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Este grupo nasceu em março de 2004, quando Neiva Pavesi, do Grupo de Gestão e Planejamento do Proler/BS/Unisanta e do Grupo de Leitura Mania de Ler, convidou poetas santistas para divulgarem textos de autores consagrados e de outros menos conhecidos.

 Assim, foi programado o Sarau Cantigas Praianas, com dez poetas e uma cantora. A primeira apresentação foi na Livraria Pagu, dia 29 de abril de 2004, às 19 horas. A segunda apresentação foi no Café Teatro Rolidei, no dia 28 de maio de 2004, às 20 horas.

No primeiro semestre de 2005, com nova formação, o Cantigas Praianas apresentou-se no Bulevar da rua XV de novembro, centro da cidade, declamando Vicente de Carvalho, no dia 23 de junho. No segundo semestre, com outra formação, apresentou-se no Orquidário Municipal de Santos dia 6 de novembro, falando textos de Martins Fontes e, no dia 20 de novembro, também no Orquidário, com textos de Vicente de Carvalho, Olavo Bilac, Maria José Aranha de Rezende e das próprias integrantes.

O objetivo do Grupo Cantigas Praianas, além de divulgar poetas pouco lembrados, é fazer com que os integrantes conheçam a diversidade de estilos e tendências dentro do panorama literário brasileiro. É um exercício de leitura, entendimento de texto e postura interpretativa, que passa para a platéia a emoção do escritor, o modo de vida e de sentimentos de sua época.

Para as integrantes do Grupo Cantigas Praianas, a atividade vem tendo o caráter de excelente terapia, desenvolvendo os três “autos” necessários à vida plena do ser humano: autoconhecimento, auto-respeito e auto-estima.

A coordenação e a divulgação do Grupo Cantigas Praianas são feitas por Neiva Pavesi, do Grupo Mania de Ler.

Apresentações

. realizadas em 2006

O Grupo Cantigas Praianas iniciou suas atividades de 2006, no dia 22 de janeiro, no Orquidário Municipal de Santos, com leitura dos textos poéticos de Roldão Mendes Rosa, poeta santista pouco conhecido.

Na tarde de 4 de fevereiro, o Grupo apresentou-se na Associação dos Médicos de Santos, durante  reunião do Movimento Médico Paulista do Cafezinho Literário (MMCL) com poesias do universo poético de Martins Fontes.

Na noite de 16 de fevereiro, Cantigas Praianas esteve na Biblioteca Municipal Mário Faria, falando Poemas do Não e da Noite, de Roldão Mendes Rosa, para uma seleta e atenta platéia.

17 de março, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, o Grupo Cantigas Praianas homenageou as mulheres, falando textos das maravilhosas poetas Sophia Leite Cruz, Adélia Prado, Cecília Meireles, Cora Coralina e Maria José Aranha de Rezende. Na parte musical, participações especiais de Neise Barbosa e Ana Maria Cavalheiro Canéo.

26 de abril, às 19 horas, no Consistório da Universidade Santa Cecília, o Grupo Cantigas Praianas reapresentou Poemas do Não e da Noite, do poeta santista Roldão Mendes Rosa. Participação especial do Grupo Coral Vozes de Esperança, com temas de bossa nova e poemas do poeta homenageado musicados pela compositora e regente do Grupo Coral, Glorinha Velloso.

 28 de abril, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, Cantigas Praianas apresentou O Mundo Poético de Vicente de Carvalho. Participação especial dos músicos Rafael Silvestre dos Santos (violino) e Jonatas Ribeiro Mendes Silva (teclado), professores da Orquestra Didática da Pró-Viver - Obras Sociais e Educacionais.

26 de maio, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, Cantigas Praianas apresentou poesias com o tema MÃE. Foram lidos poemas de J.G. de Araújo Jorge, Vinicius de Moraes, Drummond, Leila Míccolis, Mário Quintana, Coelho Neto, Lúcia Castelani Nunes, Olegário Mariano, Martins Fontes... Participação especial da musicista e compositora Ana Maria Cavalheiro Canéo.

