Beato Gaspar Stanggassinger ( 1871 - 1899 )

 

Os Santos tem intuições especiais – escreve o Padre Stanggassinger. Para mim, que não sou um santo,  importante são as verdades simples de sempre e da eternidade: a Encarnação, a Redenção, a Santíssima Eucaristia.

Nascido no ano de 1871 em Berchtesgaden, na Alemanha, Gaspar Stanggassinger era o segundo de uma família de dezesseis filhos. Seu pai, homem estimado, era agricultor e proprietário de uma pedreira.

Desde criança, cultivava o desejo de se fazer sacerdote. Costumava reunir seus irmãos e irmãs para lhes fazer pequenos sermões e conduzi-los em procissão a uma capela nas montanhas, não longe de casa.

Aos dez anos, começou a freqüentar a escola em Freising. Encontrando grandes dificuldades nos estudos, o pai ameaçou retira-lo do colégio, caso não passasse nos exames. Com, força de vontade, aplicação e confiança na oração, conseguiu ir adiante. Nos anos que se seguiram, passou a reunir em torno de si, durante as férias, alguns jovens, procurando a ajuda-los a viver cristãmente, formando comunidade entre eles e programando bem o seu tempo livre.  Diariamente o grupo participava da missa. Depois, nunca faltavam ao passeio, excursões e peregrinações.  A dedicação de Gaspar a esses jovens era admirável.  Um dia, chegou mesmo a arriscar a sua vida para salvar um deles em perigo.

Em 1890, após o exame de maturidade, entrou para o seminário diocesano de Freising, iniciando seus estudos de teologia. Dos escritos da época,  pode-se perceber o esforço com que se dedicava ao próprio amadurecimento espiritual. Empenhava-se livremente em um rigoroso ritmo de oração, procurando sempre mais discernir a vontade de Deus a seu respeito. Logo percebeu que o Senhor o chamava a viver sua vocação em outro estado de vida.  Realmente, após uma visita aos redentoristas, teve intuição de que deveria seguir o carisma missionário que os caracterizava. Apesar da oposição paterna, entrou para o noviciado redentorista em Gars, no ano de 1892. Três anos depois, em 1895, recebia a ordenação sacerdotal em Regensburg.

Ingressando na Congregação do Santíssimo Redentor, Gaspar pretendia ser missionário e vir trabalhar na recém-iniciada missão no Brasil. Seus superiores, porem, designaram-no como vice-diretor do seminário menor em Durrnberg, para formar os futuros missionários. Educador, consagrou-se totalmente a sua missão.

Como religioso, fizera o voto de obediência e o viveu de modo claro e lógico. Durante 28 horas por semana, ensinava diversas matérias e, alem disso, mostrava-se sempre disponível para acolher os seminaristas que o procuravam. Aos domingos, nunca deixava de prestar sua colaboração pastoral nas aldeias vizinhas, sobretudo através da pregação. Não obstante, um tal ritmo de trabalho, era sempre paciente e compreensivo para com as necessidades dos outros, particularmente que sabiam encontrar nele não tanto um superior, mas, sobretudo, um amigo. Embora o sistema educacional da época fosse muito rigoroso, Gaspar nunca usou de maneiras fortes, e, se alguma vez tinha a impressão de ter prejudicado alguém, logo procurava desculpar-se humildemente.

Grande devoto de Jesus Eucarístico, convidava os jovens e os fieis a quem pregava, a recorrer ao Santíssimo Sacramento em todas suas necessidades. Exortava-os a procurar o Cristo para adora-lo e para conversar com ele como um amigo. Para os fieis, a sua pregação era um continuo estimulo a assumirem com seriedade a vida crista, aumentado apropria fé com a oração e a conversão continua. Tudo com um estilo conciso e suave, sem ameaçar com os castigos, como era costume na pregação daquele tempo.

Em 1899, os redentoristas abriram um novo seminário em Gars. O padre Gaspar foi nomeado seu diretor. Tinha 28 anos de idade. Mas só teve tempo de pregar os exercícios espirituais aos jovens e participar da abertura do ano escolar. A 26 de setembro encerava sua jornada terrena, vitimado por uma peritonite.

Em 1935, com a trasladação dos restos mortais para a capela lateral da igreja de Gars, tinha inicio o processo de beatificação. No dia 24 de abril de 1988 foi proclamado Beato pelo Papa João Paulo II.

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