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Temas para refletir e viver  

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"Efeta! Abre-te!" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Os milagres de Jesus têm como primeira finalidade a fé. No capítulo 8,17-21 de Marcos, Jesus alerta quanto ao fermento dos fariseus, isto é, o veneno contra a fé. “Cuidado com o fermento dos fariseus”! Por falar em fermento, os discípulos pensam no pão que haviam esquecido de trazer. Jesus, que fizera os milagres dos pães pouco antes, pergunta: “vocês não entenderam? Por acaso tendes o coração endurecido, como os fariseus, vendo com os olhos não vêem e ouvindo não ouvem? Ainda não entendeis”, mesmo tendo visto os dois milagres da multiplicação? Jesus fala numa linguagem e eles entendem em outra. Este é o fruto da falta de fé: incompreensão. Jesus faz um milagre que leva a compreender a fé: “leva o surdo-mudo para fora, toca seus ouvidos e a língua e diz: Efetá! Que quer dizer: abre-te”! Há um grande ensinamento neste texto: para ter a fé do discípulo de Jesus é necessário ser tocado na língua e nos ouvidos. Assim se pode receber o dom da fé. Abrir-se à escuta da revelação, à contemplação do mistério de Cristo e a um empenho no anúncio da própria fé é condição para ser curado. Sem este toque vemos as coisas com os olhos fechados. Na realidade, só a verdade da fé é capaz de nos ajudar na interpretação sem misticismo, mas como Jesus o fazia. Isto nos mudará a vida. Não há multiplicidade de fé. Fé só é em Jesus.

A profecia. Sempre houve esperanças no mundo. A profecia é testemunho desta esperança. O profeta Isaias anuncia: “Então se abrirão os olhos dos cegos, e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cabrito e se desatará a língua dos mudos” (Is 355-6). As coisas difíceis do mundo não se resolvem num passo de mágica ou com um milagre. O milagre nasce da esperança, da ação que fazemos e do modo de encarar o mundo com os olhos da fé, sabendo ouvir os clamores dos sofrimentos e ter língua para testemunhar a verdade. O fechamento do coração é o verdadeiro paganismo no qual fazemos nossos deuses. Com a luz da fé podemos identificar um mundo novo. No passado o profeta anunciou, para realizarmos hoje. Jesus mostrou que se realiza.

A realidade da fé na Igreja. Creio que falta fé, quando não vemos nossa realidade com os olhos de Jesus. Tiago é claro em sua expressão quando coloca as causas de nossos males: a discriminação entre as pessoas da comunidade: “Se entra em vossa reunião uma pessoa bem vestida e também um pobre com roupa surrada, e vós dizeis àquele: vem e assenta-te aqui à vontade, e ao pobre, fica aí de pé ou senta-te no chão aos meus pés, não fizestes discriminação entre vós?” (Tg 2,2-4). Fazemos discriminações quando agimos a partir da posição social das pessoas, de seu dinheiro. Os valores estão invertidos. O fechamento de muitos que vivem para o dinheiro está errado porque o usam como uma religião, isto é, como uma posse e não um uso para Deus. A Eucaristia que celebra a Igreja tem a finalidade de construir um mundo a partir da fé e não dos bens. Assim, abrindo nossos olhos e ouvidos, poderemos ver e ouvir melhor e proclamar com a voz e a vida a riqueza de ver Deus.(Leituras: Isaias 35,4-7; Tiago 2,1-5; Marcos 7,31-37)

Ficha :

 1 -Jesus alerta os discípulos contra o fermento dos fariseus. Os discípulos ficam em apuros, pois esqueceram de trazer pão. Jesus poderia resolver este problema com um milagre, pois já o fizera há pouco. Mas deixar o fermento dos fariseus tomar conta depende de cada um. Para que se entenda este dom da fé, faz a cura do surdo mudo indicando que para viver a fé é necessário ter os olhos abertos por Jesus para ver a realidade da vida a partir dEle, ouvir sua Palavra e proclamar com os lábios o que acreditamos. 

2 - Quando vemos as necessidades do mundo nós ficamos desanimados. Mas as profecias falavam destes tempos em que haverá este milagre no coração das pessoas: os cegos verão, os surdos ouvirão, os coxos andarão. A fé cura todos estes males.

 3 -Tiago diz que o que mais fecha nosso coração e não deixa ver o caminho é a discriminação que realizamos em nossa vida e em nossas  comunidades. A Eucaristia tem finalidade de abrir nossos olhos para ver a realidade de nossa fé, ouvir a Palavra de Deus, e proclamar esta novidade de vida em um mundo fraterno, sem discriminações.

