também dos ensinamentos dos apóstolos que não foram escritos. É a tradição. Nela, com a leitura do Evangelho, a Igreja foi organizando a celebração da vida de Cristo em nossa vida. É liturgia.

Como fazemos a celebração da vida de Cristo? A comunidade se reunia para partir o pão, isto é, celebrar a Eucaristia onde estava presente a morte e ressurreição do Senhor. Surge assim a celebração dominical. Depois surge a celebração da festa da Páscoa como a celebração mais importante do ano. Da celebração da Páscoa nasce a celebração do jejum da Sexta-feira e do sábado. Esta celebração estava direcionada ao Batismo. A comunidade fazia a preparação para os batismos, jejuando e celebrando. As celebrações se organizaram até chegar onde estamos. Assim nasceu a celebração do Mistério Pascal de Cristo.

A partir século IV, celebrações da liturgia em Jerusalém têm uma característica importante: eram feitas nos lugares onde aconteceram os fatos da vida de Jesus. Lendo a Palavra de Deus, refaziam de certo modo os passos de Jesus. Assim participavam daquilo que fora a vida Jesus. O ritos exteriores como que refazendo os fatos, explicam a ação de Deus no interior de cada um. Podemos até dizer que o que realizamos em símbolos externos, Deus realiza em graça divina em nós, reproduzindo em nós a imagem e a vida de seu Filho. Pedro diz: “O batismo não consiste na remoção da imundície do corpo, mas em um compromisso solene de uma boa consciência para com deu pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pd 3,21). É um conhecimento exterior que modela nosso interior.

Praticamente funciona assim: a comunidade reunida tem a presença do Espírito Santo que garante a eficácia do sacramento celebrado. A Palavra de Deus proclama a presença da salvação que Cristo nos traz. Os gestos, ritos e símbolos da comunidade expressam exteriormente o que Deus realiza interiormente em cada um. A boa disposição pessoal é a condição para que a graça possa atuar. A abundante generosidade de Deus confere a cada um a participação da vida de Cristo que é viver o Mistério Pascal. O que se vive na Quaresma torna-se uma bela maneira de aprofundar-se na vida de Cristo.

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"Se a semente não morre !" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

A oração da missa dá-nos o caminho para interpretar a liturgia de hoje: “concedei-nos viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou vosso Filho Unigênito a entregar-se à morte pela salvação dos homens”. É o espírito de caridade, de amor divino que une todos os acontecimentos da vida de Jesus, de modo particular sua paixão e morte. É este espírito divino de amor, que vai fazer Jesus passar da morte para a vida, como a semente que morre, ressuscita e dá vida. Devemos lembrar que os mistérios de Deus não são incompreensíveis à mente, são um processo de assimilação que se vive e quanto mais se vive, mais se penetra.

A Paixão de Jesus não foi fácil para Ele, pois chega a “implorar em altos brados e lágrimas Àquele que poderia libertá-lO da morte”(Heb 5,7). A aceitação que tem da vontade do Pai é que é a causa da Ressurreição, pois, atendido, continua a carta aos Hebreus, torna-se causa de salvação eterna a todos. A entrega de Jesus constitui sua aliança nova que Ele realiza primeiro em seu coração, como predisse o profeta Jeremias (Jr 31,31) e leva às últimas conseqüências, como a semente que morre para viver e dar vida.

A experiência do Novo Testamento é muito maior. Paulo, escrevendo a Tito descreve a vinda de Jesus ao mundo: “Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens...” (Tito.3,4). Jesus é Salvador, Redentor, Juiz do Universo, mas quando aparece para nós na forma de uma doce criança, é a expressão mais acabada da bondade de Deus. Tem consciência do direito (e reclama) de ser bondoso como uma ordem do Pai: “A vontade daquele que me enviou, é que eu não perca nenhum daqueles que me deu” (Jo 6,39). Que mais se precisaria dizer depois de ouvir a parábola da ovelha perdida, do bom samaritano, da bondade de Jesus para com os doentes, os fracos e os pecadores. Somente um Deus bondoso se ocupa em abraçar os pequeninos.

Os gregos querem ver Jesus, querem falar com Ele. Ver Jesus, para João, significa crer. A fé se faz em uma procura. Justamente Jesus se manifesta como aquele que foi “elevado”, quer dizer crucificado. Ao ser elevado “atrai” todos a Ele. A elevação tem sentido também de “glorificação” como a dizer que a cruz é o “trono de glória de Jesus” Vemos aí o sinal da ressurreição. Relendo a parábola da semente podemos entender que o maior sucesso da semente não é permanecer viva, mas sim destruir-se para poder fazer crescer a vida que tem dentro de si. A morte é o primeiro sinal da vitória de Cristo, pois na obscuridade da terra a semente retoma vida. Jesus assume a morte para matar a própria morte. A morte como entrega supera a morte como fatalidade e destruição da vida. O ato de fé dos gregos está dizendo da “hora” de Jesus, o momento da sua entrega. Quando tudo entrega, tudo atrai. Tudo converge para o Cristo. Estes gregos que crêem significam dirigir-se para o alto, para a glória, para a vida, para o eterno.

Onde eu estiver aí estará o meu servo. O cristão participa pela fé nos sofrimentos do Cristo e por isso participa também de sua glorificação. A vida cristã é moldada na vida de Cristo que foi uma vida de obediência ao Pai na entrega e na dor da cruz. Mas com a garantia da ressurreição com Cristo. Exatamente aqui se explica o porquê de Jesus aceitar a morte: “Quem ama sua vida, vai perdê-la; quem a odeia (ama menos) vai conservá-la para a vida eterna”. Há sempre uma morte que dá vida. Há sempre em nós uma semente a cair na obscuridade da terra para apodrecer e fazer brotar toda pujança de vida que a ressurreição lhe dá. = (Leituras: Jeremias 31, 31-34; Hebreus 5,7-9; João 12,20-30)

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"Não temais, sou eu!" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Quando Jesus veio andando sobre as águas, os discípulos gritaram de medo. Jesus lhes disse: “não tenham medo, sou eu!”. O temor diante de Deus é uma realidade constante no meio do povo. Podemos dar um exemplo: quando fazemos alguma coisa errada, da qual a consciência nos acusa, nossos olhos fogem das imagens, como se não quiséssemos ser descobertos. A gente até diz: não tenho nem coragem de olhar para o Crucifixo. Temos medo. Outra coisa é o temor de Deus: respeito a Deus e esforço para não romper a aliança com Ele através do mal feito, do pecado.

