&variavel1=Valor da variável 1 Os gambás (de guaambá, que significa saco vazio, referindo-se ao marsúpio) pertencem ao gênero Didelphis, que com suas 2 espécies vêm do Canadá até o norte da Argentina e é, assim, o mais amplamente distribuído de toda a família. O gambá, chamado opussum na América do Norte (Didelphis marsupialis), prefere as regiões mais úmidas e florestadas. Conhecido aqui no Brasil como mucura na Amazônia, cassaco no Nordeste, recebe o nome de "gambá" de todo o litoral da Bahia ao extremo sul do país. O gambá pode atingir 50 cm de comprimento sem contar a cauda, quase do mesmo tamanho. Apresenta corpo maciço, pescoço grosso, focinho alongado e pontudo, membros curtos e cauda preênsil, bastante grossa, redonda e afilada, só peluda na base, tendo pequenas escamas revestindo a parte restante. A fêmea possui um marsúpio bem desenvolvido, ao contrário de outros da mesma família, que só têm 2 dobras ventrais abertas. A cor da pelagem varia muito, indo do branco (animais velhos) ao negro (animais jovens) e passando por todas as tonalidades de cinzento e marrom intermediárias. A segunda espécie, o mucura (Didelphis azarae) - para a qual usam-se também os nomes gambá, cassaco, tombu -e distingue-se especialmente pelo contraste de cores negra e branca, especialmente uma nítida faixa negra que vai da fronte à nuca. Esta espécie se encontra em todo o Planalto Central brasileiro, do Nordeste ao Rio Grande do Sul. Essencialmente arborícola, o gambá caminha lenta e desajeitadamente no chio, apoiando toda a planta do pé. Em compensação, é muito ágil nas árvores, onde se desloca entre os galhos com firmeza, graças ao hálux oponível e à cauda preênsil. Normalmente pode passar horas seguidas suspenso a um ramo pela cauda. Como em todos os Marsupiais, tem no olfato o seu sentido mais desenvolvido, o que os estudiosos consideram um sintoma de caráter arcaico. O gambá alimenta-se de todos os pequenos Mamíferos, de todas as aves que possa apanhar, de diversas espécies de répteis, de grandes insetos e suas larvas, de vermes e ainda de aves. Em caso de necessidade, contenta-se com frutos, milho e raízes suculentas. Entretanto seu alimento preferido é o sangue, o que o leva a terríveis chacinas, como as que causa nos galinheiros, onde degola todas as galinhas que encontrar, bebendo o sangue e deixando a carne intacta. Está sempre pronto a fugir ou esconder-se em qualquer anfractuosidade inacessível, mas, se não o consegue, finge-se de morto, com os olhos vidrados e a língua pendente. O agressor, julgando-o morto, afasta-se. Então, subitamente, o gambá levanta-se e interna-se no mato. A reprodução merece um estudo mais interessado pelo fato de o animal viver bem em clima frio, o que prova que, em nichos ecológicos adequados, a reprodução marsupial pode ser tão eficaz, ou mais, que a reprodução placentária. Após uma gestação de 13 a 14 dias, a fêmea dá à luz uma ninhada de 8 a 18 larvas marsupiais, já providas de unhas que, destinadas unicamente a facilitar a viagem entre a cloaca e o marsúpio, logo cairão. Somente 7 a 9 deles conseguem alcançar as tetas a que ficam grudados durante 70 dias. Passado esse tempo, os filhotes estão bastante desenvolvidos para levar vida independente, mas a mãe os aleita ainda durante um mês. Este período de vida, separado da teta, corresponde à infância nos Placentários. A mãe promove a iniciação da prole nas leis da espécie: comunicação entre indivíduos, busca de alimentos, etc. Nesta fase os filhotes podem ser vistos agarrados no dorso de sua mãe, prendendo suas caudas à cauda materna. No fui desse mês, já adultos, dispersam-se para viver solitariamente. Em estado selvagem ele raramente vive mais de 2 anos. A fêmea tem, em geral, duas parições por ano, entretanto, somente uns 7 dos filhotes chegam ao estado adulto, não por insuficiência do número de tetas para nutri-los (ela tem 14), mas por perder as larvas na ocasião da patição. Esta fecundidade notável demonstra bem que a espécie tem grandes chances de sobrevivência, tanto mais que se adapta a uma variedade de climas, como se vê em suas áreas de distribuição, sem recorrer à hibernação, resolvendo o problema do frio com recursos de adaptação de sua temperatura interna. Também quanto à alimentação o gambá demonstra uma extraordinária acomodação, que lhe confere a condição de um perfeito onívoro, embora preferencialmente se nutra de inseto. O gambá fornece uma pele muito apreciada de tonalidade geral cinzenta ou marrom com fundo esbranquiçado e grandes pontas brancas e brilhantes.