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"A lei do coração" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Leis e leis - “Sede praticante da Palavra, não meramente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tiago, 1,22). “A Palavra de Deus é a luz do meu caminho” (Sl 119,105). Esta Palavra se explica através de muitos modos. Um deles é a lei. “A lei do Senhor é perfeita, luz para os olhos e alegria ao coração” (Sl 19,8-9). Não sem razão o Deuteronômio diz que “seguindo os mandamentos viveremos e entraremos na terra prometida pelo Senhor” (Dt 4,1), “porque neles está vossa sabedoria e inteligência” (Dt 4,8). Quem tem leis mais justas? A lei de Deus tem toda a sabedoria e por ela temos condição de dirigir nossa vida, orientar nosso caminho, viver e ir à terra prometida, o Paraíso. Falamos da lei de Deus e há leis e leis. S. Pedro, nos Atos dos Apóstolos diz, com respeito aos novos cristãos provenientes do paganismo: “Não devemos impor-lhes um peso que nós mesmos não conseguimos suportar” (At 15,10). Os 10 mandamentos foram se avolumando, chegaram a mais de 600 mandamentos para os judeus. E Jesus disse: “Eu vos dou um novo mandamento que vos ameis uns aos outros”. Se formos olhar a sede de leis que há na Igreja, tanto provindas das autoridades como as criadas por grupos e organizações, podemos encher boas bibliotecas. A sede de leis é a maior insegurança que possuímos e a incapacidade de viver com as leis fundamentais. Basta ver a organização de uma paróquia: leis e leis. Normalmente há opressores que as fazem para manter o poder nas comunidades sobre os fracos.

Leis da Verdade. Não defendemos a ausência de leis. São necessárias para encontrar o caminho e organizar a comunidade. O problema básico é que não temos conhecimento das leis necessárias e damos valor exagerado às leis que são somente tradições de um tempo, leis rituais inúteis criadas ao acaso. Essas sim são bem guardadas, poder-se-ia dizer, mas os mandamentos de Deus ficam de lado. A lei da verdade é aquela que nasce da Palavra de Deus e não do gosto de complicar a vida do povo, leis que nascem da opressão das pessoas. “As doutrinas que ensinam são preceitos humanos. Abandonais os mandamentos de Deus para seguir a tradição dos homens” (Mc 7,7-8). No que concerne à lei, somos chamados a ter a capacidade de discernir estas leis e os mandamentos humanos.

Lei do coração. Jesus, afirmando que a maldade e o que mancha o homem são os males que nascem do coração mal intencionado, está dizendo, também, que as leis que nascem do bom coração são aquelas que se baseiam na caridade que tudo quer orientar para o bem das pessoas. A lei do coração bem intencionado é aquela que promove a liberdade e deixa espaço para a criatividade. Cada um, responsavelmente, procure orientar o seu caminho e aprender a discernir as leis; o caminho fundamental é o amor a Deus o amor ao próximo e o bem do povo de Deus. Jesus, entrando em choque com os judeus porque não dá atenção a leis inúteis que não provêm da Palavra de Deus, alerta também para a necessidade de uma lei sadia e salvadora. (leituras: Deuteronômio 4,1-2.6-8; Tiago 7,1-8.14-15.21-23; Marcos 7,1-8.14-15.21-23).

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"Vocação Religiosa" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Homens e mulheres que amaram- No ano vocacional, contemplamos a vocação religiosa. Homens e mulheres deixaram a família, os bens e se colocaram em uma família religiosa com uma finalidade muito precisa: seguir Jesus como todos os cristãos, com a diferença que querem viver como Ele vivia. Jesus não quer que todos a vivamos do jeito que escolheu para viver: casto, pobre e obediente. Sem se casar, sem ter bens pessoais e sujeito à vontade de um outro em uma comunidade. Com este tipo de vida lembramos a todas as pessoas que a vida não termina aqui e que há valores superiores. Bom seria se nós vivêssemos melhor nossa escolha para que o sinal que somos fosse mais claro e mais significativo. Mas o sinal, o exemplo claro é Jesus que procuramos continuar presente neste mundo.

Cristo era casto. Jesus escolheu um modo de viver. Não foi casado. Por quê? A família não é fundamental? Fez-se solteiro para dedicar-se totalmente ao povo de Deus e se entregar ao Pai até à morte e morte de Cruz. Desta maneira pode deixar um caminho para quem quer se dedicar totalmente ao Reino de Deus e aos necessitados deste Reino. Ser casto é ser amor para todos. Não nega o matrimônio, mas o ressalta mostrando que seu verdadeiro valor encontra-se na entrega um ao outro por amor e para sempre. O religioso continua o amor de Jesus para com todos. Esta castidade liberta-o e mostra o verdadeiro valor da sexualidade que se localiza no amor de entrega e acolhimento da pessoa do outro.