Antigamente em nossa formação, era muito comum se ouvir aquela frase: “Deus me vê”. E isso estava mais voltado para as falhas no sexto mandamento. Estaria dizendo que nos persegue com o olhar para nos pegar em erro. Será esse o Deus de Jesus, seu Pai querido? Certamente o pecado não perde sua gravidade só porque Deus é bom demais. Ele perdoa, mas quer nossa conversão. O que Ele quer é ser conhecido como Deus de ternura e bondade. Assim reza o salmo: “Não te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas, segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, pela tua bondade, ó Senhor”. (Sl 25,19). Toda a experiência que o povo de Israel tem de Deus, é uma experiência de um Deus que cobra, mas que usa de misericórdia e bondade. Quem fala por último nos pecados é a bondade do Deus que perdoa e acolhe o que se volta pare Ele. “Não tenhais medo”.

A experiência do Novo Testamento é muito maior. Paulo, escrevendo a Tito descreve a vinda de Jesus ao mundo: “Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens...” (Tito.3,4). Jesus é Salvador, Redentor, Juiz do Universo, mas quando aparece para nós na forma de uma doce criança, é a expressão mais acabada da bondade de Deus. Tem consciência do direito (e reclama) de ser bondoso como uma ordem do Pai: “A vontade daquele que me enviou, é que eu não perca nenhum daqueles que me deu” (Jo 6,39). Que mais se precisaria dizer depois de ouvir a parábola da ovelha perdida, do bom samaritano, da bondade de Jesus para com os doentes, os fracos e os pecadores. Somente um Deus bondoso se ocupa em abraçar os pequeninos.

Santo Afonso diz que o amor é capaz de levar a uma conversão consistente, o temor leva à conversão também, mas por pouco tempo. A atitude fundamental que devemos aprender é que Deus nos ama, compreende e conduz sempre com bons modos para o bom caminho. Não existe castigo para nossos pecados. Se algum pecado provoca conseqüências, é por sua própria realidade. A gente ouve dizer: Deus está castigando...Não é verdade. Podemos quando dizer que o pecado traz sofrimento que nos levam a um arrependimento e a uma correção. A Igreja igualmente é convidada sempre a seguir o exemplo de Jesus, tratando com carinho a todos, usando misericórdia e conduzindo à conversão. Os maus-tratos e grosserias que usamos não são de Deus.

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"Queimando bibliotecas!" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Iniciamos a Campanha da Fraternidade sobre os idosos. É toda uma caminhada de conversão que vai levar-nos a ter um relacionamento mais cristão com nossos anciãos. Mais ainda: proporcionar uma vida mais feliz àqueles que tanta vida nos deram.

Vivi na Angola, África, por 3 anos. Pude aproveitar muito da cultura, de modo particular aprofundar alguns elementos que, em nossa cultura, ficam meio de lado. Por exemplo: o relacionamento com a natureza, o amor à família, aos velhos, às crianças, a importância da comunicação e da solidariedade. Algo me pareceu importante: o respeito ao mais velhos, como dizia, o sekulo. O mais velho é uma autoridade. Por que é uma autoridade? Pela experiência de vida e pela sabedoria que acumulou. Por isso dizem que quando morre um velho, é como se queimasse uma biblioteca.

A expressão é bonita: com a morte de um idoso, queima-se uma biblioteca. Todos os conhecimentos acumulados por aquela pessoa correm o risco de se perder. Ele, durante sua vida foi fazendo as experiências, aprendendo a colocar a filosofia em provérbios que sintetizavam em poucas palavras todo um conhecimento. Cada provérbio era um livro de filosofia vivida, ensinada e amada. Não pude experienciar, mas ouvi do povo em geral que, ao fim do dia, depois do trabalho, todos se reuniam no "ondjango", para nós seria o quiosque, e ali, em torno do fogo e dos alimentos conversavam sobre os acontecimentos, discutiam os problemas e contavam as histórias. Tudo isso era guardado anos e anos pelas pessoas. Esta sabedoria era o que fazia deles sábios, uma biblioteca onde se podia encontrar de tudo.

É um ensinamento maravilhoso para nós. Se olharmos a situação de nossos mais idosos, devemos ver que há algo muito sério: em poucos anos, o mundo mudou demais. ‘Grande parte dos confortos que temos nestes tempos informatizados (e, em muitas regiões, até mesmo a eletricidade e o carro) chegaram depois que já tinham a vida feita e organizada’. E vivem bem. E conservam uma sabedoria que receberam de seus pais. Isto é que estamos a perder. Houve uma ruptura muito e seu mundo não é mais o nosso. Eles podem ter ficado incapazes de se ajustarem ao novo do mundo. Mas pelo fato de não falarmos a mesma língua, nem usarmos a mesma linguagem, nem por isso são inferiores.

Podemos adotar a prática de ouvi-los contar suas histórias do passado. Por trás delas existe um mundo, uma pessoa concreta que com um carro de boi e uma enxada, ou sua lavação de roupa ou seu crochê formou um doutor. E o doutor não é capaz de entender que o velho pai e a velha mãe têm ainda uma sabedoria que pode fazer do doutor, um grande mestre. Você será grande no momento em que souber tirar de seu tesouro, coisas antigas e novas, dizia Jesus. Aproveitemos a biblioteca antes que ela se queime. Desligue a televisão, o computador, fique ao lado dos seus velhinhos escutando. No começo pode parecer bobeira, mas aos poucos você vai vendo, de seus arquivos, surgir a enciclopédia da vida.

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"Cinzas e pó" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

Todos os anos realizamos o antigo rito da imposição das cinzas. Cobrir-se de cinzas, como sinal de penitência, é muito antigo. Afunda-se na noite da história. Deitar-se na cinza ou cobrir-se de cinza mostra publicamente que estamos em penitência e reconhecendo uma situação de pecado e arrependimento. Todos os anos a Igreja, terminadas as festas do Carnaval, coloca cinzas na cabeça do povo para dizer: ‘começamos o tempo da Quaresma, tempo de penitência, recolhimento e arrependimento para chegarmos preparados às festas pascais’. Junto à cinza temos as práticas da Quaresma cristã: jejum, esmola e oração. É um tempo de conversão e reconciliação.

