Miquel Martí i Pol

Peço pouco, peço pouca coisa.
Só poder trabalhar como até agora,
respeitando a ordem estabelecida
por discretas leis de antiga procedência.
Compor versos me basta, me liberta.
Também ler, e algumas outras coisas
totalmente banais, totalmente corriqueiras.
Peço pouco e menos ainda talvez
pedirei, à medida que os anos puserem
obscuros sinais na pele cansada.
Então, quem sabe, só escrever
me será suficiente. Assim penso e não me espanta.
Imagino-me sem nenhuma angústia.
A solidão como única companheira.