Cristo era pobre. Jesus mesmo afirma que os pássaros do céu têm seus ninhos, as raposas têm suas tocas, mas o filho do homem não tem onde repousar a cabeça (Lc 9,58). Ele viveu do trabalho manual e das ajudas daquelas mulheres que o sustentavam com seus haveres (Lc 8,3). Sua pobreza chega ao extremo de necessitar de um túmulo emprestado para ser sepultado. Sua pobreza maior foi viver afeto aos mais abandonados mesmo tendo amigos ricos que Ele freqüentava e amava. Mas esteve comprometido com quem estava fora da sociedade (crianças, prostitutas e mal vistos...) Desimpediu-se dos bens para ficar livre a fim de se dedicar à vida de pregador anunciando o Reino. O consagrado pelo voto de pobreza mostra que o valor supremo não são os bens e que, vivendo sem bens se tem um a vida feliz. Assim se dá o testemunho do valor da vida que necessita liberdade.

Cristo era obediente. Jesus vivia para fazer a vontade do seu Pai. Sua preocupação era agradar o Pai e assim foi até sua morte. Sua frase predileta era: “Não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mt 26,39). Sentia-s responsável por todos, porque este era o desejo de seu Pai. O religioso quando entra para uma congregação promete obediência, isto é, não vive para o que quer, mas coloca sua vontade junto com as dos companheiros e juntos buscam a vontade de Deus que é o cuidado de todos, sobretudo dos pequeninos. A obediência é o abraço do Pai que chega a todos os seus queridos. Pobreza, castidade e obediência são um presente para o mundo. Quanto melhores somos, tanto bem fazemos a mais.

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"Recapitular o universo em Cristo" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Missão de todos.- As grandes missões de Jesus são grandes ofertas ao mundo. Veio da parte do Pai para implantar um Reino que, iniciando aqui e continuando na eternidade, consiste em criar o dinamismo do amor e ser caminho para a felicidade já e na vida futura. Por isso associa pessoas para anunciar estas grandezas. Quem são estes enviados de Deus? Somos todos nós e alguns de modo particular. Deus não muda o mundo com milagres ou em um estalar de dedos. O Reino cresce como uma plantação: cresce lentamente, necessitando a ajuda de todos, e de cada um em particular. Precisamos tirar da idéia que as tarefas são sempre para os outros. Ele escolheu cada em particular. Cada um a seu modo e, com suas capacidades, cumpre esta missão. Ele nos fez conhecer o mistério de sua vontade (Ef. 1,9). A colaboração de cada um é sempre grande.

Jesus envia todos. Jesus tem uma missão muito clara: mudar o mundo em profundidade. Deus quis fazer de Cristo o coração do mundo. Quer mudar o interior, por isso diz: "Deu-lhes poder sobre os espíritos imundos"(Mc 6,7). Todo mal é identificado com um espírito impuro. Todos são enviados com este poder. Podemos transformar o mundo através das atividades de nossa vida, palavra e atitudes pessoais. Sendo bom e correto, mesmo que não diga uma só palavra, você é um enviado de Deus que tira o pecado do mundo. Você é o primeiro impulso para esta transformação. É deste testemunho, mais do que de palavra, que Deus precisa. Também a palavra é boa e até necessária a quem pode. Esta palavra não é só a pregação da Igreja. Ela é a água que brota da fonte de seu coração. Diz S.João: "de seu seio jorrarão rios de água viva, Ele falava do Espírito Santo que receberiam todos os que nEle acreditassem"(Jo 7,38-39). O fato de educar os filhos, alunos, pessoas com as quais se convive, para o caminho da verdade, já é pregação e, a mais fecunda. E os discípulos curavam a todos (Mc 7,12).

O drama da recusa. Jesus já previu que alguns vão recusar seus enviados. É a liberdade de escolha, ou o mau resultado de sua escolha. O profeta Amós é um exemplo vivo. Ele é um agricultor que vem pregar diante do rei. Há muitos que pregam e profetizam diante do rei, mas para agradar. São os falsos profetas que falam muito e bonito, como vemos no mundo da mídia. Falam o vazio, mesmo dizendo que estão falando em nome de Deus. O profeta Amós, porque fala a verdade, é expulso (Amós 7,12-15).Os discípulos serão recusados, nós também, por pregarmos uma moral justa, uma verdade exigente, mas que salva. Mas temos certeza de que estarmos transformando o mundo e implantando este mundo novo. A atitude fundamental que vai nos manter na força da missão é o reconhecimento de sermos amados e escolhidos para sermos santos e irrepreensíveis a Seus olhos no amor"(Ef 1,4). Fomos libertados pelo Seu sangue (Ef 1,7-8). Assim levamos o mundo a se voltar para Cristo que é a cabeça do universo (Ef 1,10). (Amós 7,12-15; Efésios 1,3-10; Marcos 6,7-13)

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"Mistério Pascal de Cristo incide sobre nossa vida." (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Tempo comum, tempo de Cristo em nossa vida.- Passaram-se as festas pascais. Agora entramos mais fortemente no tempo comum em que celebramos o Mistério Pascal em nosso cotidiano. É a memória de Cristo, não a partir dos fatos históricos da redenção, mas nos fatos de nossa vida. Celebramos festas de Nossa Senhora e santos que realizaram em suas vidas o Mistério de Cristo. O que caracteriza este tempo é a esperança que é simbolizada na cor verde dos paramentos. Somos levamos a compreender melhor como o Mistério Pascal de Cristo incide sobre nossa vida.