A cerimônia das cinzas não significa uma contraposição ao humano, ao alegre. Aliás, o Carnaval nasceu justamente da celebração das cinzas. Com a Quarta-feira de Cinzas iniciava-se um rigoroso jejum durante o qual não se comiam carnes nem derivados do leite. Sobrava pouca coisa para comer. Assim, no dia anterior, fazia-se uma festinha para "despedir-se" da carne. Depois passou-se para a carne que não consegue se despedir e invade a Quaresma. Existem até orações antigas para despedir-se da carne (ad tollendas carnes).

Além do aspecto religioso da penitência, conversão e campanha da fraternidade, há um elemento que não podemos perder de vista: as cinzas desta quarta-feira são um belíssimo símbolo de nossa vida. Gosto muito, embora entenda pouco, de ver a profundidade psicológica de certas narrações bíblicas e de certos ritos da Igreja. Hoje somos conduzidos a entender mais e mais nossa realidade humana e espiritual. Somos cinza e pó. O texto da imposição das cinzas antigamente dizia: "lembra-te homem que és pó e em pó te tornarás". Ser cinza e pó não é uma coisa má. É nossa realidade. Deus fez o homem do pó, com diz a Escritura. Mesmo que a narração não corresponda a uma realidade histórica, corresponde profundamente ao ser humano: a fragilidade e a grandiosa pequenez da pessoa. Isso não é mau, é condição de crescimento.

A Liturgia nos coloca diante desta fragilidade não como condenação, mas como abertura ao Mistério Pascal de Cristo. Ele, na fragilidade da natureza humana, realizou a obra da Redenção, destruindo na cruz o fechamento do ser humano abrindo-o a uma vida que se explica na força redentora de Cristo em a condição humana não é mais um caso sem solução. As cinzas remetem o homem ao seu começo e fim: feito do barro, termina em pó. Pela reconciliação em Cristo, este pó, humedecido pelas águas do batismo, faz de nós um barro na mão do divino Oleiro que nos molda à imagem de seu Filho. O fato de ser pó, conduz à aceitação da humildade necessária para realizar as obras da oração, caridade e o desapego – jejum. Não deixe nesta quaresma de ter uma atitude concreta que prove a você mesmo seu interesse pela vida em Cristo. Escolha uma penitência pessoal, que não o prejudique e faça-a durante a Quaresma. Quem sabe, deixar a braminha, a novelinha, chocolate, refrigerante, falar mal dos outros etc.

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"As tentações de Jesus" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

Iniciamos a Quaresma com a imposição das cinzas em nossa cabeça. Assim nos dispusemos a fazer uma caminhada com Cristo a caminho de sua Morte e Ressurreição. A liturgia quaresmal é muito rica de ensinamento. Somos convocados à penitência e à conversão. Não o fazemos sozinhos. Fazemos com toda a Igreja. Ela toma consciência da realidade pecadora, por isso se converte. Toma consciência também da Ressurreição da qual participa, por isso faz um caminho para a festa da Páscoa. Renovando seu batismo através da penitência, alegra-se com Cristo na manhã de Páscoa. Por isso a primeira leitura fala da salvação que vem pela Arca de Noé. As águas do dilúvio purificam o mundo do pecado, mas ao mesmo tempo são salvadoras. Por isso são símbolo do Batismo.

A liturgia quaresmal tem 3 esquemas A.B e C. No ano B, isto é, neste ano, tratamos das alianças de Deus e do caminho da glorificação de Cristo. No 1º domingo temos as tentações, no 2º temos a Transfiguração, meta de todos a partir da Ressurreição de Cristo que se atua em nós pelo batismo. Depois temos 3 domingos nos quais caminhamos com Jesus pelo caminho da Redenção.

O primeiro domingo apresenta-nos Jesus, homem como nós, sendo tentado no deserto. Como sempre, a Palavra de Deus faz-nos conhecer nossa realidade. Tudo que há em nós, aconteceu também em Jesus. Somos tentados, Ele foi tentado também e bem tentado. Marcos não apresenta, como Mateus, a descrição da tentação. Ele foi tentado sempre e por todos os modos. Por que tentado? Porque carregou sobre si nossas dores (Is 53,4). A provação da tentação já não é uma grande dor? A tentação de Cristo não foi um faz de conta. Foi extremamente real. Quando se fala de 3 tentações é para dizer que nelas estão condensadas todas as outras. "Se Cristo não fosse tentado, não te daria o exemplo de como vencer na tentação", diz S. Agostinho.

Você sofre a tentações e, às vezes, muito fortes. Mas ninguém é tentado acima de suas forças (1 Cor 10,13). Quando Cristo era tentado, diz S. Agostinho, nós éramos tentados nEle, com Ele. Mas com a vitória de Cristo, nós somos vitoriosos nele. O que é a tentação? A tendência ao mal, que permanece em nós depois do pecado, se transforma em momentos concretos que nos estimulam a nos desviar do caminho, recusar o Cristo e o irmão. Mas a tentação é boa, pois tem uma finalidade muito simples. S. Agostinho escreve: "Com efeito, nossa vida na peregrinação deste mundo não pode estar livre de tentações, pois nosso progresso se realiza através dela e ninguém pode conhecer a si mesmo sem ter sido tentado. Ninguém pode vencer sem ter combatido, nem pode combater sem ter inimigo e tentações". Somos vencedores com Ele. A vitória vem pela fraternidade e pelas obras que na Quaresma são a esmola, a oração e o jejum. E dentro da Campanha da Fraternidade, cuidemos para que a tentação de neglicenciar os anciãos fora não domine nosso coração.(Leituras: Gênesis 9,8-15; 1 Pedro, 3,18-22; Marcos 1,12-15)

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"A PEREGRINAÇÃO AO INTERIOR" (Fr. Rogério Gomes, CSsR)

É impossível alguém se tornar um místico se ele não conhece a sua interioridade. Esse processo é árduo, mas possível ao ser que se lança nos braços do Senhor. João da Cruz nos traça o itinerário do Monte Carmelo, Teresa d’ Ávila do Castelo Interior. Seja como for esse processo é essencial, pois é por ele que se adquire a maturidade espiritual. Elaboramos uma parábola que nos leva a questionar sobre o nosso encontro interior e os seus desafios. É sobre um peregrino anônimo...

