&variavel1=Valor da variável 1 O Peramele ou bandicoot-de-focinho-longo (Perameles nasuta) tem um nome bem aplicado porque seu focinho mostra-se realmente muito longo. As orelhas são de talhe médio e pontuadas e o corpo mostra-se alongado com os membros posteriores quase duas vezes mais longos que os anteriores. Os dedos têm unhas em forma de foices, robustas e aceradas. A pelagem, longa, enrugada, apesar de pouco fornida, deve-se a variedade dos pelos, às vezes inferiores, raros e curtos e as vezes cerdosos e mais longos. Tem uma coloração geral fulva, e mais escura na parte superior do corpo e mais clara embaixo. sendo a cauda castanho-escuro. Na idade adulta o bandicoot-de-focinho-longo pode passar de 40cm de comprimento com mais uns 12 de cauda e pesar de 600 a 700g. Este Marsupial vive nas regiões montanhosas e frias da Austrália oriental e em grande numero em Nova Gales do Sul, onde avança, freqüentemente, até as costas. Essencialmente insetívoro, ele cava longas galerias para conseguir insetos e larvas que constituem a parte principal de sua alimentação. Utiliza, para este fim, suas unhas longas e robustas e seu focinho alongado. Come também vermes, cobras, lagartos e vegetais. Causa, por vezes, dano nos campos cultivados e jardins, devido as galerias que cava, embora seja muito menos prejudicial que os roedores por não ter a mesma eficiência nos dentes. Seu modo de andar lembra singularmente o dos coelhos, apoiando-se alternadamente nos membros anteriores e posteriores. Quando ferido emite uma série de sons sibilantes que lembram muito os dos ratos. Crepuscular e noturno, o bandicoot-de-focinho-longo dorme durante o dia, enrolado em seu ninho, com a cabeça escondida sob o corpo. O ninho e feito de ervas ou de ramos finos e construído sobre o chão. O animal dorme tão profundamente que se pode levanta-lo sem que acorde. provavelmente porque sua temperatura interna, muito instável como a de todos os Marsupiais, pode variar de maneira sensível com as mudanças da temperatura exterior. Assim, esse sono quase letárgico seria o meio de conseguir uma regulagem térmica. O olfato parece o seu sentido mais desenvolvido, o que se explica pelo grande tamanho dos lobos olfativos do cérebro, como acontece .com todos os Marsupiais, em que este caráter anatômico arcaico lembra a ascendência reptiliana longínqua. Machos e fêmeas vivem separados e só reúnem-se para o cruzamento, que pode ocorrer em qualquer época e se repete varias vezes por ano, fazendo a espécie muito prolífica. Embora a fêmea possua 8 mamas, nunca tem mais de 5 filhotes por ninhada. Eles nascem apos uma gestação de 11 dias e passam 55 dias no marsúpio. Os primeiros pelos aparecem por volta do 40 dias e os olhos abrem-se aos 45 dias. Vítimas das cobras, dos dingos e, sobretudo, dos homens que os caçam para alimento, desalojados das regiões semidesérticas pelo pululamento dos coelhos, que quebraram o equilíbrio fauna-flora, os bandicoots estão em nítida regressão desde o inicio do século. Sua população é, alias, sujeita a multiplicações súbitas, seguidas de reduções brutais, como se observa com os Roedores. Este fenômeno foi bem estudado no bandicoot de gunn (Perameles gunii), parente próximo do bandicoot-de-focinho-longo, que vive sobretudo em regiões muito extensas, vastas planícies e campos cultivados. Habitat preferido em geral por toda uma série de ratos campestres. Como eles, o bandicoot de gunn mostra-se muito prolífico, graças as suas 4 parições anuais e se confronta com o problema de alimento, fatalmente deficiente quando a proliferação se toma galopante. Esse problema e resolvido com a migração, e isto reduz a população, mantendo-a nos limites de alimentos disponíveis e assegurando densidade excelente para a exploração de determinado biótipo. Os bandicoots, animais solitários, marcam territórios individuais com jatos de urina. Quando os filhotes estão completamente desmamados, isto é, com a idade de 2 meses, eles deixam o ninho materno e procuram um território disponível. E, como não o encontram, se vêem obrigados a migrar.