Coração de pedra. Duas realidades que se manifestam como constante e intrigante inquietação. A primeira é a recusa de Jesus, como podemos ver no evangelho. Os judeus de Nazaré recusam Jesus porque era gente deles, simples como eles. Ficam escandalizados por que se tornara um pregador e fazedor de milagre. "De onde recebeu tudo isso? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses milagres realizados por suas mãos? Não é Ele o filho do carpinteiro?" (Mc 6,2-3). O profeta Ezequiel lamenta também a recusa e o fechamento do povo que não tomava conhecimento da Palavra de Deus. "É um povo de cabeça dura e coração de pedra... bando de rebeldes" (Ez 2,4-5). Esta recusa nos incomoda. Por que não se aceita Jesus? Vemos, nas comunidades, que Jesus é recusado pela vida que as pessoas levam. Com isso a comunidade se sente bloqueada e não se desenvolve.

Espinho na carne. A segunda inquietação é a dura realidade humana: Paulo, mesmo tendo revelações sofre com um problema que ele chama de espinho na carne e demônio que o esbofeteia. Por que? Para que eu não me orgulhasse de mim mesmo (2 Cor 12,7). Não sabemos o que era. Mas pode ser a perseguição dos judeus, dos falsos irmãos que eram problema para ele nas comunidades. Ou poderia ser um problema de saúde, ou mesmo uma dificuldade pessoal. Paulo pede para ser libertado dela. Nós, igualmente, temos nossas dificuldades e problemas. A gente se apavora, pois fizemos tantas coisas boas, tendo feito tanto por Deus. De repente, uma doença, um problema, uma pessoa ou mesmo um pecado nos fazem ir lá embaixo. É nosso espinho. Aí a gente fica sem entender e diz: fiz tanto por Deus e agora recebo isso em troca. Ele não escuta minha oração. Tive até graças especiais. Isto se chama o orgulho em que nos achamos bons. Aparece então nossa fraqueza.

Basta-te minha graça. Qual a resposta que temos para esta situação? Vamos sempre encontrar gente que recusa Jesus, ou pior ainda, que é batizado, vive na Igreja, mas leva uma vida que não corresponde ao evangelho. Temos este espinho na carne que são nossas dificuldades. Como resolver? Jesus responde a Paulo: "Basta-te minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta". Notemos: nossa força é Cristo habitando em nós. Se coloco toda a força em mim mesmo, então sou um fraco, mas sou forte se coloco a força em Cristo. (Leituras? Ezequiel, 2,2-5; 2 Coríntios 7-10; Marcos 6,1-6)

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"S.Pedro e S.Paulo" - "Dois Pilares da Igreja" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Santos amados.- A festa dos Apóstolos Pedro e Paulo é muito querida. São santos amados. Pedro mais que Paulo. Na verdade Pedro, pela sua própria história simples é mais popular. Paulo, embora tenha sido popular, seus escritos são mais elevados. O próprio Pedro escreve que "em suas cartas há coisas difíceis de entender" (II Pd 3,15). Ele explica o evangelho de modo muito profundo. Mas os dois são pilares da Igreja. O próprio prefácio da missa reza: "Estes dois apóstolos, por diferentes meios, congregaram a única família de Cristo". Pedro e Paulo se dividiram o mundo, como decidiram: "Pedro prega aos judeus e Paulo aos pagãos" (Gl 2,9). Pedro dá o primeiro passo de entrar na casa de um pagão. Ele leva a fé a Roma. Paulo, judeu, amava seu povo, tinha preocupações de fazer coletas e mandar para os pobres de Jerusalém.

Guardei minha fé. Pedro e Paulo são os esteios da fé. O homem simples da Galiléia, Pedro, torna-se, pela sua profissão de fé em Jesus, o primeiro passo de nossa resposta à pessoa de Jesus e sua mensagem. "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18). Esta fé, fecundada pelo Espírito, torna-se a força de Pedro. Depois de Pentecostes ele tem um vigor e sabedoria que assusta os judeus (Atos 4,13). Lendo Atos dos Apóstolos, tem-se a impressão que ele apresenta um vigor tal qual Jesus. Até sua sombra curava. Paulo sofre pela fé em Jesus, enfrenta longas distâncias a pé, em navios, sofrendo naufrágios, perseguições, prisões porque anunciava Jesus. Assim testemunha: "Combati o bom combate, guardei a fé" Tem sua força na fé em Jesus: "O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças" (II Tm 4,7.17).