O sol ia se pondo preguiçosamente. O peregrino resolveu a caminhar e a peregrinar. Pensava sobre o que iria levar nessa viagem. Uma voz interior lhe dizia para levar apenas o essencial das coisas. Ele pôs-se a refletir sobre aquilo que lhe era essencial.

Colocou duas sandálias, abrigo, comida em abundância, barraca para dormir e outras coisas mais. Quando pegou a sacola percebeu que estava muito pesada e não podia andar. Refletiu novamente sobre o essencial e viu que aquilo que levava não era necessário...Jogou tudo fora!

Pegou novamente seu pequeno saco e colocou as Sagradas Escrituras e o pão. Tomou um bastão e um par de sandálias. Sua sacola estava leve e ele podia caminhar. Tinha encontrado o que lhe era essencial à viagem e havia desprezado aquilo que era inútil para ele.

Continuou a caminhar por longas estradas. Quando o sol ardia, decidiu recostar em uma árvore e se encontrou com uma velha amiga chamada História Pessoal. Sentiu profundamente o apelo de sua amiga que lhe pediu para que a escutasse. Ele abriu o Livro e encontrou o alimento para saciar a fome: "antes que te formaste eu te chamei pelo nome!" Partilhou com ela sua vida, despediu-se dela e continuou a caminhar. O sol estava causticante. Olhou para o céu e viu as nuvens correrem tresloucadamente. Elas iam e vinham e desapareciam. O peregrino ao vê-las meditava sobre a fugacidade das coisas. Caminhando, encontrou com dois amigos difíceis de compreender – o Ser e a Existência. Pararam por um bom tempo e eles se falavam do jeito de ser e da manifestação da existência. Então ele os compreendeu. Partilhou com eles um pequeno texto do seu livro sagrado: "Senhor, tu me sondas e me conheces. Conheces o meu sentar e o meu levantar."

Após uma pausa e ter comido um pedaço de pão, começou a olhar ao seu redor e vislumbrava tudo aquilo que o cercava. De repente, começou a ouvir vozes a sondá-lo. Era o encontro com a Criação, alguém que lhe falava muito das maravilhas de Deus. Sentou-se com ela e contemplava a sua beleza. Interpelado por aquela companheira, abriu o Livro das Origens e pôde compreender o sonho de Deus para toda a Humanidade. Conversaram muito e ela revelou tantos detalhes que ele nunca havia percebido. Depois do diálogo o peregrino começou a louvar e a bendizer o Senhor.

Já havia andado muito, mas a viagem era longa e ele não podia permanecer parado por muito tempo. Apesar do cansaço e dos pés calejados continuou a caminhar por uma estrada íngreme. O sol ia se pondo...E a penumbra ia se fazendo presente e ele começou a ficar ansioso, pois havia muitas trilhas desconhecidas e ele tinha medo de se perder. Percebeu uma luz que irradiava de um casebre. Decidiu se dirigir até ele e pedir uma estada por uma noite. Nela morava a família dos Sentimentos. Era uma família enorme, com tanta gente diferente. Percebeu que ao chegar alguns ficaram muito felizes, alegres, outros tímidos e alguns até rejeitaram a presença dele. Percebeu-se naquela família e em sua pessoa havia um pouco de cada um daqueles membros. Convidaram-no para jantar e ele partilhou com eles o pão. Tomou da sua sacola o Livro Sagrado e passaram a noite rezando os Salmos. O sol nasceu e ele se pôs a caminhar...

No dia seguinte, ele começou a subir uma montanha. As estradas esburacadas, cheias de pedras machucavam seus pés. Pensou em desistir. Entretanto, se quisesse chegar ao seu destino teria que passar por aquele caminho. Subia à montanha, quando encontrou um homem esfarrapado, marcado por cicatrizes e no seu olhar, ao mesmo tempo, a alegria e a tristeza. O peregrino perguntou o seu nome e ele lhe disse que se chamava Sofrimento. A história dele comoveu o peregrino e ele se emocionou e começou a chorar. Então, o Sofrimento pediu licença, abriu o saco que o peregrino trazia e começou a ler as bem-aventuranças. Depois disse para ele peregrinar em paz...

Continuou a atravessar a montanha. Começou a rememorar todos aqueles que ele encontrou pelo caminho. Sentia um fogo arder em seu coração. Buscava uma resposta para o que sentia, mas não encontrava. Em seu coração havia uma certeza: na estrada iria encontrar alguém muito especial. Sentou-se sobre uma rocha e pôs-se a meditar. Após longo período de contemplação, envolvido por uma força que agia sobre ele. Sentiu-se profundamente amado. Naquele momento estava acontecendo um profundo encontro de sua pessoa com Deus. Sentiu uma paz profunda, uma tranqüilidade que nunca havia experimentado e abastecido para continuar a viagem. Havia encontrado o essencial de sua vida...

Levantou-se e sentiu que era hora de voltar para a casa. Já durava uma existência sua viagem... Tomou a sacola, o bastão e a estrada para regressar a casa. Havia em seu coração uma nostalgia e um desejo de agradecer por tudo. Ele fez um grande louvor a Deus. Abriu as Escrituras e elevou um hino pelo prodígios de Deus ao homem. Descendo da montanha meditava em cada palavra e agradecia por tudo.

Retornando para a casa, o peregrino encontrou com um sujeito estranho que nunca havia visto. Ele o cumprimentou. O desconhecido disse que lhe conhecia e havia visitado muitos de seus parentes. O peregrino lhe perguntou o nome e ele disse que se chamava Morte. O peregrino sentiu um medo profundo. A Morte o convidou a percorrer um caminho desconhecido. Lembrou-se do encontro que teve com o Senhor e de que era um peregrino. Uma luz lhe veio à mente, sabedoria de Deus, e lhe dizia: "nossa vida passa como rastro de nuvem, e se dissipa como neblina expulsa pelos raios do sol e dissolvido pelo seu calor" (Sb 2, 4). Fechou seus olhos e percebeu que o essencial da vida estava em ser peregrino neste mundo e viver com intensidade cada momento, fazendo o bem, numa profunda comunhão com Deus, numa existência autêntica rumo a casa do Pai...