30 de junho, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, Cantigas Praianas homenageou Martins Fontes, lendo somente suas poesias épicas para conhecimento de todo o público.

28 de julho, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, Cantigas Praianas fez leitura poética de vinte e quatro poemas de Narciso de Andrade, resgatando a obra de mais um escritor santista. O inesperado e comovente momento foi a chegado do poeta, sua esposa e filhos, deixando o público presente muito feliz porque Narciso de Andrade não comparece a eventos socioculturais. A boa notícia é que seu primeiro livro será lançado ainda este amo.

 25 de agosto, às 20horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, Cantigas Praianas leu quarenta sonetos de Fábio Montenegro, poeta completamente esquecido. Dos presentes, ninguém conhecia a obra de Fábio Montenegro, santista, poeta parnasiano, que viveu de 1891 a 1920.

. a serem realizadas em 2006

dia 29 de setembro, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, homenagem a Eduardo Ballerini com a leitura de poesias de seu livro Voa poeta, voa!. Participação da musicista Glorinha Velloso que musicou alguns de seus poemas.

 dia 27 de outubro, às 20 horas, na Biblioteca Municipal Mário Faria, Cantigas Praianas homenageará Paulo Gonçalves, poeta, teatrólogo, jornalista. Participação musical de Walter Bongiovanni.

. a serem realizadas em 2007 (veja convite)

- na Biblioteca Municipal Mário Faria, às 20 horas:

dia 30 de março, Carolina Ramos, a Magnífica Trovadora, com Glorinha Velloso, teclado e solistas.

dia 27 de abril, Monteiro Lobato para maiores, com Walter Bongiovanni.

dia 25 de maio, Mário Faria, Versos ao léu, com Glorinha Velloso, teclado e solistas.

- na Associação dos Médicos de Santos, às 20 horas:

dia 19 de junho, Martins Fontes canta a natureza!

- na Biblioteca Municipal Mário Faria, às 20 horas:

dia 29 de junho, Martins Fontes canta a natureza!

- no SESC/Santos, horário e dia ainda não definidos e na na Biblioteca Municipal Mário Faria, às 20 horas, dia ainda não definido.

maio/junho, Guimarães Rosa: Magma: ave, palavra, direção musical: Simonian.

Participação das poetas leitoras: Cynira Antunes de Moura, Iracema Ananias, Marly Barduco Palma, Neiva Pavesi (coordenação)

Nossos poetas santistas

 Cantigas Praianas

"Não, poeta. O mundo melhor que sonhamos

depende de nossa mão.

Procuro tua mão nas esquinas.

Procuro tua voz. Não estás.

Que esperas para gritar?"

Roldão Mendes Rosa (Carta a um poeta)

 Em setembro de 2002, escrevi o texto Sociedade dos Poetas Vivos em que comento o descaso para com os escritores desconhecidos neste país onde só os famosos têm vez. É um mecanismo injusto e perverso de exclusão literária, pois somos, em tese constitucional, todos iguais. Somos nós, os desconhecidos, ou pouco conhecidos, que vamos até as escolas promover a leitura e falar sobre a necessidade de livrarias e bibliotecas atuantes. Somos nós que fazemos a propaganda e o marketing dos livros. O leitor que, incentivado por mim, vai à livraria é bombardeado com tantos títulos e vê nas capas coloridas os nomes de escritores que a mídia está, no momento, promovendo exaustivamente, que se esquece da própria curiosidade que o levou até lá: ler o meu livro. Assim, enquanto os livros que escrevi dormem nas prateleiras, os elevados à potência máxima pela tevê, revistas e jornais vendem como água. De 2002 para cá, nada mudou. Tudo continua e-xas-pe-ran-te-men-te igual.