Tu sabes tudo, sabes que te amo. O afeto de Pedro e Paulo por Jesus não é só a coragem de dar a vida por Ele, mas é algo também belo: "Fui conquistado por Cristo" (Fl 3,12). "Ele que me amou e se entregou por mim" (Gl 2,20). Não fosse esse amor, não daria conta de sua missão fez tudo por Jesus Cristo. Pedro, afogueado no seu temperamento, não perde a chance de dizer, mesmo tendo negado: "Tu sabes tudo, sabes também que te amo" (Jo 21,17). Jesus não duvida de sua fidelidade e confia-lhe a Igreja: "Apascenta meus cordeiros, minhas ovelhas" (Jo 21.17). Assim também confia em nós, em nossa fragilidade e na força de nosso amor.

Ele dará o prêmio. Passaram dificuldades, chegando até à boca do leão (II Tm 4,17). Mas continuaram. Sentiam dificuldades. Paulo reclama: "Todos me abandonaram" (II Tm 1,15). "Mas sei em quem confiei" (I Tm 1,12). Sua palavra se funda na esperança. Pensemos: Estes homens simples anunciam que Jesus está vivo e sua palavra é aceita. Não estavam falando defunto que voltou à vida. Mas de uma vida a ser vivida com o Vivo. Em uns 30 anos de pregação já tinham implantado o evangelho em toda Ásia Menor. Paulo talvez tenha chegado até à Espanha. Só a confiança no amor que a fé lhes inspirava poderia ter tão grande resultado. (Leituras: Atos, 12,1-11; 2 Timóteo 4,6-8.17-18; Mateus 16,13-19)

Ficha: 01 - A Igreja celebra a festa dos dois populares apóstolos Pedro e Paulo. Ambos, de modo diferente, edificaram a mesma Igreja. Paulo se dirige aos pagãos e Pedro aos Judeus. = 02- O fundamento e o vigor de sua obra apostólica tão forte está na fé em Jesus. Paulo resiste a todos as dificuldades. Pedro, antes frágil, é igual a Jesus em sua Palavra e em seus milagres. Até sua sombra curava. = 03 - Além da fé, seu amor por Jesus era sem medidas. Paulo sente-se conquistado por Ele. Pedro diz tão espontaneamente: Senhor, tu sabes tudo, sabes também que te amo. = 04 - Na suas dificuldades têm a confiança em Jesus. E Jesus confia neles. Dá-lhes a missão de implantar no mundo o Reino pelo qual dera a vida. Eles se dividem o mundo e anunciam o Evangelho. Sua Palavra é secundada pelos milagres e por uma graça que abri a os corações.

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"Por que tendes medo? Não tendes fé?" (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Novo tempo litúrgico.- A partir da festa de Pentecostes, iniciamos a parte do tempo litúrgico chamada Tempo Comum. Temos uma série de domingos que vai do 12º ao 33º que é festa de Cristo Rei. Não celebramos neste tempo festas especiais do Mistério Pascal de Cristo, como faz a Quaresma, a Páscoa e o Natal. Mas celebramos a vida da Igreja. Celebramos o domingo como a Páscoa semanal e celebramos nosso cotidiano como o lugar onde Deus se manifesta. Celebramos a festa dos santos que viveram o Mistério de Cristo na sua vida.

Um Deus adormecido. A figura de um Deus adormecido! É impressionante. Não vê a tempestade, não vê o desespero dos discípulos. Apenas dorme. Os discípulos acordam o Mestre e lhe chamam a atenção: “Não te importas que morramos todos?” Ele, como o senhor do universo, levanta-se e comanda o espetáculo do vento e do mar: “Silêncio! Cala-te!” Comanda o espetáculo dos apavorados discípulos. “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” A situação é intrigante. O perigo é grave, e Ele dorme tranqüilo. Estava cansado, estava sereno.

Sofre as demoras de Deus! Jesus dorme! Passamos na vida cristã momentos duros, que duram e doem. Rezamos, sofremos e imploramos. A tensão e os sofrimentos tornam-se sempre maiores. Dizemos: Mas por que? Deus não ouve? Por que ouve os outros e a mim não? Aí vem o desespero. Apelamos para tudo e até de religião mudamos. Ou corremos atrás de outras coisas. Deus continua silencioso. Dorme. Culpamos, ou culpam, nossa oração taxando-a de fraca. Vamos ao limite, chegando mesmo a perder aquilo que era caro. Deus não ouviu? Como fica isso diante de toda a promessa de ouvir quem pede? São Tiago diz que não recebemos porque não sabemos pedir (Tg 4,2-3). Mas minha vida é correta, minha oração é constante. Jesus neste acontecimento não se ausenta, faz-se presente através de sua fé. Mesmo que não seja atendido fique fiel. Pode ser que a graça tenha sido atendida justamente pelo fortalecimento da fé e da confiança. Quantos fiéis não viram tudo perdido e ficaram fiéis. Lembre-se de Jó. Deus lhe tirou tudo. Ele diz: “De Deus recebi, a Deus devolvo. Bendito seja seu santo Nome” (Jo.1,21). Assim você receberá a certeza de levar seu barco à praia. Na angústia tenha a certeza de Sua presença, mesmo se Ele dorme. O medo pode pegar-nos, mas não deixe que a falta de fé tome conta de você. Pai, seja feita a tua vontade (Mt 26,42). Jesus teve medo, suou sangue, mas não se entregou. Jesus pediu que Deus o libertasse. Ele o fez na ressurreição, mas depois de sua entrega total na morte.