Para meditar: Sl 136 (135) = Mt 5,1-12 = Eclo 41,1-4 = Eclo 42,15–43,1-33 

1. Você já contemplou a sua História Pessoal? Pare e pense... Já reservou um tempo a si mesmo para meditar sobre a sua vida?

2. Qual a sua reflexão, até hoje, sobre o seu Ser, sua Existência, suas virtudes e defeitos?

3. A Criação é um presente de Deus a nós. Você se preocupa com a degradação de toda a Natureza, que vem acontecendo nos últimos tempos? Como conciliar Espiritualidade e Ecologia?

4. Você já parou e refletiu sobre os seus Sentimentos? Conhece-os? Procure conhecê-los bem e será feliz.

5. Quais são os seus Sofrimentos cotidianos e como superá-los?

6. Qual a sua experiência de Deus? Qual é o rosto que Deus apresenta a você? Procure na sua história pessoal a manifestação de Deus nela.

7. Você já refletiu sobre a realidade da morte? Sobre a sua morte? Ela representa para você o fim de uma etapa ou a esperança de uma vida plenificada em Cristo?

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 "Levanta-te, vai para tua casa!" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

Marcos descreve um milagre sensacional, com uma cena de grande efeito. Conta com detalhes: Jesus está dentro de uma casa proclamando a Palavra, bem do seu jeito: rodeado de ouvintes que ouvem, perguntam, questionam. Chega o doente carregado por 4 homens. Não há jeito de chegar até Jesus. Isso não foi problema. Subiram pela escada externa ao terraço da casa. As casas não tinham telhado como as nossas. Era um teto plano, de material de canas, capim, traves e tudo impermeabilizado com argila. Era então fácil abrir uma passagem. Imaginemos a cena do doente vindo do alto por meio de cordas.

Vemos aí a fé dos homens e do doente: a todo custo chegar a Jesus no qual encontram a solução para o homem. Não há salvação sem solidariedade na fé. Começa o diálogo: "Teus pecados estão perdoados". Começa a confusão: os fariseus já vêem com estranheza o que Jesus dissera. "Este homem blasfema", dizem. "Só Deus pode perdoar pecados" Jesus percebe seus pensamentos, recrimina-os e diz "que é mais fácil dizer: teus pecados estão perdoados ou levanta-te e anda. Para que saibais que o Filho do homem tem poder de perdoar pecados, diz ao paralítico: levanta-te, toma teu leito e vai para tua casa". Bem dizia o profeta Isaias na primeira leitura: "Eis que faço novas todas as coisas" (Is 43.19).

Este milagre tem uma finalidade fundamental para a fé cristã: o perdão dos pecados é iniciativa de Deus. É o "sim de Deus em Cristo". Este texto quer demonstrar a radical missão de Jesus: oferecer a todos a cura total da fonte de todos os males: o pecado. Os homens, cheios de fé, buscam Jesus como cura de um corpo. Mas sua fé lhes mereceu a cura total. O homem veio a Jesus. Mesmo buscando a cura, ele faz tudo para encontrar Jesus. Sozinho não conseguiria. Mas homens de fé, manifestando a fé em Jesus, recebem mais do que pediram: cura do corpo e do coração. A missão de Jesus não é de um curandeiro, como muitos o fazem, como diz a primeira leitura: "tratastes-me como um servo". Sua missão é a reconstrução do homem todo inteiro. A fé já os curara na solidariedade. Conheci, na Itália, o caso de uma menina deficiente físico Foi a Lurdes, mas não pediu o milagre e voltou na sua cadeira de rodas. Mas o milagre foi realizado. Na cadeira de rodas começou um movimento de ajuda e defesa dos deficientes, chegando a forçar o parlamento nacional a fazer leis para melhorar a situação dos deficientes. Este foi o milagre, viver da fé na situação em que vivia, dando condições a outros. A fé é solidária.

O perdão dos pecados é a missão fundamental de Jesus. Deus não nos perdoa só porque lhe damos garantia de nos termos convertido. O perdão vem como dom gratuito, com diz a primeira leitura: "Sou eu quem cancelo tuas culpas, por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados" (Is 43,25). Nossa parte é importante, mas a fundamental é de Deus. Se acentuássemos mais este aspecto, as confissões teriam maior resultado. Converter-se é crer em Jesus e dele receber o perdão. "Levanta-te e anda". Os milagres sem a fé em Jesus não salvam nem convertem. Busque Jesus e terá todos os milagres.

(Leituras: Isaías 43,18-25; 2 Coríntios 1,18-22; Marcos 2,1-12)

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"Memória agradecida"   (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

Olhando para trás e para a frente! Este é o feliz modo que nos faz ficar não velhos, mas idosos. Não sou tão velho para poder gabar-me de minha idade, mas já tenho idade para poder pensar já na velhice. A realidade fundamental é que a vida não se mede pelos anos que se vive, mas pela intensidade de vida que colocamos nestes anos. Frase bonita, mas não é minha. Foi pronunciada em Roma, numa missa de passagem de ano. É simpática, mesmo não resolvendo o problema que enfrentamos do esvaziamento da vida.

Temos a sensação de ter feito tanta coisa e tudo virar fumaça. Isso pode gerar na gente uma desilusão: a que serviu tudo o que fiz? Pior ainda, quando tudo o que fiz não foi para a frente. A realidade tem sido dura. A tão inflação comeu os melhores esforços de todo um povo. Mas continuamos na mesma situação. Alguns conseguiram se aprumar na vida, outros a sobreviver bem. O que interessa é viver com intensidade as situações da vida. É importante ter a vida nas mãos. Não sonhemos com uma juventude que dura sempre. Claro que a gente fica feliz quando alguém nos chama de jovem. Temos que administrar bem o momento presente. Por isso é bom olhar para trás e para a frente. 

