Santo Afonso Maria de Ligório

Afonso Maria de Ligório, filho de José de Ligório, alto funcionário da Marinha Napolitana, nasceu a 29 de setembro de 1696 em Nápoles - Itália. O Pai já determinara o seu futuro. Dotado de incomum inteligência, graduava-se em Direito Civil: romano e napolitano, pela Universidade de Nápoles. Durante oito anos consecutivos haveria de se distinguir como advogado invencível nos tribunais, até o dia em que, devido à corrupção e injustiça dos adversários, perdeu uma causa de grande importância, com graves conseqüências Apesar da consternação do pai, resolveu abandonar a carreira de advogado. Para manter-se ocupado, passava o tempo visitando doentes em hospitais de incuráveis. Foi nesta época que ele sentiu o chamado de Cristo para ser sacerdote. Em 1726, três anos após abandonar a carreira de advogado, Afonso foi ordenado padre. Continuou trabalhando em um hospital de incuráveis, assistiu os condenados à forca, foi amigo dos "Lazaroni" de Nápoles.    Eram aproximadamente 30 a 40 mil desclassificados, isto é, pobretões, mendigos, marginalizados e bandidos,

uma chaga da saciedade. No meio desse povo, Afonso realizava o seu apostolado por meio de assim chamadas "capelas noturnas": reuniões do povo nas ruas e praças para o ensino da catequese, oração e encontro fraterno. Numa cidade de cerca de 500 mil habitantes e 15 mil sacerdotes, Afonso se destacou como um homem extraordinário que realizou seu trabalho em situações difíceis e ingratas.  

Desde o começo de sua vida sacerdotal, dedicou-se à pregação de missões em arredores da cidade. No púlpito, seu estilo inteligente, simples e sincero enchia os corações com amor e misericórdia de Deus; no confessionário, preocupava-se em salvar as pessoas e não em punir os criminosos. Mas, apesar dos bons frutos do apostolado, Afonso não se sentia plenamente realizado, pensava em sair para as missões no exterior.

Um encontro providencial com o povo pobre das montanhas: pastores de ovelhas e cabras, despertou em Afonso novas inquietudes: pregar as missões entre os mais abandonados, entre os pobres. Apoiado pelo seu diretor espiritual Dom Falcoia, Afonso funda a Congregação dos Missionários Redentoristas, juntamente com um grupo de companheiros, no dia 09 de novembro de 1732, em Scala, nas proximidades de Nápoles.

A congregação redentorista surgiu como uma resposta concreta às urgências pastorais, da preocupação de Afonso pelo "terceiro mundo espiritual", mundo subdesenvolvido quanto à religião, mundo de pobres e abandonados. A Congregação foi fundada para perenizar o zelo apostólico desse homem extraordinário. Existiam, na época, muitas congregações missionárias, mas nenhuma delas colocava-se a serviço dos pobres. A Congregação de Afonso foi fundada para evangelizar os pobres. Os missionários redentoristas devem viver no meio dos abandonados. O objetivo do novo grupo aparece claro na carta da qual Afonso pede ao papa a aprovação da Congregação. Repete treze vezes a expressão: pobres e abandonados da zona rural. Por isso os redentoristas, com seu objetivo mantido desde as origens, continuam sendo atuais nos nossos tempos, quando toda a Igreja, em particular a da América Latina, escolhe a opção preferencial pelos pobres, como primeiro dever de evangelização.

Santo Afonso viveu na congregação mais de cinqüenta anos; teve, portanto, tempo suficiente para dizer aos redentoristas o que queria com sua fundação.

Era um escritor, escreveu 113 obras teológicas, ascéticas, místicas e pastorais que atingiram até sessenta edições. Deixou escritas 1700 cartas. Leu oitocentos autores, anotando, fazendo fichas, só para compor a obra principal: a Teologia Moral, onde faz setenta mil citações. Foi um homem atualizado: buscava nas livrarias de Nápoles as mais recentes obras do seu tempo. Homem versátil e surpreendente, estilo napolitano. Fez de tudo e foi tudo: foi teólogo, fundador, escritor, poeta, músico e pintor, advogado e bispo. Como gramático escreve regras gramaticais para alfabetizar um irmão na Congregação. Já missionário, oito anos antes da fundação dos redentoristas, prega missões, as quais continua pregando durante toda a sua vida.

Santo Afonso foi um homem de coragem e audácia; estrategista de Cristo. Santo de dinamismo apostólico e de espírito universal. Santo do amor e da misericórdia de Deus; homem de larga visão e atento à realidade e nela inserido.

Não estamos, pois, diante de um santo de museu; podemos ressuscitar o seu espírito neste final de século XX ou em qualquer século, relegando naturalmente, às particularidades do tempo e de seu jeito napolitano.

Santo Afonso faleceu no dia 1º de agosto, aos noventa e um anos de idade. Foi canonizado em 1836. Em 1871, o Papa Pio IX conferiu-lhe o título de "Doutor da Igreja" e em 1950, o Papa Pio XII proclamou-o "Patrono dos Confessores e Professores de Teologia Moral". A festa de Santo Afonso é celebrada no dia primeiro de agosto.

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