Nova criatura. A fé faz de nós novas criaturas que não vivem mais para si mesmas. Quem está em Cristo é uma nova criatura. O que era velho desapareceu. Agora tudo é novo. É preciso caminhar na novidade de vida: sentir-se amado por Deus, viver na liberdade de ser sido livre do mal e da prisão dos defeitos e vícios. Viver a novidade de vida e estar tranqüilo quando as ondas batem e até nos afogam. É saber-se seguro em suas mãos, mesmo quando ele dorme.(Leituras: Jó 38,1-11; 2 Coríntios,14-17; Marcos 4,35-41)

Ficha: 1. Entramos em um novo tempo da Igreja, a segunda parte do tempo comum onde não celebramos mistérios particulares da vida de Cristo, mas a vida de Cristo na Igreja. Vamos viver este tempo celebrando também as festas dos santos que viveram o Mistério Pascal de Cristo. = 2. O Evangelho de hoje traz a cena da tempestade e de Jesus que dorme no barco. Acordado pelos discípulos Ele impera sobre a tempestade. É o Senhor, mesmo adormecido. = 3. A proposta espiritual e vivencial deste evangelho é sofrer as demoras de Deus sem se desesperar, mas conservando a fé, mesmo que Deus não atenda agora. Ele não dorme, confia em nossa fé.= 4. Somos uma nova criatura a partir de nosso encontro com Cristo.

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"Festa de Corpo de Cristo". (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Origem da Festa.- A festa nasceu na Bélgica em 1246 porque se sentia necessidade de tal festa. O Papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja depois do milagre da Eucaristia em Bolsena Diante da dúvida de um padre, o vinho transformou-se em sangue e marcou as toalhas e o mármore). Ele estava em Orvieto que fica perto. Pediu a S. Tomás e S. Boaventura, que também estavam ali, que fizessem os textos da missa e do ofício divino. Esta festa tem a finalidade também de prolongar a Quinta-Feira Santa uma vez que não pudemos fazer maiores manifestações à Eucaristia. Neste tempo, a devoção à humanidade de Cristo estava muito forte. Cristo na Eucaristia era muito querido. Assim, uma procissão era um momento forte desta manifestação. Adoravam Jesus e levavam-no pela cidade para abençoar e ser adorado. Certamente os tempos mudaram, mas não mudou o amor de nosso povo pelo Cristo presente na Eucaristia. E não mudou seu amor por nós.

Teu sacrário de amor rodear. Não há diferença entre a missa e a Eucaristia que veneramos. Há uma unidade, com a diferença que, no culto público podemos deixar expandir nosso sentimento a Jesus presente na Hóstia consagrada. Ao passar pelas estradas, vemos ao longe uma Igreja e podemos dizer: ali está Jesus. Quando entramos numa igreja e vemos a luzinha vermelha, podemos dizer: ali está aquele que meu coração ama. Somos sempre estimulados a manter um grande amor pela Missa, pois ela é completa. Conforme a tradição da Igreja, somos levados a manifestar grande amor pela presença de Jesus na Eucaristia em nossos sacrários. Passar diante de uma igreja, e dali saudar sua presença é um ato de fé e de amor. Estar ali diante do sacrário, deixar derramar o coração com suas dores e alegria é um conforto imenso. Quanto carinho e quanto respeito demonstraram os santos diante da Eucaristia. S. Afonso, diz no livrinho das Visitas ao Ssmo Sacramento, que suas grandes decisões de vida ele as tomou diante do Santíssimo. Meu desejo, diz a música, é rodear o sacrário de muito amor e carinho. Manter respeito é dizer que se crê na Presença..

Sacrários vivos da Eucaristia. - Gostamos de tocar o ostensório quando passa pela Igreja. Mas é importante também lembrar que temos o mesmo Jesus em nós, dentro de nós, de modo particular quando comungamos. Nós o levamos para casa para nossa vida do dia a dia. Ele está ali mergulhado em nosso ser. Ele nos transforma nEle, lentamente. É ali a primeira Igreja, o primeiro sacrário onde adorar Jesus e estabelecer com Ele os mais belos diálogos. É ali que vou aprender a viver minha participação à divindade. Pena que ainda não aprendemos a reconhecer a presença de Jesus dentro de nós. Seria magnífico se a gente realmente se desse conta do tesouro que temos em nós sempre que comungamos. E Ele não vai embora, mesmo quando as espécies consagradas, a hóstia, já se dissolveram no corpo. Ele não se dissolve. Com Ele presente em nós podemos cantar: Quero Amar-vos por aqueles que não vos amam.(Leituras: Êxodo 24,3-8; Hebreus 9,11-15; Marcos 14,12-16.22-26)

