Arco Íris: os poemas para o Anjo

ser um estado de revolução permanente
amar com amor com paixão com coração

A Noite

Te esperei à porta.
Trouxestes teus olhos.
No mergulho noturno que neles fiz
troquei o respirar pelo viver.
Senti tuas mãos, tua face.
Senti a ponta de teus dedos
e então
          senti teus lábios
          lábios, amor.

Pelo remoinho me deixei levar
à profunda luz do mar mediterrâneo
mar de íris
flor de mar, flor de amar.

De repente eram os campos de nossa Umbria
nossa e do santinho Francesco, o temerário de Deus,
eram as montanhas minerais de teus corações,
as ruas de minhas cidades natais,
os campos de Paul, de Claude, de Vincent,
o cheiro do pão recém-feito na barra da manhã,
a chuva levantando nos ares o gosto do chão…

Deitamos pudicamente entre as flores
de novo crianças, de novo meninos.

O amor me sacudia com a fúria
                   da floresta que lança ao chão os jatobás
                   pela ousadia da demais beleza
                   do mar oceano que explode em pororoca
                   do capim quando brota na chapada.

Quando partistes sonhei que me amavas.

 

 

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