Olhar para trás é contemplar o que lhe ocorreu na vida. Mas contemplar e lembrar as coisas boas e agradecer. Isso se chama memória agradecida. Ter uma lembrança feliz de todas as coisas boas. As más não voltam também. Por isso não adianta estar desenterrando misérias. Estão lá os dois velhinhos comentando o passado. É o momento de agradecer por tudo o foi bom. Agradecer as pessoas que passaram por nossa vida e foram boas. Agradecer, agradecer, agradecer. Esta é a sabedoria do idoso. Isso traz um bem espiritual muito grande, pois além de os levar em oração a Deus e nos anima.

Olhar para a frente! Não desanime de ser feliz e de querer contribuir com a vida, com a sociedade. Mesmo que não faça muita coisa, lance seu anzol nas águas mais profundas. Pense e sonhe em realizar. Ninguém é velho demais que não seja capaz de dar frutos generosos. Os frutos são diferentes no velho e o jovem. Certas árvores demoram a dar frutos. São sempre frutas e portadoras de sementes de vida.

Tenho observado em meus pais uma coisa interessante que me chamou a atenção. O idoso se sente feliz quando percebe, que ele, mesmo morrendo um dia, continuará, não somente nos filhos, mas suas coisas continuam nos filhos. Quando os filhos consideram preciosas as tradições de seus pais, o modo de construir, de cozinhar, de se distrair, até mesmo repetir coisas que faziam, respeitar o patrimônio que construíram. Os idosos querem continuar a viver nos filhos e na vida dos filhos. E, se os filhos tem sabedoria, saberão integrar o novo e o velho. Assim os idosos se sentem integrados nas novidades do mundo através da recordação alegre de sua vida Tenha memória agradecida!

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"Leva para as águas mais profundas"! (Pe Luiz Carlos de Oliveira -C.Ss.R.)

São Lucas, no seu Evangelho, traz estas palavras que levarão os discípulos à pesca milagrosa. Jesus pregara ao povo, assentado justamente no barco de Pedro. Depois diz a Pedro que vá para as águas mais profundas e lance as redes para a pesca. Pedro, bom conhecedor daquele lago, diz a Jesus que haviam trabalhado a noite toda e não haviam pegado nada. Mas porque Ele estava mandando, lançaria as redes. Pegaram tamanha quantidade de peixe que as redes se rompiam. Ficaram assombrados. Jesus lhe diz: "não tenhas medo! Doravante será pescador de homens! Então, conduzindo as barcas à terra e deixando tudo, eles o seguiram" (Lc 5,1-11).

O Papa João Paulo II toma estas palavras para dar um impulso à Igreja no início deste novo milênio. Usa as palavras em latim: "duc in altum"- conduz o barco para as águas profundas". O Papa quer uma renovada coragem de enfrentar os maiores obstáculos para ter maiores resultados. Pedro passara por ali, e não pegara nada. Agora, sob a palavra de Jesus, pega uma grande quantidade de peixes. A Igreja, animada com estas palavras está assumindo-as nas suas diversas atividades, de modo particular na área das vocações. Estimula assim aos padres, religiosos e religiosas a viverem mais profundamente sua vocação. Mas o Papa escreve a todos. O que querem dizer estas palavras para nós? 

Imagino você mãe de família trabalhadora, ou mesmo mais "prendas domésticas" ou você no seu escritório, ou no seu trabalho mais pesado, ou o estudo e mesmo um aposentado sereno. É a você, ao senhor e à senhora que o Papa dirige estas palavras. Você vive na Igreja. O Papa convida a ir para águas mais profundas. Ele convida a renovar e aprofundar sua vida no mundo em que vive.

A questão básica é nossa aposentadoria espiritual. Você tem uma vida cristã boa, coerente e consistente. Mas já colocou o pijama. Nenhuma inventiva espiritual cabe na sua vida, na minha vida. Mesmo em jovens podemos encontrar esta atitude. Você faz muita coisa boa e é muito bom. O Papa chama a ser melhor e mais arrojado. Primeiramente você vai procurar um aprofundamento no seu relacionamento com Jesus Cristo no seu interior. Cristo é alguém que você ama e com o qual você dialoga em oração. Somente bem renovado nele que dá coragem de ir mais longe. O passo seguinte é passar esta sua interioridade ao mundo onde vive e trabalha, sobretudo a família. Vai ser o mesmo, mas com mais densidade interior, de modo que sua atitude reflete sua grandeza de coração cheio da presença de Cristo. Pela sua presença ilumina o ambiente onde você age de modo renovado. Depois que dá este passo, aí não falta nada para lançar as redes para uma nova maneira de pescar: conquistar – pescar para Deus. Você tem toda esta energia. Não tenha medo de usá-la, pois usando, ela aumenta. Para o cristão não há aposentadoria espiritual. Por isso pode dar o pijaminha listrado para algum pobre, pois para você não serve mais. 

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"Vivendo a Quaresma" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

Quando estamos diante, por exemplo, de uma máquina nova, perguntamos: ‘como é que isso funciona?’ Procuramos o manual de explicações, ou uma pessoa já acostumada explica. Diante da Quaresma, podemos fazer a pergunta? Como vivê-la? Temos os manuais de explicação que são a tradição, os ensinamentos e a liturgia. O melhor modo é acompanhar os textos da liturgia e as celebrações da comunidade. Nelas temos já as melhores pistas. As tradições antigas eram muito bem definidas. Junto às tradições encontramos as superstições. A Quaresma não é um tempo de medo ou tempo perigoso.

A liturgia apresenta uma riqueza de textos bem grande, trazendo para cada dia um tesouro. Ler os textos do dia é um modo de viver a Quaresma. É o caminho para a reflexão que vai nos ajudar na conversão. Assim fazemos a preparação para a Páscoa que é a maior finalidade da Quaresma. A Campanha da Fraternidade é o caminho popular e brasileiro de fazer bem este tempo bendito. Vamos refletir sobre a situação do idoso, e fraternalmente melhorar nossa relação com os idosos e oferecer-lhes melhores condições de vida.

Há 3 elementos que são sempre invocados na liturgia, na tradição antiqüíssima da Igreja e que já encontramos no evangelho: a oração, a esmola e o jejum. É o tripé da vida quaresmal que vai favorecer nossa conversão para o perdão dos pecados que celebramos na renovação das promessas batismais na noite de Páscoa.