Desde 2004 existe na cidade o Grupo Cantigas Praianas, cujo objetivo principal é resgatar a poesia de autores, especialmente santistas, relegados ao esquecimento. Poucos sabem deles; a maioria nem sabe que existiram. Isso não é saudosismo. A riqueza cultural de um povo deve ser preservada; a memória curta enfraquece qualquer nação, especialmente a nossa, que vive de gestos teatrais, palavras vazias, suspeitas e mentirosas, de leviandades, bate-bocas e presepadas. Vivemos anos atípicos de muita conversa e confusão, quando os deuses do Olimpo consideram o povo uma grande piada, esquecidos de que seus pés são de barro e chapinham na mesma lama que nós. Isso acontece porque vivemos na era da imagem sobreposta ao pensamento, caminho direto para o embotamento cultural pela falta de referências próprias que nos conduzam à consciência de nacionalidade. Só essa consciência dará o autoconhecimento, o auto-respeito e a auto-estima ao cidadão brasileiro. A nação enfraquecida não conhece seus filhos; muito menos seus poetas.

Neste janeiro de 2006, em que se comemora o aniversário de Santos, o Grupo Cantigas Praianas resgata um ótimo poeta da terra. É Roldão Mendes Rosa, cujos poemas oferecem serenidade temática e correção formal, preocupado que foi em produzir o melhor texto. Seu livro publicado é Poemas do Não e da Noite, porém sua obra é bem mais vasta. Lendo Roldão Mendes Rosa, conhece-se a Santos antiga, seus valores culturais, morais e sociais. A produção poética de Roldão Mendes Rosa é a fotografia que precisamos tirar do álbum escondido no fundo do baú. Seus textos merecem ser resgatados para conhecimento de todas as gerações.

Em janeiro de 1988, faleceu o poeta e jornalista que criou e recriou poemas “do não e da noite”. A homenagem do Grupo Cantigas Praianas, no Orquidário de Santos, é uma celebração que entrelaça a morte e a vida porque, já dizia Roldão Mendes Rosa "neste mundo vário/as mortes e as vidas/ têm o mesmo horário".

Neiva Pavesi - Texto publicado em A Tribuna de 21.1.2006 na seção Ponto de Vista.

Instante

Narciso de Andrade

faz de conta que esta lua não existe

faz de conta que esta noite já é ontem

faz de conta que este instante já passou

pensa que não podemos perder tempo

que é tudo muito tarde

e as coisas que estão por acontecer

são passado e estão desfeitas.

 

continuar andando nestas areias

recolhendo estilhaços de estrelas

enquanto o tempo vai marcando

o ritmo decadente de nossos passos.

 

tudo é alegria quando pouco é possível

tudo é alegria quando nos encontramos

desesperadamente perdidos

sem contrastes a vida não tem sentido

monótona sucessão de fracassos

desencantos e desesperos

tudo é alegria quando nada mais é possível.

 

faz de conta que estou dizendo a verdade

e que é mentira esta louca vontade de chorar

esta lua não existe

esta noite já é ontem

este instante já passou.

Cantigas Praianas, 28/07/2006

Canção

Fábio Montenegro
(1891-1920)

Quero dar ao meu verso uma guirlanda real,

Um brilho adamantino, uma impecável forma:

- Ó rapariga suave! A harmonia por norma

Deu-me teu riso de cristal.

 

Na túnica da treva, a minha vida escura

Precisa orlar de luz os pérfidos escolhos:

- Santa! Engolfa o meu ser na doce iluminura

Que vem da aurora dos teus olhos!

 

Sedento pescador, de ressábio em ressábio,

No oceano do ideal, não acho o que desejo:

- Santa! Chega o meu lábio à concha do teu lábio,

Eu quero a pérola do teu beijo!

 

Fatigado viajor, sobre areento solo,

De uma aventura empós, anseio mil desvelos

- Santa! Dá-me a frescura augusta do teu colo,

Dá-me o dossel dos teus cabelos!

 

Cavaleiro do Amor, em noites luarinas,

Por vereda que a brisa ao vir da noite, embala,

O que busco, sorrindo às sebes e às boninas,

É a tua imagem de Magdala!

Cantigas Praianas, 25/08/2006

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