Versos do Ribeirão

Resgata meu verso em pedaços
Das águas pretas do Ribeirão
E manda para mim teu abraço
Envolvido numa carta de sedução.

Pensa até se formar um poema
(Dos teus lábios morenos)
Solto a navegar na piracema
Contra as correntezas de Vênus.

Já não importa se o meu verso és tu
Nem mesmo a maçã que se despiu
Do seu papel incômodo de seda azul.

A folha que cai é o meu pranto
Beijando teus seios na beira do rio.
O Ribeirão é o meu verso...
E é o teu acalanto!

(Achel Ticoco)

 

 

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