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Arco Íris: os poemas para o Anjo ser um estado de revolução permanente
Viagem à Itália |
Flor no Chão Antigo
era o espaço da Roma antiga
entre a Cúria solene e o templo de Júlia
onde foi a Rostra e desfilou o triunfo
sentaram-se senadores e cônsules
os Graco, Mário, Cícero e Augusto
ali reuniu-se o povo em Assembléia
aqui tombou Júlio, aqui correu sangue
neste chão a lei foi anunciada
em tudo uma beleza se põe
de uma força em que se somavam
a Rômulo e a Remo, filhos de Enéias
a mestiçagem dos povos
gregos e germanos
vindos do alto Nilo
ou de Tigre e Eufrates
houve o tempo em que se destruiu
por mostrar poder ou para refazer
e tombaram as colunas e os muros
o fogo passou, e o desprezo
o que fora cedeu ao que era
a cada sonho, a cada quimera
mas depois, por muito tempo
vieram mãos reverentes
olhos pacientes
aqui correram, aqui buscaram
cada pedra revirada
cada pedaço do que um dia foi
e hoje ainda correm e buscam
os choros e os risos que se foram
adubadas na presença contínua
das gentes que, tempo afora
aqui fizeram, aqui sofreram
entre as pedras tombadas
à beira dos caminhos
da terra revolta nascem flores
são frágeis e singelas
testemunhas inefáveis
trazendo viva a alma imortal
dos que passaram
poder e glória
sofrimento e desespero
mas o que colho para ti
é a memória delicada
das lágrimas e dos beijos
dos artistas que aqui
foram visitantes e se emocionaram
dos casais que aqui se amaram
ela aí vai entre folhas de papel
lembrança humilde
mas leva junto todo o sentimento
todo o impronunciável sentimento