A OPINIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA
   


São Paulo, segunda-feira, 22 de junho de 2009

Tooths a ver!


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Alessandra D'Ávilla


LONDRES (ING) - "Nós não precisavamos ir às festas... As festas vinham até nós!''

Tudo o que nos rodiava tinha bom astral e irradiavamos energia positiva como fadas! A nossa vida era uma orquestra. Aliás, bem o pai dela ter lembrado na entrevista que concedeu essa semana. É verdade até os últimos dias. De malucas não tinhamos nada. Era louca apenas nossa sede pela vida, pela informação, de ser feliz e transmitir felicidade ao mundo. Acreditavamos que era possível salvar o planeta. Acreditavamos na vida. É impossível acreditar... Tudo isso deve ser um pesadelo!!! Queria apenas ter certeza que a minha amiga está bem! Deus é pai e absolutamente ninguém tem o direito de julgá-la até que ela conte o que aconteceu. Ela já assumiu. Como sempre. Acredito na vida e que há uma força grande para protegê-la e entender suas razões.

Lá estava.... a ítalo-brasiliana, de frente a uma tv-cinema a espera do jogão. Todos os meus amigos em casa. A semana calma foi aquecida neste domingão com o jogo rápido dos brasileiros, que voaram na verdinha e golpearam em dribles mágicos os italianos. Golpe??? Mas a tristeza é zebra na lógica futebolesca... Como pode os Estados Unidos ir adiante na Copa das Confederações e a Italia eliminada??? Embora o time americano siga adiante, merecidamente, ardeu a parte italiana do meu coração.

O mesmo coração que bate ainda mais forte de agonia por ter recebido a notícia que a amiga, doce, parceira de bons momentos e boas baladas, Alessandra D'avilla, tenha assumido, que em legítima defesa, matou o marido. Ela, américo-brasileira também de algum lugar deve ter visto seus dois times jogarem.

Golpe é o que a vida nos prega diariamente! A vida às vezes chega a ser piada - de bem mau gosto - pronta. Gritei de ódio. Depois de algumas outras pesadas na semana. Gritei só de fazer um flashback. Gritei para o céu intensamente. Não me importei com os meus vizinhos. Eu precisava de um abraço de Deus e não o senti por perto. Por isso gritei. Meu coração tem aparência cigana, sem conforto. Busco em cada minuto de oração resposta para a minha dor. Amparo para os pensamentos da minha amiga que seguramente deve estar em pânico, assustada, infeliz. Peço ainda luz, para que ela encontre o melhor caminho seguido da melhor solução.

Colegas da mídia, tem tornado ainda mais árdua a dor da Alê. Até ter mudado para o Rio, eu e nossas outras amigas, nunca notamos bipolaridade em seu comportamento, nem agressividade. Nenhuma anormalidade em seus textos, mensagens ou e-mails. Falta de assunto para capa de jornal e revistas de grande circulação. A Alê nunca foi assassina e não acredito que tenha virado em uma semana. Não acredito que a essência de uma amiga, sempre tão transparente, tenha se rompido desta maneira estampada em cartazes de criminosos procurados até nos aeroportos. E a polícia qualificando a boa mãe como criminosa por motivo fútil? Que tal, conceder o habeas, e escutar a versão dela?
 
Hoje, absolutamente não tenho cérebro para escrever na condição de jornalista. Mas amiga, amiga que classifica insano tudo o que lê. Artigos que usam o site orkut como isca para o leitor. Diferente do que muitos devem pensar, Orkut não serve só para encontros amorosos ou sorteio de amor, mas para falar com amigos distantes e procurar outros que não vemos há longa data. E não dá para chamar de exibicionista, uma de duzentos milhões que posta fotos para que seus amigos acompanhem sua rotina ou expressa em textos seus sentimentos. Ela, apenas uma menina, normal. Menina cheia de luz.

Minha alma ainda não processou os fatos. Menina, doce, comportada. Inteligente e sorridente. Festeira. As melhores festas foram com a Alê, a Tati e a Tatá. Bons tempos, todas solteiras. Escolhíamos a casa de uma de nós para nos preparar para a noitada. O perfume da Alê, eu nunca esqueço. Era perder tempo alguma de nós ousar um spray mais. O D&G Red Label da Alê era o mais forte... Maquiavamos, fazíamos nossas unhas e próxima balada atenção: chegamos nós!!! Impossível ninguém notar... Eu, a menor das quatro tenho 1m78... Passávamos a semana na cama de bronzeamento para as fotos e os testes de produções e eventos. Éramos felizes, não tínhamos problemas. Éramos as meninas mais alegres da cidade. A Alê era viva, cheia de energia, atenciosa.

Lembro uma festa também em que eu e a Tatá dividíamos o bolo para comemorar nossos aniversários e a Alê chegou de surpresa com as irmãs para dar um beijo antes de ir para o show do U2. Que presentão de aniversário para nós! Outro momento inesquecível foi quando usamos a cozinha da minha mãe para uma experiência doida de bolo de chocolate e acabou que tinha parte do doce até no teto. Ela fez um brigadeiro ótimo, ficou tudo bem e no dia seguinte, eu quem fiz um strogonoff de macarrão. Aquela gororoba era tudo menos strogonoff ou pasta... e o pior, a Alê adorou e sempre lembra. E os filmes maravilhosos que só ela tinha o olho para achar. A Alê é a nossa amiga fantástica!

Tudo era motivo para comemorar.... Sempre ouvíamos um som cool para nos arrumarmos. Enya, Lorenna, Yanni, Sons da Natureza. Tínhamos até música de inspiração. (E o CD que ela esqueceu em casa... Ainda está lá, na casa da minha mãe). Líamos Tarot. Íamos ao salão. Éramos apenas normais. Éramos boas meninas, com mães legais e irmãs mais novas. Todas nós tínhamos uma história parecida.

A Alê ainda mais mora no meu coração, porque além da Tatá e da Tati, foi a única que segurou a minha mão no melhor e no pior momento da minha vida.

Nas palavras de uma amiga, que experimenta dor. Mas perde jamais a fé que há um Deus grande. Força Alê!!!


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Paula Tooths é jornalista especializada em produção de cinema e TV
    



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