O Anjo da Paz

Ora, postas as mãos em prece, o anjo
calou como se a reza lhe faltasse,
e uma nota invisível em seu canto,
e uma sombra de sal na sua face.

Foi como um céu que súbito anoitece,
ou o riso do amante que deixasse
de amar alguém de súbito, e sofresse
pelo amargor de se sentir fugace.

Mas das nuvens de Deus lhe desceu breve
um consolo maior, como o das águas
que retornam do mar as lentas praias.

Uma pomba encontrou casa e doçura
nas mãos postas com jeito de quem bebe
pelo bico vermelho em fonte pura.

 



 

 

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