O jejum é a primeira prática. Podemos ler um texto de São Leão Magno: "Amados filhos, aquilo que convém fazer em todo tempo, deve agora ser praticado com maior zelo e piedade, para cumprimos a prescrição que remonta aos apóstolos: de jejuar quarenta dias, não somente reduzindo os alimento, mas sobretudo, abstendo-nos do pecado".

A oração é a segunda prática. São João Crisóstomo comenta sobre a oração: "A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se eleva aos céus e abraça o Senhor em inefáveis amplexos; Qual uma criança com sua mãe, ela clama a Deus em lágrimas, sedenta do leite divino. Exprime seus desejos e recebe dons superiores a toda natureza visível". Reze mais. Reze orações costumeiras, reze orações do coração, aquelas ensinadas pelo Espírito Santo.

A esmola é a terceira prática: Esta esmola é o resultado da oração e do jejum. A esmola, isto é, o cuidado com os pobres deve ser uma constante na vida cristã, do contrário não seremos cristãos. Com esta preocupação consciente e organizada poderemos superar os graves problemas que envergonham o mundo. Ela tem o nome de justiça e igualdade. Voltemos a ouvir S.João Crisóstomo: "Não nos esgotemos para acumular bens e deixá-los em reserva, enquanto os outros se esgotam pela miséria...(Deus repartiu os bens a todos igualmente) ...Quis assim ressaltar, com a repartição igual de seus bens, a igual dignidade da natureza e manifestar as riquezas de sua bondade".

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"Se queres tens poder de curar-me" –"Quero, fica curado"  (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.)

Nos domingos do tempo comum deste ano lemos o Evangelho S. Marcos. Ele proclama seu evangelho fazendo uma bela composição de fatos, milagres, parábolas e ensinamentos que demonstram sempre mais claro que Jesus é o Messias. Em seu Evangelho há uma característica interessante: manda que os que foram curados não contem aos outros. É o que chamamos de segredo messiânico. Por que Jesus quer segredo? Por que veio como Salvador e através do sofrimento. Ele não corresponde aos anseios de certos grupos que queriam um Messias político. Jesus é o Messias.

Temos mais um milagre. Estes milagres nascem do coração compassivo de Jesus que via as multidões sofridas e procurava sanar suas dores. O leproso em Israel vivia sob leis severas: devia retirar-se do convívio das pessoas. Sua lepra era considerada consequência do pecado. Conforme diz a primeira leitura, devia gritar quando passava: impuro! Impuro! O leproso do Evangelho sai daquela separação, vai até Jesus, ajoelha-se e diz: "‘se queres podes curar-me’. Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele disse: ‘quero, fica curado’". A lepra desapareceu. Jesus diz: "Não digas nada a ninguém, mas vai e mostra-te aos sacerdotes para comprovar que estás purificado". Jesus manda-o a cumprir o que a lei diz para que volte a viver na comunidade. Ele sai e proclama a notícia. Este Evangelho, além da cura exterior tem o sentido também da purificação do homem que se aproxima de Jesus. Os milagres anunciam Jesus e sua salvação.

A Igreja procura dar às pessoas a possibilidade de se purificaram interiormente através do encontro salvador com Jesus. A purificação proposta por Jesus se inicia pelo grande gesto de buscá-lo. Ser buscado por Deus transparece no gesto que fazemos de procurá-lo. O leproso saiu de seu mundo e foi procurar Jesus. Assim, só se realizará mudança em nós no momento em que procuramos Jesus. Somos chamados a nos apresentar diante dEle, reconhecendo nossa situação. Reconhecer a própria realidade necessitada é a base de reconhecer a Jesus como salvador. A ação de Jesus em nós que se dá no íntimo. Jesus diz que procurasse o sacerdote para cumprir a lei. Não podemos reduzir todo este mistério de purificação somente ao sacramento da penitência, mas a toda a Igreja que é lugar do encontro salvador com Deus nas mais diversas formas. Depois temos o sacramento da penitência, que não é uma simples falar pecados e receber um perdão, mas é modo de viver como buscando a Deus na comunidade que manifesta exteriormente a misericórdia e o perdão.

O próprio leproso apresenta a consequência prática deste Evangelho: saiu proclamando a notícia. Isso significa que a purificação conduz à proclamação do Evangelho. A purificação não se reduz ao um gesto interior, mas de vida de Igreja, com os irmãos, purificando o mundo. "Se queres tens poder de curar-me" – Quero, fica curado!

(Leituras: Levítico 131-2.44-46; 1 Coríntios, 10,31-11,1; Marcos 1,40-45)

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“Jesus ressuscitou” (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Chegou o dia da querida festa da Páscoa, dia em que o Senhor Jesus, saindo vivo do sepulcro, venceu a morte e nos trouxe vida nova. Por isso, digo a todos. Feliz Páscoa! É um dia de felicidade. Perdidos e sem esperança, encontramos nEle nossa realização e nosso futuro. A ressurreição de Jesus Cristo, sua vitória sobre tudo o mal e todo o sofrimento e morte se concretizaram naquele romper de aurora, quando Maria Madalena, no primeiro dia da semana, isto é, o domingo, foi ao sepulcro para chorar um morto e não o encontrou, pois estava vivo.

A história de um acontecimento. = São tão bonitos os ensinamentos sobre a ressurreição de Jesus! Sinto grande dificuldade de explicá-los. Parece que não consigo desenvolver este tema. Mas o Evangelho parte por um caminho muito simples: narra os acontecimentos. Tudo muito simples e à mão. O morto estava guardado por soldados. De repente, um estrondo: Ele sai vivo do túmulo. As mulheres vêm embalsamar um corpo e encontram um vivo. Os dois discípulos, Pedro e João, correm para ver e constatam o acontecimento com os olhos e com a fé: “Ele viu e acreditou”. A seguir, os evangelhos narram as diversas aparições.Não há nenhuma explicação, há somente a narração dos fatos. Lembremo-nos bem que dois dias antes tinham-no deixado num túmulo. E agora, quando estavam chorosos e tão desiludidos, Jesus se coloca no meio deles. Na sua alegria, ainda não conseguem acreditar e pensam até que fosse um fantasma; Jesus lhe dá uma prova simples: “vocês tem algo de comer? Dão-lhe um pedaço de peixe que Ele come diante deles. Linda explicação: quem come está vivo.

