Poema para o Menino que Descansa na Rede

A palha onde nasceu morou no lodo
verde; no lodo mergulhou o boi
entrando pelos pântanos; e todo
o tempo o burro desastrado foi.

Mas na rede onde agora se balança
- entre os sons da trombeta e do violino -
no alvo tecido humano em que descansa,
nada impuro do chão toca o menino.

Deixai-o ouvir a música dos anjos.
Deixai-o entregue a esse louvor celeste,
na aleluia incontida dos arcanjos.
Logo despertará para a terrestre

missão. Não veio para os anjos. Veio
para a sorte dos homens, entre reis
e pastores. Humano foi o seio
que nascendo sugou. Na cruz vereis

o seu corpo humaníssimo pregado.
Que descanse por ora, nesse pano
no tear materno em lágrimas regado.
Seu destino de Deus é ser humano.

 

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