São Paulo, segunda-feira, 04 de maio de 2009
Ponto de Vista
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Sexo: uma arma poderosa
REGGIO EMILIA
(ITA) -
"Querido, se você usar fogos de
artifício ilegais vai ficar sem sexo em casa!". "Amor, sexo agora só quando você
aderir ao desarmamento". "Sexo? De jeito nenhum. A menos que você pare de apoiar
o governo". Por incrível que pareça, estas chantagens sexuais aconteceram,
respectivamente, na Itália, Colômbia e Rússia. Agora é a vez das mulheres do
Quênia. Elas estão em greve de sexo, por uma semana, para que governo e oposição
entrem num acordo e evitem que o país caia num mar de violência. Confronto entre
os dois lados mataram 1.500 pessoas, no Quênia, em 2007. E elas já pensaram em
tudo. Pagaram até as prostitutas para que não recebam seus clientes!
A menos que o Quênia seja um país de maníacos sexuais, uma semana sem sexo não
leva ninguém à loucura a ponto de mobilizar governantes. Mas o objetivo - mais
do que forçar um acordo bilateral - é chamar a atenção da mídia. E elas
conseguiram. Não só pela curiosidade do fato, mas pela ousadia feminina, uma vez
que o sexo ainda é um tabu para as quenianas. Um tabu dentro de casa, porque nas
praias do Quênia, o que não falta é turismo sexual, principalmente de mulheres
estrangeiras mais velhas em busca de homens jovens. Sim, as brancas de olhos
azuis pagam - e bem - por um bom sexo com morenos e sarados. Estas, as mulheres
do Quênia não conseguirão impedir.
Esta greve me fez refletir sobre sexo e poder. Ambos caminham juntos, não há
dúvida! Em um texto anterior eu disse e repito: "O sexo é uma força tão poderosa
que pode arruinar um casamento (ou dois). Pode ligar duas (ou várias) pessoas. E
também pode afastá-las." Os homens do século XXI ainda se rendem ao sexo (e as
mulheres também). Colocam em risco família, negócios, governos e até a própria
vida por um bom sexo. As duas cabeças do homem não conseguem pensar juntas com
frequência. Bill Clinton que o diga!
Embora o homem também possa ser extremamente sedutor e fazer da mulher uma
marionete em troca de umas boas horas de cama, são elas que, mais comumente,
usam o sexo como meio para atingir um objetivo. E não se ofendam, meninas, pois
todas nós fazemos isso em diferentes níveis. Algumas usam o sexo para garantir
um cargo ou promoção; para percorrer uma carreira artística ou até para residir
no exterior. Outras, para manter um casamento ou destruí-lo, quando este for o
do outro, é claro! O sexo é moeda de troca para quase tudo. Não pretendo entrar
no mérito da moralidade do uso do sexo, mas na vulnerabilidade diante do mesmo.
Estou longe de ser uma feminista. Ao contrário, acho o mundo masculino muito
mais interessante, mas a magia da mulher é extremamente poderosa, convenhamos.
Ela sabe, como ninguém, unir inteligência, perspicácia - e todas as nuances
psicológicas - à sedução. E aí, meus amigos, não tem mesmo pra ninguém. O cruzar
das pernas (ao invés de abrí-las), o olhar (ao invés de encarar), o evitar de um
toque (ao invés de tocá-lo) são só migalhas perto do que a mulher faz para
colocar o homem de joelhos diante delas. E eles ficam!
Um relatório de 1945, sobre a espionagem durante a Segunda Guerra Mundial,
revelou que os maiores resultados foram obtidos por espiãs, que usavam não só a
inteligência para extrair as informações. Hoje em dia, até quadrilhas de
assaltantes usam mulheres como iscas para atrair as vítimas (homens) para uma
armadilha. E eles vão!
O jogo da sedução nada mais é do que uma troca. E, dependendo do que estiver em
jogo, não há perdedores. O homem pode estar de joelhos diante da mulher, mas
para ele, não importa, perto do que está para receber. Para a mulher, o que ela
pode dar, muitas vezes, não significa nada diante do que ele vai lhe retribuir.
Este ciclo é o que permite que homem e mulher invertam seus papéis,
eventualmente. E é isso que faz do sexo (e de quem o usa) tão intenso e
poderoso.
E que os anjos digam: Amém!!!
[email protected]
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Érika Bento Gonçalves.
Jornalista, começou a carreira em 1994, em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais.
Passou de repórter a apresentadora e editora-chefe da emissora de televisão
regional, Tv Poços. Em dez anos de trabalho em Minas atuou também nas áreas de
marketing e jornalismo político. Foi coordenadora dos programas de televisão em
duas campanhas políticas. É Editora na Rede Record e articulista deste MPR
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