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"Santíssima Trindade". (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Amar para conhecer.- Quando falamos da Santíssima Trindade, sempre dizemos que é um mistério que não podemos entender. Lembremos a conhecida lenda de S. Agostinho: Ele estava na praia meditando este mistério e viu um menininho que corria ao mar, enchia uma conchinha de água e colocava num buraco feito na areia. Perguntado pelo santo o que estava fazendo, respondeu que ia colocar toda a água do mar naquele buraquinho. Não é possível, intervém o sábio Agostinho. Então o menino, cheio de sabedoria diz: assim faz você querendo, com uma cabeça tão pequena, entender mistério tão grande. Para explicar usamos os símbolos visuais, como por exemplo, três nós em uma corda, um abraço de três pessoas, três chamas, o triângulo etc... Jesus veio justamente para nos revelar este mistério e dar-nos o Espírito para nos introduzir sempre mais nesta vida de amor do Pai pelo Filho no Espírito Santo. Nós podemos conhecê-lo sempre mais.

Deus amor e misericórdia. Explicar a Santíssima Trindade é impossível, mas é fácil conhecer seu amor para conosco. Deus sempre se revela vindo em socorro dos sofredores. Criou-nos para nos amar e conceder-nos sua vida. No Paraíso, vinha falar com Adão na brisa da tarde (Gn 3,8), pois “sua alegria era estar com os filhos dos homens” (Prov 8,31). As experiências do povo de Deus no Egito, no deserto, foram sempre da misericórdia de Deus: “Vós tendes visto como vos levei sobre asas de águias” (Ex 19,4). Perdoava sempre o pecado do povo. Não abandonou seu povo em seu pecado, mas “na plenitude dos tempos enviou seu Filho” (Gl 4,4) para o libertar do mal. O Filho assume o pecado e sofrimento e ama ao extremo. O Filho manda o Espírito para continuar a obra do amor. A vida e obra de Jesus, nome que significa “Deus Salva”, são expressão deste amor até à ultima gota de sangue. Ensinou que sua doutrina é dar a vida para que se ama. Deus nos amou quando ainda éramos pecadores..

Chamados a participar. - Jesus anuncia que permanecemos unidos Ele e ao Pai, unidos à Trindade, quando realizamos seu mandamento: Crer em Jesus e amar os outros (Jo 15,10). Assim entramos em comunhão com a Trindade, participamos de seu mistério. Nós iniciamos esta união pelo Batismo onde, pela fé de nossos pais aceitamos Jesus. Deus nos amou primeiro e nos deu o batismo. Participamos pela comunhão. Somos transformados nele.

Enviados a anunciar. - A primeira prova que vivemos este mistério de participação em Deus é que temos o desejo de anunciá-lo contanto aos outros o que vimos, anunciando pela palavra e convidando os outros a serem discípulos de Jesus, formando a comunidade que é a expressão visível da Trindade. O fato de nos unirmos a Jesus pela fé já nos dá a vida eterna. Vivemos o Paraíso, na esperança, a vida seja sempre uma glória ao Pai. Viver o amor é adorar a Deus.= (Leituras: Deuteronômio. 4,32-34.39-40; Romanos 8,14-17; Mateus, 28,16-20)

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"O Espírito que enviarei da parte do Pai". (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Dons do Espírito Santo.- Terminadas as festas pascais com a festa de Pentecostes, somos convidados a recolher alguns ensinamentos. Aprendemos que o maior dom que Cristo nos dá em sua passagem para o Pai é o próprio Espírito Santo. Desde o começo de sua vida até sua morte e ressurreição, a presença do Espírito Santo é fundamental na missão de Jesus. O Pai ressuscita Jesus pelo seu Espírito. Jesus conclui sua missão com o envio do “Espírito Santo que ensinará todas as coisas”. Nosso amor ao Espírito não é devoção, é fé e vida. Ele vivera em nós. Por Ele participamos dos bens da vida de Deus. = Quando falamos de dom, entendemos primeiramente os dons que recebemos pelos sacramentos em vista da relação com Deus e entre nós. É a graça de cada sacramento que nos coloca em contato com um aspecto da Redenção. Outros dons são os que recebemos para os ministérios na Igreja, onde cada um exerce para o bem de todos. Outros dons são os que recebemos para o estado de vida que cada um assume: casado, solteiro, consagrado.

Dons espirituais. Recebemos também dons que são distribuídos pelo Espírito sem merecimento de nossa parte. São dons para nosso crescimento espiritual e para uma dedicação particular ao povo de Deus. São os carismas, conforme nos diz a carta aos Coríntios. Estes dons são um caminho de santificação, mas também caminho de responsabilidade, pois, “Ao que muito foi dado, muito será cobrado”(Lc 12,48). Hoje há um grande desenvolvimento destes dons. É verdade: o “Escriba tira de seu tesouro coisas antigas e novas” (Mt 13,52)..