A vida que não tem morte. = S.Paulo na carta aos Colossenses dá-nos a referência da ressurreição com nossa vida: “vocês que ressuscitaram com Cristo,buscai as coisas do alto...vós morreste e vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Na mesma simplicidade dos acontecimentos, podemos entender a vida de Cristo como uma união com nossa vida, pois assumiu nossa humanidade. Com sua morte, morre nossa humanidade com Ele, mas pelo seu dom a Deus, Deus o ressuscita e nós nos ressuscitamos com Ele. Se está unido a nossa humanidade, Realizou o mistério na nossa redenção dentro dela e continua unido a ela na sua glória junto do Pai. Pedro, no seu discurso de Pentecostes, diz que “nós somos testemunhas”. A fé na ressurreição não é primeiramente aceitar uma doutrina, um testemunho: eu vi. A partir daí temos a vida do povo de Deus que sente a presença de Jesus de muitos modos.

A alegria de anunciar. = A ressurreição inundou de alegria o coração dos discípulos. Eles saíram para anunciar. De nossa parte, nós que não vimos com nossos próprios olhos, mas acreditamos porque, unidos ao corpo a Igreja, vimos através dos discípulos e cremos no seu testemunho, vamos anunciar os acontecimentos, sobretudo por sua ação em nossa vida. Ele continua entre nós “fazendo o bem”. Quanto não fazemos na força da ressurreição?! =(Leituras: Atos dos Apóstolos 10,34a .37-43; Colossenses 3,1-4; João 20,1-9

FICHA:01)= 1. Chegou o dia da Páscoa, dia em que o Senhor Jesus, saindo vivo do sepulcro, venceu a morte e nos trouxe vida nova. É um dia de felicidade. Perdidos e sem esperança, encontramos nEle nossa realização e nosso futuro. 02)= 2. O Evangelho parte por um caminho muito simples para explicar a Ressurreição: narra os acontecimentos. Tudo muito simples e à mão. 03)= Na simplicidade dos acontecimentos, podemos entender a vida de Cristo como uma união com nossa vida, pois assumiu nossa humanidade. Com sua morte, morre nossa humanidade com Ele, mas pelo seu dom a Deus, Deus o ressuscita e nós nos ressuscitamos com Ele. Se está unido a nossa humanidade, Ele realizou o mistério na nossa redenção dentro dela e continua unido a ela na sua glória junto do Pai. 04)= 4. De nossa parte, nós que não vimos com nossos próprios olhos, mas acreditamos porque, unidos ao corpo a Igreja, vimos através dos discípulos e cremos no seu testemunho, vamos anunciar os acontecimentos, sobretudo por sua ação em nossa vida.

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"Dias da Semana Santa" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

TRÊS DIAS DE TENSÃO.- Hoje vamos dar uma visão de conjunto dos dias da Semana Santa, quando celebramos o Mistério Pascal de Cristo. Passado o Domingo de Ramos vivemos um clima de caminho com Cristo. Acompanhamos sua tensão interior e choques com os chefes do povo e da religião. Na 2ª,3ª e 4ª feiras, lemos textos do profeta Isaias que falam do servo sofredor. Jesus é este servidor de Deus que se entrega por nós. Nos evangelhos acompanhamos o esboçar-se da traição de Judas e a decisão dos “homens” de matar Jesus. Na quinta-feira de manhã temos a missa da bênção dos Santos Óleos (catecúmenos, crisma e enfermos) que entram na confecção dos sacramentos. Os sacramentos nascem do Mistério da morte e ressurreição de Jesus, e são eles a nos dar os frutos da redenção conquistada por Jesus.

UMA BACIA E UMA TOALHA.- Ao cair da tarde de 5ª feira iniciam-se as grandes celebrações. A missa da Ceia do Senhor, relembra 4 pontos fundamentais: a Eucaristia, pão e vinho que tornam presente o sacrifício redentor de Cristo; a instituição do sacerdócio quando Jesus diz: fazei isso em memória de mim; o mandamento do amor que é o caminho da vida e salvação, síntese de tudo o que Jesus foi e ensinou; a humildade, maior virtude, para viver como Jesus viveu. Mais bonito ainda é ver Jesus sintetizar tudo isso na cerimônia do Lava-pés. Ali está o sacerdócio como serviço, a maneira de amar com humildade e a explicação da Eucaristia e da morte-ressurreição de Jesus, modo de Deus amar e servir o mundo, vivido e ensinado pelos cristãos: partir e repartir. Após a missa temos a adoração silenciosa junto à agonia de Jesus no Horto das Oliveiras. Simples: ma bacia e uma toalha, resume muito.

UMA CRUZ E UMA LÁGRIMA. - Não temos missa na Sexta-Feira Santa, pois o sacrifício celebrado na missa se realiza em Jesus Crucificado. Ali, o Deus-Homem chega ao absurdo do amor: entregar-se pelos que ama. “Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos”. Ele era nosso amigo quando não éramos ainda seus amigos. Última gota de sangue, última prova de amor. Na liturgia das 15 horas celebramos a morte de Jesus. Ela se torna presente. Ouvimos a Palavra de Deus que proclama a presença desta morte, rezamos por todas as necessidades do mundo e adoramos Jesus morto sobre o madeiro. Quanta dor e sofrimento no Filho, na Mãe e nos amigos! “Uma espada traspassará tua alma”. Mãe das Dores, rogai por nós. Ao final temos a Comunhão. Celebramos Cristo morto, mas Ele está vivo.Por isso podemos participar totalmente de seu mistério pela comunhão de seu Corpo e Sangue redentores.

UM TÚMULO VAZIO. - Passamos o Sábado no silêncio ao lado do túmulo silencioso. Não há celebração, há somente a dor silenciosa pela morte de um Deus. Nosso Deus não mata, morre por nós. À hora noturna iniciamos a celebração da Vigília Pascal. É o dia que escolhi para ir para o Céu. Lindíssimo. Celebro este mistério com uma alegria incalculável. É o fogo novo, a proclamação da Páscoa, as leituras, a renovação das promessas do batismo, a celebração Eucarística. Ressuscitamos com Ele. Passemos estes dias ouvindo a Palavra e abrindo o coração.

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