O plantio é importante, o ato de regar
ou cultivar é igualmente importante, mas o que realmente tem
importância é o crescimento e a colheita; e somente DEUS
é responsável por esse aspecto da lavoura espiritual.
Não é errado alguém honrar ao semeador ou o cultivador;
mas é errôneo tansformar qualquer deles em objeto de veneração,
o que só pertence a JESUS CRISTO e a DEUS Pai.
Paulo e Apolo, como é evidente, não
podiam ser responsabilizados pelas divisões surgidas na igreja
de Corinto. Paulo sempre se referiu a Apolo como o máximo respeito,
jamais o tendo atacado por motivo de qualquer erro da parte dele. Ambos
esses líderes cristãos estavam perfeitamente satisfeitos
em serem apenas instrumentos nas mãos de DEUS, ainda que seus
seguidores os tivessem transformados em heróis a cabeça
das facções em que aquela igreja se dividira.
Pode-se contrastar a atitude de Paulo e de Apolo
com a atitude de certos "líderes modernos", os quais
na realidade, com freqüência se mostram exageramente soberbos,
não fazendo qualquer objeção em serem transformados
em objetos de veneração e exagerado respeito por parte
dos homens, no seio mesmo da cristandade. Com imensa freqüência,
certos líderes, longe de repreenderem as facções
surgidas por causa de "personalidades", de fato são
os cabeças dessas facções! Tais líderes,
pois, não menos do que os seus seguidores são indivíduos
carnais. Porquanto, longe de encorajarem esse espírito faccioso,
deveriam repreendê-los, porque são supostos possuidores
de um maior conhecimento espiritual e das verdades bíblicas.
O presente versículo indica que o trabalho
de evangelização em Corinto começou com Paulo,
pois ele plantou; então esse trabalho teve prosseguimento sob
a liderança de Apolo, pois ele regou. - (Atos, 18). Isso não
significa, entretanto, que Apolo não tenha conquistado novos
convertidos, porquanto Paulo fala em termos relativos e não absolutos.
Paulo salienta aqui que o verdadeiro fruto espiritual jamais é
produto meramente humano, ainda que instrumentos humanos possam estar
envolvidos nessa obra gloriosa. O Senhor JESUS ensinou essencialmente
a mesma coisa, em sua parábola sobre crescimento da semente plantada.
(Mc. 4: 26-29).
Mas o plantio e o regar, feitos pelo homem, seriam
aspectos igualmente inúteis, não fosse o crescimento que
DEUS dá à planta.
Toda forma de vida procede de DEUS; o homem pode,
tão-somente, criar certas condições e circunstâncias
favoráveis, sob as quais a vida vegetal pode medrar. E até
mesmo a capacidade de criar essas circunstância favoráveis
vem da parte de DEUS, dada a certos homens. Aquele que confere a vida
é quem deve ser glorificado, porquanto somente DEUS é
verdadeiramente digno dessa glorificação.
Um agricultor pode lançar a semente no
terreno preparado por outrem, ou por ele mesmo. Mas nenhum agricultor
pode criar a semente, e nem a potencialidade vital que a semente traz
em si mesma. Também não pode fazer a semente manifestar
essa potencialidade vital na forma de fruição. Tais mistérios
pertencem à mente e às operações divinas.
E isso se torna ainda mais verdadeiro no caso da vida eterna, que nos
é dada em CRISTO e através dele, porquanto essa vida eterna
é de origem divina.
"PARA QUE TODO O QUE NELE CRÊ TENHA
A VIDA ETERNA" (Jo. 3:15).
A vida eterna consiste em uma modalidade de vida,
e não meramente de existência sem fim. A participação
na vida e na natreza divina é o ponto culminante da existência,
o alvo mesmo de toda a existência humana.
"PELAS QUAIS NOS TÊM SIDO DOADAS AS
SUAS PRECIOSAS E MUI GRANDES PROMESSAS, PARA QUE POR ELAS VOS TORNEIS
COPARTICIPANTES DA NATUREZA DIVINA, LIVRANDO-VOS DA CORRUPÇÃO
DAS PAIXÕES QUE HÁ NO MUNDO" (2 Pe. 1:4).