Dons humanos. - Temos os dons humanos, por exemplo, o dom de cantar. Pode ser um grande instrumento da glória de Deus. Desenvolver as qualidades pessoais é uma obrigação séria para cada cristão. Isso não impede a graça de Deus, pois nos foram dadas em nossa criação. Faltar com estes dons pessoais é pecar contra o Espírito Santo que é seu animador principal. Há o descuido de perguntar: Quais são meus dons naturais? Como os desenvolvo? Atuar estes dons é uma obrigação e o primeiro caminho da santidade. É em nossa natureza que se desenvolve a vida de Deus pelo Espírito Santo. Restaurar a natureza e usar bem os próprios dons como o corpo, a inteligência, o afeto e as qualidades humanas é resposta de amor a Deus.

O dom total. - O dom maior do Espírito Santo é o amor, pois Ele é o amor entre o Pai e o Filho. O amor é o mandamento de Jesus e a vida de amor é produzida pelo Espírito. Este amor é o que realiza o ser Igreja, corpo de Cristo. Pedimos tantos dons ao Espírito Santo, mas nos esquecemos de pedir este dom fundamental que é primeira missão do Espírito Santo e a raiz de todos os outros dons. O amor é o maior dom do Espírito que é sua fonte. Na missa pedimos que o Espírito transforme o pão e o vinho no corpo e sangue de Cristo e nos transforme em corpo de Cristo. O corpo de Cristo se faz pelo amor que é infundido em nossos corações pelo qual dizemos Abbá–Pai (Rm 8,15). Peça o amor para ter todos os dons.

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"Recebei o Espírito Santo". (Pe Luiz Carlos de Oliveira - C.Ss.R.) 

Formas do Espírito Santo.- Nós não temos uma imagem de Deus Pai. É costume apresentá-lo como um velho de barbas brancas para indicar sua eternidade. Do Filho temos tantas indicações e nomes: Cordeiro, Crucificado, Juiz Eterno, Bom Pastor, a Hóstia Santa etc... Do Espírito temos a pomba, sinal da paz (Arca de Noé). A mesma forma de pomba aparece no Batismo de Jesus. (Seria bom tomar cuidado ao fazer imagens da Pombinha Santa. Em um lugar fizeram uma tão grande que parecia um ganso). Temos a representação do Espírito como vento. Lembramos aí o sopro de Deus criando o homem. Temos também a representação das chamas (línguas de fogo) que aparecem em Pentecostes vindo sobre os apóstolos e os discípulos reunidos com Maria. É o fogo que aquece, queima, purifica, ilumina. São mergulhados, batizados diretamente pelo Espírito que lhe infunde a vida divina e os faz continuadores de Cristo. Tudo o que Jesus lhes oferecera com sua vida, morte, ressurreição e seus ensinamentos lhes são infundidos.

Muitas línguas, uma só linguagem. O Espírito, vindo como vento forte e línguas de fogo, abriu os corações, abriu as portas, abiu as mentes dos apóstolos para que compreendessem o evangelho superassem o medo e anunciassem Jesus morto e ressuscitado. Gente de todo mundo entende em sua língua a nova linguagem. Ouve as maravilhas de Deus, isto é, a redenção de Jesus. O Evangelho é para todos e por todos compreensível. A imensidade da Igreja, falando a mesma linguagem em línguas diferentes, é a bela realização dos sonhos de Jesus: “Tenho outras ovelhas...elas ouvirão minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor”(Jo 10,16)..

Diversos dons e o mesmo Espírito. - O Corpo de Cristo tem muitos membros e todos formam um só corpo. Todos somos parte uns dos outros, mas pelo Espírito, formamos com Cristo um único corpo.Cada membro tem seu dom, missão, modo de ser e seu lugar no mundo. Mas é um só corpo, um mesmo Espírito, um mesmo Senhor. Todos são importantes e necessários. A chama do Espírito faz a união desta diversidade. Como no corpo humano, assim somos no corpo de Cristo. Cada um use seu dom pessoal, descubra seu lugar no corpo de Cristo a cumpra a missão que lhe convém.

Missão de Reconciliação. - Jesus dá o espírito Santo aos seus. “Novamente Jesus disse: ‘A paz esteja convosco. Como Pai me enviou, também vos envio’. E, depois soprando sobre eles disse: “recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes os pecados serão perdoados” (Jo 20,21-23). O envio e a missão nascem de Jesus e se realizam pelo Espírito. Esta obra é o perdão, que não significa só confissão, mas reconciliação universal. Nossa missão é de Paz! Que todos sejam uma só família e união em torno de Jesus. Estamos unidos a Ele para participar de sua vida e missão de levar a todos a copiosa redenção, a vida plena, o paraíso, o céu. Veja você também de continuar a reconciliação porque assim garante que está unido a Jesus. = Leituras:Atos 2,1-11; 1 Coríntios 12,3b-7.12-13; João 20,19-23)

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