São Paulo, segunda-feira, 27 de abril de 2009
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Seis chutes, todos errados
Esta Folha publicou quinta-feira uma
tabelinha com as previsões do Fundo Monetário Internacional sobre o desempenho
da economia brasileira entre 2003 e 2008. Adivinha quantas vezes o Fundo acertou
nesses seis anos? Adivinhou: zero vez. Zero. Nenhumazinha.
Há erros pequenos, como o de 2008: o FMI previu crescimento de 4,8% e deu 5,1%.
Há erros colossais, como o de 2003, ano em que o Fundo chutou 2,8% e o
crescimento foi de magérrimo 1,1%, bem menos da metade, portanto.
Há erros para menos (a previsão foi inferior ao crescimento efetivamente
registrado) e há erros para mais (o chute era mais otimista que a realidade se
mostrou).
Esse histórico só reforça uma tese em que venho insistindo inutilmente faz
tempo: previsões sobre economia pouco ou nada têm de ciência. Estão bem mais
perto de chute pura e simplesmente.
Acho até que vale parafrasear Groucho Marx quando ele diz que "política é a arte
de procurar problemas, encontrá-los, diagnosticá-los equivocadamente e, então,
aplicar os remédios errados".
Previsões econômicas também são um pouco assim.
Vamos então a 2008: o Fundo mudou, em abril, a previsão sobre o crescimento do
Brasil feita em janeiro. Antes, o Brasil cresceria 1,8%; agora, vai retroceder
1,3%.
Uma mudança de 3,1 pontos percentuais. Em dinheiro, significa que o Brasil
"perdeu", em meros três meses, algo em torno de R$ 102 bilhões, se seu PIB for
mesmo de US$ 1,5 trilhão e se se usar a cotação do dólar a R$ 2,2.
Dá para acreditar em tamanha virada? Talvez desse, se tivesse havido um acerto
nos anos anteriores, um só que fosse. Mas, ante o retrospecto, se você fosse
gerente de banco, emprestaria dinheiro para o Fundo? E você, mortal comum, não
acha mais sábio errar por sua própria conta?
[email protected]
Texto originalmente
publicado, domingo, dia 26 de abril, na Folha de S.Paulo
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Clóvis Rossi atualiza a coluna São Paulo (originalmente publicada na Folha
de S. Paulo) de terça a domingo.
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